Lobão nega que governo pretenda a reestatização do setor elétrico

11/03/2008
O ministro de Minas e Energia, senador Edison Lobão (PMDB-MA), negou, ontem, que haja intenção do governo federal em reestatizar o setor elétrico. Durante a posse do novo presidente da Eletrobrás, José Antonio Muniz Lopes, Lobão disse que está descartada a participação de Furnas Centrais Elétricas no leilão de privatização da Cesp (Companhia Energética de São Paulo), controlada pelo governo paulista. Embora o edital da Cesp proíba a participação de estatais, Furnas anunciou, no mês passado, que iria disputar o leilão, marcado para o dia 26. Dias depois, porém, recuou. Segundo a assessoria de Edison Lobão, o ministro fez ontem o comunicado oficial ao mercado de que nenhuma estatal federal tentará comprar a Cesp.

Lobão disse que a Eletrobrás e suas subsidiárias participarão de todos os leilões de geração de energia, para construção de novas hidrelétricas, mas como minoritárias em consórcio com empresas privadas. O ministro voltou a negar a possibilidade de novo apagão. ``Nem neste ano, nem nos próximos`, afirmou. Disse que o país vai passar dos atuais 100 mil megawatts instalados para 190 mil megawatts em 20 anos. Lobão disse que, neste mês, se reunirá com ministros da Argentina e da Bolívia para discutir a participação da Eletrobrás em novas hidrelétricas para gerar 12 mil megawatts.

Aumento de combustíveis Ele também disse que o governo vai segurar, enquanto puder, o repasse da alta do petróleo no mercado internacional para o preço dos combustíveis. O último aumento da gasolina aconteceu há dois anos e meio. ``Estamos segurando desde 2005 e queremos segurar por mais algum tempo. Por quanto tempo, não sei. Tudo o que o governo puder fazer para não impactar o consumidor, será feito`, afirmou.

Agradecimento a Sarney

O novo presidente da Eletrobrás, Muniz Lopes, emocionou-se ao agradecer o senador José Sarney (PMDB-AP) para sua nomeação para o cargo. Engenheiro, funcionário do sistema Eletrobrás há 45 anos, ele também agradeceu ao PMDB, a Edison Lobão e ao presidente Lula. Lobão disse que indicação política não é incompatível com o ``bom uso da máquina pública`, desde que sejam indicados técnicos. Segundo Muniz, Lula quer a Eletrobrás liberada de amarras administrativas -como a obediência à lei 8.666 em suas licitações- tal qual a Petrobras. A medida provisória 396, a ser votada hoje no Senado, segundo ele, cria regimento próprio de licitação para a estatal.

Repórteres: ELVIRA LOBATO e CIRILO JÚNIOR

Fonte: Folha de S. Paulo

Em 11/3/2008.