Ações integradas previnem a monilíase do cacaueiro

05/12/2007
A realização de uma ação conjunta que envolve educação, defesa sanitária e pesquisa para evitar a chegada da monilíase à lavoura cacaueira no Sul da Bahia foi definida durante seminário realizado na terça-feira (4), na Universidade Estadual de Santa Cruz. O objetivo do evento, que reuniu dirigentes do Ministério da Agricultura (MDA), Secretaria de Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri), Ceplac e produtores rurais, foi alertar a comunidade regional sobre os riscos da introdução da monilíase nos cacaueiros.

A doença, que já é endêmica em países como Equador, Peru e Colômbia, estes dois últimos com grandes áreas de fronteira com o Brasil, pode gerar perdas entre 50% e 100% na produção de cacau. O diretor-geral da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), Altair Santana, destaca que o Brasil está livre da incidência da monilíase. `Nosso trabalho é de prevenção. Nesse sentido estamos mobilizando órgãos federais e estaduais e formando barreiras fitossanitárias para evitar a chegada do fungo, cujos efeitos sobre a lavoura são mais danosos do que a vassoura-de-bruxa`, afirma.

Segundo ele, como o Sul da Bahia concentra 90% da produção nacional de cacau, a monilíase teria um efeito devastador na economia. Além dos trabalhos de prevenção e controle do fluxo de pessoas e veículos oriundos das áreas onde existe a doença. Santana defende a produção de clones de cacaueiros resistentes. `Temos que nos antecipar a uma eventual incidência da monilíase, para evitar o que ocorreu com a vassoura-de-bruxa`, alerta.

Pesquisa

Para o diretor de Defesa Sanitária Vegetal da Adab, Cássio Peixoto, o trabalho passa por uma legislação que dê suporte às ações preventivas, programas de capacitação e educação sanitária, além de pesquisas realizadas pela Ceplac. `Temos que agir de forma articulada, porque se trata de uma doença que, embora não tenha chegado ao Brasil, está muito próxima nas regiões de fronteira no Norte do país`, adverte.

Na área de pesquisa, a Ceplac desenvolve intercâmbio com instituições da Colômbia e Equador. `Essa troca de informações permite a identificação de clones mais resistentes. Também mantemos material em quarentena, para estudar os genes existentes nas plantas e testar fungicidas para combater a monilíase`, diz o fitopatologista Antonio Zózimo Mattos, do Centro de Pesquisas do Cacau (Cepec).

A preocupação com a monilíase atinge o setor industrial que atualmente importa 55% da matéria-prima para atender a demanda no parque moageiro de cacau no Distrito Industrial de Ilhéus. Laudecir Silva, presidente da Associação das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC) diz que as empresas estão dispostas a colaborar com as ações preventivas, já que é necessário ampliar a produção de cacau brasileiro, que mostra sinais de recuperação após décadas de retração provocadas pela vassoura-de-bruxa`.

O que é

A moníliase é causada pelo fungo Moniliophthora roreri que infecta os frutos do cacaueiro em qualquer estágio de desenvolvimento, principalmente aqueles com até 90 dias. O patógeno não ataca a parte aérea da planta como acontece com a vassoura-de-bruxa, mas seus danos econômicos variam entre países e regiões onde existe, já que fatores climáticos favorecem sua dispersão nas regiões mais quentes e úmidas, quando completa o ciclo com rapidez. Um fruto infectado pode produzir sete bilhões de esporos. O vento é o principal vetor de disseminação.

Fonte: Agecom 04/12/07