Para o BC, crescimento será de 3,2%

23/12/2008
Mesmo com inúmeras incertezas quanto à duração da crise econômica internacional, ao impacto da valorização do dólar nos preços e à magnitude do arrefecimento da atividade econômica, o Banco Central (BC) estima que o país tem condições de crescer 3,2% em 2009, mantendo a inflação próxima da meta de 4,5%. Por incrível que pareça, a previsão, divulgada ontem pelo BC no Relatório Trimestral de Inflação, é incoerente com os interesses do governo e com as estimativas de mercado.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, têm alardeado que vão trabalhar para atingir a `meta` de crescimento de 4% no próximo ano. Os analistas de mercado, no entanto, consideram os números do governo extremamente otimistas diante da severa crise internacional. Tanto é que no Boletim Focus, pesquisa semanal do BC com 100 economistas e consultores, a previsão é de expansão do PIB de apenas 2,4%.

Apesar das divergências, o diretor de Política Econômica do BC destacou que a previsão de 3,2% é a mais `provável` considerando uma inflação de 4,7% no fim do próximo ano. Para 2008, a estimativa é de crescimento de 5,6% e de inflação de 6,2%. `A atribuição da política monetária é perseguir uma meta (de inflação). É óbvio que a atividade econômica é levada em conta`, ressaltou. `Ter um número de 3,2% não significa que não é possível atingir 4% (meta do Ministério da Fazenda e defendida por Lula)`, afirmou, ponderando que o BC, muitas vezes, é conservador em suas projeções.

Ele aproveitou ainda para dizer que o Comitê de Política Monetária (Copom) não está sendo `extremamente conservador` ao manter a taxa básica de juros (Selic) em 13,75% ao ano, como dizem os críticos dos juros altos. `Não dá para dizer que a política monetária é excessivamente restritiva. `Se ela ficasse abaixo do centro 70% do tempo, aí a crítica faria sentido`, frisou o diretor do BC. Na avaliação de Mesquita, os riscos inflacionários continuam como a incerteza quanto à duração e magnitude da crise mundial, os riscos de repasse cambial e os relacionados à trajetória da atividade econômica doméstica.

Consumo

Para Mesquita, o consumo das famílias, mesmo que inferior ao de 2008 e 2007, será fundamental para atingir o crescimento de 3,2% no ano que vem. A previsão é de que esses gastos desacelerem de 6,2% para 3,9% de 2008 para 2009 devido à restrição do crédito e acomodação das taxas de emprego. Por impactar na inflação, o diretor evitou fazer recomendações para que os brasileiros gastem para evitar uma desaceleração mais brusca da economia, como vem pedindo o presidente Lula. `Quanto menor a demanda das famílias, menor tende a ser também a atividade econômica. Mas não vou fazer recomendação ou sugestão de gasto para as famílias`, afirmou.

No caso do consumo do governo, deverá diminuir o ritmo de evolução de 5,1% para 2,4% de 2008 para 2009 por conta da perspectiva de arrecadação menor. Diante das incertezas internacionais, os investimentos também devem recuar o ritmo de elevação. A autoridade monetária projeta aumento de 4,4% em 2009. Com isso, a contribuição para o crescimento econômico deverá diminuir de 2,8 percentuais em 2008 para 0,8 ponto percentual em 2009.

Autor(es): Edna Simão

Correio Braziliense

- 23/12/2008.