28/04/2008
A inclusão da energia eólica à matriz energética brasileira é a principal reivindicação apresentada por meio de uma carta assinada por todos os estados do Nordeste. O documento foi entregue, no último dia 28 de abril, ao presidente do Fórum Nacional de Secretários de Estado para Assuntos Energéticos, o secretário de Desenvolvimento do Rio de Janeiro, Julio Bueno.O evento foi realizado no auditório da Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações (Agerba), em Salvador, e teve como vice-presidente o secretário de Infra-estrutura, Antonio Carlos Batista Neves. 'Queremos inserir a criação de leilões exclusivos de energia eólica nas discussões do Comitê Nacional de Política Energética para explorarmos esta fonte limpa e renovável, da qual temos grande disponibilidade no Oeste, nas regiões da Chapada Diamantina, da Barragem de Sobradinho e de Caetité e no Litoral-sul e norte', declarou Neves.
Batista Neves lembrou que o Brasil tem um potencial de 143,5 mil megawatts de energia eólica e apenas explorado (em operação) menos de 300megawatts e a Bahia detém 10% (14,5 mil megawatts) do total deste potencial. 'Nossa disponibilidade para geração de novas usinas hidráulicas está se esgotando. Temos que partir para novas fontes. A eólica ainda é cara, comparada com outras energias alternativas que também participam dos leilões da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica)', afirmou.
Para o secretário, a expansão da produção de energia eólica vai contribuir não só para o meio-ambiente - pois o uso da energia térmica, poluente, será reduzido - como também para o desenvolvimento regional sustentável. 'Hoje, o Rio São Francisco é responsável pelo abastecimento da demanda baiana e do Nordeste, mas há regiões em crescimento. E a produção da energia eólica poderia supri-la. Entre 2010 e 2015 teremos, por exemplo, instalação de indústrias na Chapada, no Sul, no Sudeste, no Norte da Bahia'.
Outorga
A Aneel já outorgou a implantação de quatro parques eólicos nos municípios de Caetité (192 MW), Conde (59,5 MW), Mucuri (99,5 MW), e Jandaíra (30,6 MW), mas que ainda não são aproveitados devido à falta de leilões específicos da Agência para o aproveitamento desta energia.
Segundo o coordenador de Energia da Secretaria de Infra-estrutura do Ceará, Renato Rolim, a carta entregue ao presidente do Fórum requer este aproveitamento e é fruto de um seminário realizado em Fortaleza, com a presença de todos os secretários do Nordeste.
'Durante o seminário, nós trabalhamos na identificação das potencialidades de energia em todos os estados nordestinos e chegamos à conclusão que o maior potencial que temos é o eólico. Este documento deverá ser encaminhado ao Conselho Nacional de Política Energética, solicitando o seu empenho máximo para que seja feito um estudo sério sobre o aproveitamento regional desse recurso', argumentou.
Segundo Rolim, vai haver um grande desenvolvimento para as empresas que virão se instalar na região e o consumo de energia vai gerar divisas. 'O Nordeste vai passar a ser produtor e a venda desta energia vai trazer impostos, desenvolvimento e emprego para a população', apontou.
Conforme o coordenador cearense, as usinas que estão ao longo do São Francisco produzem energia suficiente para o Nordeste, mas com os períodos de baixas chuvas, esta geração se torna insuficiente, tendo que permitir a entrada em operação das termoelétricas, com custos de fornecimentos mais caros, além de não serem providas de energia limpa e renovável.
'Podemos dizer que ao longo dos três, quatro ou cinco anos, os estados terão que trabalhar outras formas de geração ou de importação de energia', afirmou. Segundo ele, nas áreas de dificuldade e nos momentos difíceis, esta energia já está vindo do Norte ou do Sudeste, pois o sistema nacional é interligado. 'Mas apontamos para uma grande dificuldade e a união pode fazer com que sejamos grandes produtores de energia novamente', garantiu.
Os primeiros parques eólicos comerciais iniciaram suas operações em 1999, no Ceará. Em 2002, o governo federal lançou o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfra) que elevou a capacidade de geração de energia eólica. Em 2006, a capacidade de energia chegou a aumentar em sete vezes. Mas, em função de imprecisões na definição de seu marco regulatório e de políticas futuras, o setor se desenvolveu aquém do seu potencial. Para a alteração de algumas determinações do programa, o projeto de Lei 1.563/07 se encontra em tramitação na Câmara dos Deputados. Entre as mudanças está a contratação de energia por 20 anos - semelhante aos das hidrelétricas que podem chegar até 30 anos - como um incentivo de investimentos em energia eólica.
A Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEE) projeta que o Brasil alcance, na próxima década, somente 1,9 GW de produção, o que representa 2% da matriz energética nacional. Enquanto isso, países como Alemanha e Estados Unidos destinam, hoje, mais de 15% de sua matriz energética ao aproveitamento da energia, e planejam para o futuro atingir entre 45 mil MW e 48 mil MW de geração.
Vantagens - O Brasil - sobretudo, o Nordeste - reúne boas condições para a ampliação de parques eólicos. Apesar do investimento inicial em energia eólica ser elevado, o regime favorável de ventos, a faixa litoral extensa, a possibilidade de instalar os parques eólicos próximos aos centros consumidores e o baixo custo de geração são vantagens para a adoção em maior escala de energia eólica. Outra vantagem é a possibilidade de se conseguir energia elétrica sem emissões de poluente, a partir do vento, e sem construção de grandes obras. O custo de instalação de usinas eólicas é mais alto do que em outros países, já que a maioria dos equipamentos tem que ser importados. Entretanto, o Brasil conseguiu atrair a empresa alemã de turbinas eólicas Wobben Windpower Enercon, que se instalou em Sorocaba-SP e uma filial no Ceará e espera pela criação de leilões que propiciem um melhor aproveitamento da energia.
O custo de geração do setor também se apresenta competitivo. De acordo com a Eletrobrás, fica em torno de R$ 203 a R$ 231 por MWh - valores superiores se comparados às demais fontes energéticas renováveis e não-renováveis.
Fonte: Agecom e Ascom/Seinfra
24/04/08