COPA NO BRASIL VAI MOVIMENTAR R$ 155,7 BI

01/06/2009
A Copa do Mundo vai injetar na economia brasileira pelo menos R$ 155,7 bilhões e gerar 18 milhões de empregos até a partida final, em 2014. Os dados fazem parte de um estudo feito pela Fundação Getúlio Vargas, sobre os impactos socioeconômicos do maior evento esportivo no Brasil. Ontem, nas Bahamas, a Fifa anunciou as 12 cidades-sede, as mesmas que Ancelmo Gois antecipara em seu blog, e houve festa em todas elas. Após a divulgação, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, criticou o projeto do estádio Morumbi, que precisará ser reformulado, como conta o enviado especial JORGE LUIZ RODRIGUES.

Pelo menos R$155,7 bilhões serão injetados na economia brasileira entre hoje e o dia em que o último turista estrangeiro deixar o país, depois da decisão da Copa do Mundo de 2014. E isso se deve especificamente a essa competição. Desse pacote, R$64,1 bilhões irão diretamente para os bolsos da população ao longo dos próximos cinco anos, uma vez que as obras de infraestrutura, estádios, e a melhoria de serviços essenciais para a realização do Mundial, vão gerar nada menos do que 3,6 milhões de empregos por ano.

Um estudo detalhado sobre os impactos socioeconômicos da Copa, e do qual O GLOBO obteve uma cópia, já foi entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O trabalho, encomendado à Fundação Getúlio Vargas (FGV) pelo Comitê Organizador Local (COL), mostra claramente que as exigências feitas pela Fifa como condição para que o Brasil sediasse a Copa acabarão forçando a antecipação de várias obras e providências que só seriam executadas mais tarde, além da realização de algumas que sequer tinham sido programadas.

- A Copa obriga, por exemplo, que um projeto que estava previsto para ser feito nos próximos dez anos, seja realizado nos próximos cinco. Em termos de infraestrutura haverá a antecipação de coisas que já eram necessárias há tempos - disse o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, que também lidera o comitê organizador, no qual o governo não tem nenhum representante.

Rigor da Fifa ajudará a acelerar as obras

Para o seu diretor financeiro, o economista Carlos Langoni, ex-presidente do Banco Central, além de propiciar uma modernização dos estádios, dos aeroportos, dos sistemas viários e da rede hoteleira do país, mais a reurbanização das 12 cidades-sede, a Copa também servirá para promover uma significativa alteração na cultura nacional:

- O grande legado de uma Copa do Mundo é que ela estabelece, e obriga, tanto o setor público quanto o privado, a cumprir cronogramas. Ou seja, a respeitar datas de execução; coisa que não existe no Brasil. Não temos esse hábito. Esperamos que haja realmente uma mudança de comportamento, porque o que a gente mais nota no Brasil, e o próprio presidente Lula se queixa disso, é como é difícil o setor público cumprir um cronograma - disse Langoni.

A Fifa estabeleceu um programa rígido de implementação dos compromissos assumidos pelo país. E ela, que já iniciara a monitoração dos preparativos prévios à escolha das cidades-sede, exercerá a partir de agora um controle mais apurado:

- O Brasil tem uma rica história de organização de eventos internacionais, mas os padrões e exigências da Copa do Mundo vão ultrapassar as de qualquer evento já realizado na história do país em termos de magnitude e complexidade - afirmou Hugo Salcedo, líder da equipe de inspeção da Fifa.

Planejamento classe A e investimento de alto nível

O comitê local está ciente disso. E promete ser tão realista quanto o rei.

- Quando se definirem as obras prioritárias de infraestrutura, elas vão ter que acontecer mesmo! E terão de ficar prontas pelo menos três, quatro, cinco, seis meses antes do evento. Esse é o limite - disse Langoni.

Ele criou um planejamento duplo, tido pela própria Fifa como um trabalho pioneiro, pois inovou em vários aspectos. E agora promete implantá-los de forma rigorosa. Trata-se de um cronograma temporal de tudo o que terá de ser feito até a Copa, abrangendo dois fatores cruciais. De um lado está o orçamento financeiro e, de outro, a gestão operacional.

- As duas peças se interligam de um modo em que saibamos exatamente o que estará acontecendo, e também quando haverá necessidade de gastos, em função de cada etapa do processo - afirmou Langoni.



A expectativa é a de atrair grupos privados de alto nível tanto tecnológico quanto financeiro, que atendam os altos padrões de exigência da Fifa. O fato de já estarem sendo formados consórcios entre empresas nacionais e estrangeiras, visando às obras necessárias para a Copa, anima o comitê.

- Vamos ter melhorias muito grandes no Brasil, graças à Copa. Por isso, estamos encarando as operações não como gastos, mas como investimentos - disse Teixeira.

Otimista, Langoni garantiu:

- Vamos fazer uma Copa melhor que a da Alemanha, sem complexo de inferioridade.

Autor(es): José Meirelles Passos

O Globo - 01/06/2009.