16/05/2008
Após amargar prejuízo de R$ 144 milhões desde sua criação, em 2004, o Banco Popular do Brasil será absorvido pelo Banco do Brasil. A decisão foi anunciada ontem e vira uma página da iniciativa de inclusão bancária lançada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no início do primeiro mandato. O Banco do Brasil diz que a iniciativa é positiva porque vai reduzir custos e aumentar a eficiência das operações com clientes de menor renda.
O Banco Popular, que era uma subsidiária independente do Banco do Brasil, agora fará parte da nova diretoria de `Menor Renda`, cuja criação foi anunciada ontem. Segundo o BB, as mudanças fazem parte de uma estratégia para atender melhor os clientes com rendimento mensal de até um salário mínimo. O vice-presidente de varejo do BB, Milton Luciano dos Santos, informou que, em até 90 dias, será definido um plano para a incorporação do Banco Popular. Uma pesquisa será realizada para avaliar se a marca será mantida.
Apesar de curta, a história do Banco Popular foi conturbada: três presidentes em quatro anos e a suspeita de envolvimento de um deles no mensalão. Nesse período, a iniciativa deixou de ser uma das grandes apostas do governo para se transformar em motivo de dor de cabeça.
Em 2002, Lula pregava a expansão do microcrédito para incentivar o empreendedorismo entre as pessoas de menor renda e, ao mesmo tempo, iniciar o processo de bancarização desses trabalhadores. O plano também era usar o microcrédito como forma de inclusão social.
Mas não deu certo. Em 2004, no primeiro ano de funcionamento do Banco Popular, a instituição amargou prejuízo de R$ 25 milhões. No ano seguinte, o rombo aumentou para R$ 62 milhões. Depois, prejuízos seguidos em 2006, 2007 e no primeiro trimestre de 2008.
Em meio a isso, o banco foi atingido pelas acusações de que o primeiro presidente, Ivan Guimarães, teria envolvimento com o mensalão. Em 2004, a instituição emprestou R$ 21,3 milhões em operações de microcrédito.
No mesmo ano, a agência de publicidade DNA recebeu R$ 29 milhões do Banco Popular. A agência tinha como um dos sócios Marcos Valério de Souza, acusado de ser o principal operador do mensalão.
A analista do setor bancário do Banco Banif, Lia da Graça, afirma que o fracasso do Banco Popular foi provocado pela falta de foco e experiência. Segundo ela, faltaram investimentos em sistemas para a avaliação dos riscos nas operações de crédito. Atualmente, o banco tem inadimplência de 17%, índice que já chegou a 30%. Enquanto isso, concorrentes diretos têm níveis muito menores, em torno de 7%.
`Definitivamente, foi uma experiência malsucedida. Tivemos equívocos na estratégia de implantação e na velocidade de crescimento. Parece que esse não era o foco do banco. Poderia até ser o foco do discurso do governo, mas não era o que víamos na gestão da instituição`, diz a analista. Apesar disso, ela avalia que o negócio será bom para o futuro, já que o segmento de baixa renda deve avançar com a expectativa de expansão da economia.
Repórter: Fernando Nakagawa
Fonte: O Estado de S. Paulo
16/5/2008.
O Banco Popular, que era uma subsidiária independente do Banco do Brasil, agora fará parte da nova diretoria de `Menor Renda`, cuja criação foi anunciada ontem. Segundo o BB, as mudanças fazem parte de uma estratégia para atender melhor os clientes com rendimento mensal de até um salário mínimo. O vice-presidente de varejo do BB, Milton Luciano dos Santos, informou que, em até 90 dias, será definido um plano para a incorporação do Banco Popular. Uma pesquisa será realizada para avaliar se a marca será mantida.
Apesar de curta, a história do Banco Popular foi conturbada: três presidentes em quatro anos e a suspeita de envolvimento de um deles no mensalão. Nesse período, a iniciativa deixou de ser uma das grandes apostas do governo para se transformar em motivo de dor de cabeça.
Em 2002, Lula pregava a expansão do microcrédito para incentivar o empreendedorismo entre as pessoas de menor renda e, ao mesmo tempo, iniciar o processo de bancarização desses trabalhadores. O plano também era usar o microcrédito como forma de inclusão social.
Mas não deu certo. Em 2004, no primeiro ano de funcionamento do Banco Popular, a instituição amargou prejuízo de R$ 25 milhões. No ano seguinte, o rombo aumentou para R$ 62 milhões. Depois, prejuízos seguidos em 2006, 2007 e no primeiro trimestre de 2008.
Em meio a isso, o banco foi atingido pelas acusações de que o primeiro presidente, Ivan Guimarães, teria envolvimento com o mensalão. Em 2004, a instituição emprestou R$ 21,3 milhões em operações de microcrédito.
No mesmo ano, a agência de publicidade DNA recebeu R$ 29 milhões do Banco Popular. A agência tinha como um dos sócios Marcos Valério de Souza, acusado de ser o principal operador do mensalão.
A analista do setor bancário do Banco Banif, Lia da Graça, afirma que o fracasso do Banco Popular foi provocado pela falta de foco e experiência. Segundo ela, faltaram investimentos em sistemas para a avaliação dos riscos nas operações de crédito. Atualmente, o banco tem inadimplência de 17%, índice que já chegou a 30%. Enquanto isso, concorrentes diretos têm níveis muito menores, em torno de 7%.
`Definitivamente, foi uma experiência malsucedida. Tivemos equívocos na estratégia de implantação e na velocidade de crescimento. Parece que esse não era o foco do banco. Poderia até ser o foco do discurso do governo, mas não era o que víamos na gestão da instituição`, diz a analista. Apesar disso, ela avalia que o negócio será bom para o futuro, já que o segmento de baixa renda deve avançar com a expectativa de expansão da economia.
Repórter: Fernando Nakagawa
Fonte: O Estado de S. Paulo
16/5/2008.