IBGE: crise não afetou emprego, mas não está blindado

23/10/2008
Os dados da pesquisa mensal de emprego de setembro mostram que o mercado de trabalho ainda estava imune à crise que se agravou no mês passado, segundo o gerente da pesquisa do IBGE, Cimar Azeredo. `O mercado de trabalho ainda é forte, não vamos dizer que é blindado, mas ainda não há efeitos da crise`, disse.

O argumento de Azeredo é que a taxa de desemprego ficou estável, `o que já era esperado`, a formalidade (emprego com carteira assinada) prosseguiu em alta, a renda média real prossegue em trajetória de expansão e o número de ocupados também cresceu. `Não há nenhum sinal de que o mercado de trabalho esteja sofrendo com a crise econômica`, acrescentou.

O aumento no rendimento médio real dos trabalhadores em setembro refletiu o recuo na inflação e a alta no número de contratações com carteira assinada, segundo Azeredo. Segundo o IBGE, a renda média real aumentou 0,9% em setembro ante agosto e 6,4% ante setembro do ano passado. A renda é deflacionada pelo INPC médio das seis regiões metropolitanas pesquisadas. Azeredo ressaltou também que o rendimento real na média de janeiro a setembro ficou em R$ 1.239,12, ou 3,2% maior do que a renda de R$ 1.200,72 apurada no mesmo período do ano passado.

O gerente de pesquisa do IBGE disse que só um cenário muito atípico evitará que a taxa de desemprego fechada de 2008 seja a menor da série histórica da pesquisa, iniciada em 2002. A taxa média de desemprego de janeiro a setembro foi de 8,1% este ano, bem inferior à taxa média para o período de 9,7% apurada em 2007. A taxa média no total do ano passado foi de 9,3%.

Azeredo destacou também o aumento no nível de ocupados (porcentual de pessoas em idade ativa que estão ocupadas) para 53% em setembro, ante 52,6% em agosto, o que ele considera uma elevação significativa. De acordo com ele, todos esses resultados mostram força do mercado de trabalho. `A crise ainda não chegou ao mercado de trabalho, será preciso esperar os dados dos próximos meses, especialmente de dezembro e janeiro, para checar se haverá efeito da crise no emprego`, disse.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Em 23/10/2008.