PAC do Sul é destaque no Dia do Cacau

05/06/2007
A elaboração do Plano Executivo de Aceleração do Desenvolvimento e Diversificação do Agronegócio da Região Cacaueira do Estado da Bahia foi destacada durante a comemoração do Dia Internacional do Cacau, realizada domingo, em Gandu. O PAC do Sul da Bahia será lançado este mês pelo governador Jaques Wagner e pelo ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, e inclui ações como a retomada da produção de cacau, projetos de diversificação, apoio à agroindústria, obras de infra-estrutura e renegociação das dívidas dos produtores.

`O Sul da Bahia tem que deixar de ser apenas gerador de matéria-prima e agregar valor a produtos como cacau, banana, dendê, pupunha e outras culturas, ampliando a renda e gerando novos empregos`, afirmou o secretário de Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária, Geraldo Simões.

O secretário destacou que a Ceplac, com a tecnologia e a assistência técnica que desenvolveu, tem um papel fundamental no processo de diversificação, que é uma das principais propostas do PAC, lembrando ainda que o Sul da Bahia tem um imenso potencial para a produção de biocombustíveis e o turismo.

Com relação às dívidas dos produtores, hoje estimadas em R$ 800 milhões, Simões defendeu uma renegociação que permita a redução dos juros em condições compatíveis com a realidade da lavoura e garanta a liberação de novos créditos. `Temos que melhorar a produtividade do cacau, saindo das atuais 120 mil toneladas/ano para 240 mil/toneladas/ano em um prazo de 5 anos`, ressaltou.

De acordo com Geraldo Simões, o governador Jaques Wagner definiu o sul da Bahia como área prioritária no processo de criação de novos pólos de desenvolvimento no interior do estado e o PAC terá ações que irão atingir o desenvolvimento sustentável, em que a atividade econômica contribua para preservar o meio ambiente, já que a região cacaueira possui metade da área de Mata Atlântica original do Brasil. `Além de preservar a natureza, o cacau responde por 14% da mão-de-obra no setor rural`, destacou.

O diretor-geral da Ceplac, Gustavo Moura, lembrou que o agronegócio responde por 33% do PIB brasileiro e por 40% dos empregos com carteira assinada no país. Ao defender a industrialização do cacau, Moura citou que o agronegócio cacau movimenta R$ 600 milhões/ano, mas quando transformado em chocolate esse valor sobe para R$ 7,5 bilhões. `Não podemos mais ser apenas a base da cadeia produtiva, mas nos organizar no sentido de que, além de produtores, nos tornemos empresários do cacau`, ressaltou.

O produtor rural Edvaldo Sampaio, de Nilo Peçanha, é um exemplo dessa mudança de mentalidade. A partir da clonagem de cacaueiros resistentes à vassoura-de-bruxa e da adoção de novas práticas de manejo, Sampaio praticamente dobrou a produção de cacau nos últimos dois anos e está investindo na industrialização. `O cacau é viável e continuará sendo nossa principal cultura. Com o apoio dos organismos oficiais, o produtor tem todas as condições de superar a crise`, afirmou.

A Fazenda Nova Esperança, de Edvaldo Sampaio, recebe freqüentemente a visita de pesquisadores, técnicos e produtores. `Faço questão de transmitir as novas técnicas, porque temos que abrir mão da individualidade e pensar de maneira coletiva, unindo forças pela recuperação da lavoura`, disse o produtor.

Destaques - Durante a solenidade do Dia Internacional do Cacau, a Ceplac premiou os destaques do ano em várias categorias. Lucival Rodrigues Nascimento, de Ilhéus, recebeu o prêmio de Produtor Familiar; a Associação de Moradores de Duas Barras do Fojo, em Mutuípe, foi o destaque entre as Associações de Agricultores Familiares; Alinaldo Ursulino dos Santos, o destaque em Agroecologia; e Gideon Farias, de Ilhéus, o destaque em Comercialização Direta. O prêmio de Cacauicultor do Ano foi entregue a Irundy Vitória da Silva Luz, das fazendas São Jorge/Bonfim.

Ao receber o prêmio, Irundy fez um pronunciamento emocionado, dizendo que em vez de lamentações, os produtores deveriam buscar alternativas para a região, sem depender apenas das autoridades. `O cacau é mais do que uma cultura, é uma paixão que nos leva a acreditar que é possível superar a crise e atingir a sustentabilidade`, afirmou.

Fonte: Diário Oficial

05/06/07