14/11/2008
A liberação de mais R$ 40 bilhões em compulsórios e a divulgação de bons lucros de Banco do Brasil e Nossa Caixa (do governo de São Paulo) animaram os mercados. A Bovespa subiu 4,71% e, no fim do dia, acompanhou a recuperação de Nova York. O Dow Jones subiu 6,67%. O dólar disparou fechando em alta de 3,41%, a R$ 2,368.
O Banco Central (BC) fez ontem várias atuações no mercado de câmbio, mas não conseguiu conter a alta do dólar. A moeda subiu pelo sétimo dia seguido e fechou a R$2,368 - a segunda maior cotação desde o início da crise -, com valorização de 3,41%.
No mercado futuro, a autoridade monetária fez um leilão de contratos de swap cambial, em que paga a variação da moeda e, em troca, recebe uma taxa de juros, num total de US$493 milhões. Depois, ofereceu linhas voltadas para exportações, num total de US$1,3 bilhão. À tarde, vendeu mais US$530 milhões no mercado à vista, sendo que uma das intervenções foi no período de ajustes do fechamento do mercado, após as 16h.
Para o economista da NGO Corretora, Sidnei Nehme, o mercado à vista está sendo afetado por especulações no mercado futuro, em que empresas e bancos firmam acordos de compra e venda a um preço prefixado.
Ele diz que a oferta de swaps não está resolvendo o problema das empresas e está causando mais especulação. Muitas delas venderam dólar no mercado futuro e precisam recomprar a moeda para cumprir seus contratos, mas estão achando as taxas do swap altas.
- Quem está ficando com os swaps são os especuladores, que seguram o preço da moeda. Lá na frente, quando as empresas endividadas tiverem comprar dólar para honrar seus contratos, eles terão lucro. E elas terão que ajoelhar no milho e comprar a qualquer preço - diz. (Juliana Rangel)
Gangorra nas bolsas
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) teve um dia de sobe-e-desce ontem. Durante boa parte dos negócios, o pregão ficou em alta, puxado sobretudo por ações de bancos. O setor foi beneficiado pela nova mexida nos recolhimentos compulsórios feita pelo Banco Central (BC), que deverá liberar para as instituições R$40 bilhões. Também influenciou o lucro maior de Banco do Brasil (BB) e Nossa Caixa. Mas o recuo dos preços do petróleo à tarde fez com que os papéis da Petrobras caíssem, levando a Bolsa à queda de 2,11%, na mínima do dia. Faltando uma hora e meia para o fim do pregão, no entanto, houve uma corrida a ações baratas, um movimento que começou nas bolsas americanas e foi replicado no Brasil, levando o Ibovespa, principal índice da Bolsa, a fechar em alta de 4,71%, aos 35.993 pontos.
- A alta da Bovespa foi técnica, porque os preços haviam caído muito. Foi incrivelmente estranho - disse o estrategista da Máxima Asset Management, André Segadilha.
A Petrobras oscilou com os preços do petróleo. Chegou a subir mais de 4%, recuou mais de 3%, para fechar em alta de 2,33%. Em Nova York, o barril do leve americano bateu US$54,67, a menor cotação desde janeiro de 2007. Mas investidores avaliaram que a queda de 10% dos últimos dois dias era injustificada e houve uma corrida pela commodity, que fechou em alta de 3,70%, a US$58,24. Já barril o do tipo Brent, negociado em Londres, foi prejudicado pelo fuso horário e recuou 0,7%, para US$51,99.
O índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, saltou 6,67%, na terceira maior alta em pontos de sua história (552). S&P e Nasdaq subiram 6,92% e 6,50%, respectivamente. Segundo analistas, houve um forte movimento de compra depois que o Dow ficou abaixo de 8 mil pontos, o que teria sido visto como um piso.
Pela mexida do BC nos compulsórios bancários, a partir de 1º de dezembro, uma parte dos depósitos à vista, a prazo e da poupança deverá ser recolhida ao BC em títulos públicos. Até então, o recolhimento era apenas em espécie. A medida também visa a regularizar a negociação de papéis do governo. Os bancos terão os compulsórios remunerados pelos títulos que forem depositados. Até então, eram corrigidos pela Taxa Selic, hoje a 13,75% ao ano.
A mudança foi autorizada em reunião extraordinária do Conselho Monetário Nacional (CMN). Segundo especialistas, isso vai compensar outra medida, que começa a vigorar hoje, pela qual os bancos devem enviar ao BC 70% do compulsório a prazo em dinheiro, sem direito a remuneração.
Lucro do BB sobe 36% no 3º trimestre
Apesar da expectativa do governo de elevar a liquidez no setor, para a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), as medidas do BC não aumentarão o volume de crédito. O economista-chefe da entidade, Rubens Sardemberg, não vê na medida injeção de liquidez. Mas, para o analista da Lopes Filho Leonel Pitta, o BC está tentando estimular o mercado.
Os bancos foram destaque da Bolsa. As ações ordinárias (ON, com direito a voto) do BB subiram 9,18%. As units (grupos de ações) do Unibanco ganharam 10,94%. Papéis preferenciais (PN) de Itaú e Bradesco avançaram 9,18% e 9,20%, respectivamente.
- Os balanços estão vindo muito bons, sem contar a expectativa de consolidação do setor - disse Felipe Casotti, da Máxima Asset.
O lucro líquido do BB subiu 36,8% no terceiro trimestre, para R$1,867 bilhão. De janeiro a setembro o ganho acumulado é de R$5,9 bilhões, alta de 52,5% frente a 2007. Já a Nossa Caixa lucrou R$69,8 milhões, contra prejuízo de R$68 milhões no mesmo período de 2007. Em nove meses, acumula ganho de R$596 milhões (+87,5%). O presidente do BB, Antonio Francisco de Lima Neto, disse que as negociações com a Nossa Caixa continuam e não quis falar em prazo. Já o presidente da Nossa Caixa, Milton Luiz de Melo Santos, disse que a aprovação da medida provisória 443, que autoriza os bancos oficiais a adquirirem outros, deve apressar o acordo com o BB.
Autor(es): Juliana Rangel, Patrícia Duarte e Ronaldo D`Ercole
Fonte: O Globo
14/11/2008
O Banco Central (BC) fez ontem várias atuações no mercado de câmbio, mas não conseguiu conter a alta do dólar. A moeda subiu pelo sétimo dia seguido e fechou a R$2,368 - a segunda maior cotação desde o início da crise -, com valorização de 3,41%.
No mercado futuro, a autoridade monetária fez um leilão de contratos de swap cambial, em que paga a variação da moeda e, em troca, recebe uma taxa de juros, num total de US$493 milhões. Depois, ofereceu linhas voltadas para exportações, num total de US$1,3 bilhão. À tarde, vendeu mais US$530 milhões no mercado à vista, sendo que uma das intervenções foi no período de ajustes do fechamento do mercado, após as 16h.
Para o economista da NGO Corretora, Sidnei Nehme, o mercado à vista está sendo afetado por especulações no mercado futuro, em que empresas e bancos firmam acordos de compra e venda a um preço prefixado.
Ele diz que a oferta de swaps não está resolvendo o problema das empresas e está causando mais especulação. Muitas delas venderam dólar no mercado futuro e precisam recomprar a moeda para cumprir seus contratos, mas estão achando as taxas do swap altas.
- Quem está ficando com os swaps são os especuladores, que seguram o preço da moeda. Lá na frente, quando as empresas endividadas tiverem comprar dólar para honrar seus contratos, eles terão lucro. E elas terão que ajoelhar no milho e comprar a qualquer preço - diz. (Juliana Rangel)
Gangorra nas bolsas
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) teve um dia de sobe-e-desce ontem. Durante boa parte dos negócios, o pregão ficou em alta, puxado sobretudo por ações de bancos. O setor foi beneficiado pela nova mexida nos recolhimentos compulsórios feita pelo Banco Central (BC), que deverá liberar para as instituições R$40 bilhões. Também influenciou o lucro maior de Banco do Brasil (BB) e Nossa Caixa. Mas o recuo dos preços do petróleo à tarde fez com que os papéis da Petrobras caíssem, levando a Bolsa à queda de 2,11%, na mínima do dia. Faltando uma hora e meia para o fim do pregão, no entanto, houve uma corrida a ações baratas, um movimento que começou nas bolsas americanas e foi replicado no Brasil, levando o Ibovespa, principal índice da Bolsa, a fechar em alta de 4,71%, aos 35.993 pontos.
- A alta da Bovespa foi técnica, porque os preços haviam caído muito. Foi incrivelmente estranho - disse o estrategista da Máxima Asset Management, André Segadilha.
A Petrobras oscilou com os preços do petróleo. Chegou a subir mais de 4%, recuou mais de 3%, para fechar em alta de 2,33%. Em Nova York, o barril do leve americano bateu US$54,67, a menor cotação desde janeiro de 2007. Mas investidores avaliaram que a queda de 10% dos últimos dois dias era injustificada e houve uma corrida pela commodity, que fechou em alta de 3,70%, a US$58,24. Já barril o do tipo Brent, negociado em Londres, foi prejudicado pelo fuso horário e recuou 0,7%, para US$51,99.
O índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, saltou 6,67%, na terceira maior alta em pontos de sua história (552). S&P e Nasdaq subiram 6,92% e 6,50%, respectivamente. Segundo analistas, houve um forte movimento de compra depois que o Dow ficou abaixo de 8 mil pontos, o que teria sido visto como um piso.
Pela mexida do BC nos compulsórios bancários, a partir de 1º de dezembro, uma parte dos depósitos à vista, a prazo e da poupança deverá ser recolhida ao BC em títulos públicos. Até então, o recolhimento era apenas em espécie. A medida também visa a regularizar a negociação de papéis do governo. Os bancos terão os compulsórios remunerados pelos títulos que forem depositados. Até então, eram corrigidos pela Taxa Selic, hoje a 13,75% ao ano.
A mudança foi autorizada em reunião extraordinária do Conselho Monetário Nacional (CMN). Segundo especialistas, isso vai compensar outra medida, que começa a vigorar hoje, pela qual os bancos devem enviar ao BC 70% do compulsório a prazo em dinheiro, sem direito a remuneração.
Lucro do BB sobe 36% no 3º trimestre
Apesar da expectativa do governo de elevar a liquidez no setor, para a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), as medidas do BC não aumentarão o volume de crédito. O economista-chefe da entidade, Rubens Sardemberg, não vê na medida injeção de liquidez. Mas, para o analista da Lopes Filho Leonel Pitta, o BC está tentando estimular o mercado.
Os bancos foram destaque da Bolsa. As ações ordinárias (ON, com direito a voto) do BB subiram 9,18%. As units (grupos de ações) do Unibanco ganharam 10,94%. Papéis preferenciais (PN) de Itaú e Bradesco avançaram 9,18% e 9,20%, respectivamente.
- Os balanços estão vindo muito bons, sem contar a expectativa de consolidação do setor - disse Felipe Casotti, da Máxima Asset.
O lucro líquido do BB subiu 36,8% no terceiro trimestre, para R$1,867 bilhão. De janeiro a setembro o ganho acumulado é de R$5,9 bilhões, alta de 52,5% frente a 2007. Já a Nossa Caixa lucrou R$69,8 milhões, contra prejuízo de R$68 milhões no mesmo período de 2007. Em nove meses, acumula ganho de R$596 milhões (+87,5%). O presidente do BB, Antonio Francisco de Lima Neto, disse que as negociações com a Nossa Caixa continuam e não quis falar em prazo. Já o presidente da Nossa Caixa, Milton Luiz de Melo Santos, disse que a aprovação da medida provisória 443, que autoriza os bancos oficiais a adquirirem outros, deve apressar o acordo com o BB.
Autor(es): Juliana Rangel, Patrícia Duarte e Ronaldo D`Ercole
Fonte: O Globo
14/11/2008