Bahia prepara estratégias de combate à desertificação

30/07/2007
A Bahia tem 62% do seu território, cerca de 300 mil km², no semi-árido. De acordo com estudos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a previsão é a de que, até 2050, o semi-árido baiano pode se expandir em até 20%. O que significa que mais de 80% do território baiano pode virar semideserto. Outros dados do Inpe mostram que até 2050 a desertificação e a salinização afetarão 50% das terras agrícolas da América Latina e do Caribe.

Para combater o processo de desertificação observado em algumas áreas do semi-árido baiano, a exemplo das regiões de Euclides da Cunha e Uauá, a Superintendência de Recursos Hídricos (SRH), da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Semarh), promoveu, quinta-feira (27), um workshop com o coordenador do Programa Nacional de Ações de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (PAN Brasil), do Ministério do Meio Ambiente (MMA), José Roberto Lima. Ele apresentou as diretrizes do programa nacional que irá impulsionar a discussão e elaboração do Plano Estadual de Combate à Desertificação.

Foi para garantir o desenvolvimento sustentável, segundo Lima, que o PAN Brasil foi instituído. O objetivo é estabelecer diretrizes, instrumentos legais e institucionais para otimizar a formatação e execução de políticas públicas e investimentos nas Áreas Suscetíveis à Desertificação (ASD).

`O combate à pobreza e às desigualdades são os elementos norteadores dessa mudança, aliados à recuperação, preservação e conservação dos recursos naturais. Precisamos criar uma agenda positiva, através do estímulo e da promoção de mudanças no modelo de desenvolvimento em curso nessas áreas, porque a situação é grave e o prognóstico é preocupante`, acrescentou.

O Programa

O PAN Brasil deve abranger 1.482 municípios no país, com uma população estimada em quase 32 milhões de habitantes em 15,7% do território nacional. O coordenador do Instituto Americano para a Cooperação na Agricultura (IICA), Gertjan Beekman, disse que uma experiência positiva onde o PAN Brasil está sendo executado vem de Gilbues, sul do Piauí, considerada a área mais crítica de desertificação no Brasil.

Em Gilbues, há um Núcleo de Desertificação com ações que envolvem, por exemplo, a capacitação das comunidades para a valorização da economia local. `Um exemplo é a tecnologia para o curtume a seco de couro de caprinos. Por meio dessa tecnologia, agrega-se valor às práticas que estão em curso. O objetivo é que essa atividade resulte em um sistema de produção e na sustentabilidade econômica da comunidade e melhoria da qualidade de vida`, explicou.

Gertjan Beekman disse que o que vai definir quais as ações que serão desenvolvidas na Bahia é o Plano Estadual de Combate à Desertificação. Ana paula Dias, coordenadora de Desenvolvimento Sustentável da SRH, destacou que o Plano Estadual será construído com transversalidade, a partir da discussão dos órgãos com a sociedade civil`. Por isso está agendado para os dias 19, 20 e 21 de agosto, em Salvador, o Seminário de Combate à Desertificação.

O diretor-geral da SRH, Julio Rocha, salientou que o combate à desertificação é uma preocupação de todos os organismos nacionais e internacionais. Ele lembra que um dos principais impactos desse processo é a migração em massa das populações. `No mundo, 32 milhões de pessoas estão vulneráveis à desertificação e no Brasil, 15,4 milhões podem ser diretamente afetadas`, disse Rocha. Ele acrescentou que a Bahia é uma das regiões mais delicadas pelo fato de 62% do território estar no semi-árido.

Durante o workshop, o pesquisador da Embrapa Semi-Árido, Iêdo Sá, apresentou o resultado de uma pesquisa feita com imagens via satélite sobre o semi-árido nordestino. Trata-se de uma área com 1 milhão de km², mais de 1.100 municípios e uma população de 24,6 milhões de habitantes, com solos predominantemente rasos e com baixa fertilidade.

Segundo Iêdo Sá, o estudo busca retratar a situação ambiental do Bioma Caatinga, tomando como base o ano de 2002 e trabalhos de campo atualizados em 2005/6. Um dos resultados apresentados é o de que as áreas com grau severo de desertificação correspondem às ocupadas com agropecuária. Segundo Iêdo Sá, dos 561 mil km² na Bahia, 294,37 mil km² estão na superfície antrópica (já alterada pelo homem). Só em 48% do território do Estado ainda há vegetação natural remanescente.

Fonte: Agecom