22/12/2008
Era 30 de setembro, o dia seguinte à rejeição do Congresso americano ao pacote de socorro aos bancos, e os mercados financeiros sofriam mais uma derrocada e o mundo vivia apenas, o que se pôde observar mais tarde, o início da crise. Foi no meio desse cenário que o governo realizou o 7º Leilão de Energia Nova, com entrega para 2013, e com uma demanda por parte das distribuidoras superior a 3 mil MW. E o resultado está sendo visto agora, com empresas em dificuldades em depositar garantias.
O problema mais grave está sendo vivido pela Cibe Participações, empresa do grupo Bertin e da Equipav, que controla os projetos MC2 e que tem ainda como sócio dois funcionários egressos da Petrobras. Na sexta-feira, a Agência Nacional de Energia Elétrica negou o pedido de prorrogação para a entrega de garantias que precisa ser feita no dia 26 de dezembro.
A energia das 15 termelétricas foram vendidas pela Cibe e representam mais de 2 mil MW ou 66% do total vendido no leilão. Só de garantias os projetos demandam R$ 308 milhões e mais de R$ 6 bilhões em investimentos. Isso sem contar os cerca de R$ 4 bilhões que precisariam ser investidos nas outras seis termelétricas vendidas no leilão anterior, chamado de A-3 e que prevê a entrega para 2011. `As empresas não tem capacidade de levantar esses recursos`, diz uma fonte próxima ao grupo Bertin.
Os R$ 10 bilhões representam mais do que os investimentos que deverão ser aportados para a construção da usina de Jirau, no Rio Madeira, e que tem entre seus sócios GDF Suez e Camargo Corrêa.
Relata uma outra fonte que o problema da MC2 para levantar recursos seria o plano traçado para a compra de óleo combustível. A empresa acertou um contrato com uma trading internacional e agora não estaria conseguindo fixar preço para os próximos 15 anos e com isso equacionar as contas para pleitear financiamentos. A Cibe diz entretanto que a trading em questão é uma das maiores do mundo, com 14% do mercado internacional, e que o contrato de fornecimento cobre todo o período de concessão. `Bertin e Equipav estão juntas buscando finalizar entendimentos com novos sócios, para adequar o risco financeiro do empreendimento à piora de mercado`, disse a Cibe em nota.
Há quem diga que a empresa sequer queria ter vendido tantas usinas, mas as condições do leilão acabaram influenciando o resultado. Logo no começo da disputa, a MPX Energia retirou Porto do Açú, de 700 MW, da disputa. Outras térmicas a óleo saíram porque o preço do combustível oferecido pela Petrobras era alto demais. Assim, o leilão foi já na segunda rodada para a fase discriminatória, em que as empresas não podem mais retirar projetos e precisam dar seus lances. Como não havia oferta suficiente para cobrir a demanda, todos os lances saíram vencedores.
Autor(es): Josette Goulart
Valor Econômico
- 22/12/2008.
O problema mais grave está sendo vivido pela Cibe Participações, empresa do grupo Bertin e da Equipav, que controla os projetos MC2 e que tem ainda como sócio dois funcionários egressos da Petrobras. Na sexta-feira, a Agência Nacional de Energia Elétrica negou o pedido de prorrogação para a entrega de garantias que precisa ser feita no dia 26 de dezembro.
A energia das 15 termelétricas foram vendidas pela Cibe e representam mais de 2 mil MW ou 66% do total vendido no leilão. Só de garantias os projetos demandam R$ 308 milhões e mais de R$ 6 bilhões em investimentos. Isso sem contar os cerca de R$ 4 bilhões que precisariam ser investidos nas outras seis termelétricas vendidas no leilão anterior, chamado de A-3 e que prevê a entrega para 2011. `As empresas não tem capacidade de levantar esses recursos`, diz uma fonte próxima ao grupo Bertin.
Os R$ 10 bilhões representam mais do que os investimentos que deverão ser aportados para a construção da usina de Jirau, no Rio Madeira, e que tem entre seus sócios GDF Suez e Camargo Corrêa.
Relata uma outra fonte que o problema da MC2 para levantar recursos seria o plano traçado para a compra de óleo combustível. A empresa acertou um contrato com uma trading internacional e agora não estaria conseguindo fixar preço para os próximos 15 anos e com isso equacionar as contas para pleitear financiamentos. A Cibe diz entretanto que a trading em questão é uma das maiores do mundo, com 14% do mercado internacional, e que o contrato de fornecimento cobre todo o período de concessão. `Bertin e Equipav estão juntas buscando finalizar entendimentos com novos sócios, para adequar o risco financeiro do empreendimento à piora de mercado`, disse a Cibe em nota.
Há quem diga que a empresa sequer queria ter vendido tantas usinas, mas as condições do leilão acabaram influenciando o resultado. Logo no começo da disputa, a MPX Energia retirou Porto do Açú, de 700 MW, da disputa. Outras térmicas a óleo saíram porque o preço do combustível oferecido pela Petrobras era alto demais. Assim, o leilão foi já na segunda rodada para a fase discriminatória, em que as empresas não podem mais retirar projetos e precisam dar seus lances. Como não havia oferta suficiente para cobrir a demanda, todos os lances saíram vencedores.
Autor(es): Josette Goulart
Valor Econômico
- 22/12/2008.