Com recursos do BNDES e BB, Azul diz não temer competição

11/02/2009
A Azul Linhas Aéreas já definiu os financiamentos para os aviões que serão entregues neste ano. A expectativa da empresa é receber entre 12 a 16 jatos Embraer 190 e 195 em 2009. O presidente da companhia, Pedro Janot, disse que os recursos para a compra dos aviões estão garantidos junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e ao Banco do Brasil.

Segundo ele, até o final deste mês será anunciado o valor a ser financiado e os prazos de quitação do empréstimo. `Na verdade essa linha para compra de aeronaves já existia no BNDES e a novidade é que teremos ainda recursos do Banco do Brasil para esta operação. Os dois bancos serão parceiros neste financiamento`, disse Janot.

No final do ano, a Embraer, fabricante dos jatos, havia cogitado a possibilidade de financiamento de até dois aviões caso a Azul necessitasse. Frederico Curado, presidente da Embraer, ressaltava no entanto que a modalidade só seria usada em casos pontuais.

Janot ressaltou, no entanto, que este empréstimo será feito à Azul, sem a participação da Embraer na operação. Hoje, a Azul opera com cinco aviões e na próxima semana terá mais dois jatos Embraer 190. `Esses aviões já estão na fábrica esperando os últimos ajustes para serem entregues à Azul`, disse Janot.

Quanto à concorrência tarifária que a companhia experimentou nas últimas semanas, Janot afirmou que a Azul tem fôlego para enfrentar as duas maiores empresas do País, TAM e Gol. Nas últimas semanas, as duas companhias passaram a cobrar tarifas de até US$ 15 em algumas rotas operadas pela estreante Azul. `Temos também fôlego para praticar preços competitivos`, disse o executivo.

`Tem espaço para todos`.

O fundador e CEO da Azul, David Neeleman, afirmou que a competição irá fomentar o mercado. `Eu sei como as coisas acontecem, faço isso há muitos anos. Quando se tem voos se tem viajantes, então é bom para o mercado`, disse.

A estratégia da empresa, segundo Neeleman, é manter a qualidade na operação. `Não baixamos as tarifas porque não precisamos. Temos quatro voos nessas rotas e as concorrentes ainda não chegaram a este patamar. Ou seja, temos como competir- nossa equação de valor, nos custos é melhor que a concorrência`, disse Neeleman.

Segundo ele, o mercado brasileiro tem condições de crescer até três vezes em relação ao volume atual. `Hoje, estão em operação cerca de 200 aviões no Brasil, há espaço para muito mais. Não queremos tirar passageiros de ninguém, queremos estimular o mercado, que mais pessoas passem a voar. Há espaço para todo mundo`, disse Neeleman.

Santos Dumont

Janot explicou que esta semana deverá ter uma definição sobre a abertura do Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, para rotas da Azul. A idéia é fazer do terminal um dos ‘hubs` da companhia. `Devemos operar 22 voos a partir do Santos Dumont`.

Autor(es): Ana Paula Machado

Gazeta Mercantil - 11/02/2009.