Estado vai ampliar programa de apoio ao produtor de leite

23/07/2007
O Governo do Estado vai ampliar para mil o número de produtores atendidos pelos Programas Pater Leite e Pró Leite, desenvolvidos pela Agência Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA). Os projetos serão fundidos e atenderão a todas as regiões do estado.

O crescimento garantirá ao estado a sua auto-suficiência na produção de leite no Brasil. A Bahia produz 85% do que consome. Os baianos consomem uma média de 1,18 bilhão por ano e produzem 1 bilhão de litros.

Atualmente, 250 produtores são atendidos pelos projetos de leite. Destes, 100 recebem assistência técnica intensiva. O objetivo é dar atendimento uniforme e de maior qualidade a todos os produtores. No programa que ainda não recebeu uma denominação serão agregados mais 750 pequenos agricultores do Pronaf.

Para participar do Proleite, a propriedade pode ter, no máximo, quatro módulos rurais que têm dimensão diferente para cada região. É necessário que o produtor viva na propriedade e é preciso que haja facilidade de acesso.

Com a ampliação do programa, a expectativa é haja um aumento do quadro técnico da EBDA, na opinião do engenheiro agrônomo Candido Nunes de Vasconcelos. Ele representou o presidente da EBDA, Emerson Leal, no seminário Leite a Pasto, realizado em Ibicaraí na quinta-feira (19). Lenildo Santana, do Instituto Biofábrica, representou o secretário estadual de Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária, Geraldo Simões, e disse que os programas estão sendo ampliados após estudos do governo estadual.

O seminário teve como objetivo orientar os produtores regionais sobre o melhor aproveitamento das pastagens. Para o gerente-regional da Adab, Franklin Passos, a microrregião de Ibicaraí possui grande potencial para a pecuária leiteira, pois tem no seu entorno três usinas de leite e derivados e fica entre importantes mercados consumidores, a exemplo de Vitória da Conquista, Itabuna e Ilhéus.

As aplicações das técnicas de manejo de pastagem contribuem para reduzir o custo e melhorar a lucratividade. `Com o manejo, o produtor garante a viabilidade da pecuária leiteira`, afirmou Cândido Mendes, engenheiro agrônomo com especialização pela Universidade Federal de Viçosa e que há 38 anos trabalha com pecuária leiteira. Mendes assegurou aos cerca de 200 produtores de várias cidades presentes ao seminário que a técnica garante um aumento de produção em torno de 87% em relação às práticas tradicionais.

As diferenças de produtividade são claras: Joaraci Alves de Souza, que tem propriedades nos municípios de Buerarema e Uruçuca e usa o manejo de pastagem, tem 22 vacas em lactação, produzindo 200 litros de leite. Antes da aplicação das técnicas de manejo, a média de produção por vaca ordenhada não passava de cinco litros. `Consigo manter estável a produção até em período de inverno`, garante.

O leite produzido por Joaraci é vendido para a indústria de laticínios Boa Hora. Já Clóvis Guilherme dos Santos não usa a técnica, tem quatro vacas em lactação e obtém, no máximo, cinco litros por vaca. Ele diz que o seminário abriu uma janela de conhecimento e pensa em aplicar a técnica em sua pequena propriedade.

O Seminário em Ibicaraí promovido pela EBDA teve o apoio da CAR, do Banco do Brasil, Banco do Nordeste, empresas de laticínios e apoio das secretarias de agricultura de municípios da microrregião do Território Litoral Sul. Para a prefeita de Ibicaraí, Monalisa Tavares, que abriu o evento, `o estado demonstra sensibilidade ao produtor ao introduzir a novas tecnologias`.

Fonte: Agecom