Independência do oeste causa divisão

21/08/2007
A idéia de separar a região do Oeste baiano do restante da Bahia elevando esse território à condição de Estado - já pré-batizado como Estado do São Francisco - não é unanimidade entre deputados da Assembléia Legislativa, embora uma das ardorosas defensoras do projeto seja da Casa, a deputada Antônia Pedrosa (PRP).

Falta de infra-estrutura necessária na região, luta pela `unidade baiana` e a observação de que a mudança poderia acabar atendendo somente aos grandes da agroindústria são argumentos de alguns deputados que se colocam contra de forma enfática.

É o caso do deputado Beto Gaban (DEM). Para ele, a idéia separatista seria um retrocesso. `Sou radicalmente contra. A Bahia não se divide. São vários motivos: vivemos num Estado nordestino, carente por natureza, precisamos é tentar conseguir recursos para todos.

E os eleitores votaram pela Bahia e não por um outro Estado. É preciso levar em conta isso`. Para Gaban, o Estado dividido `ficará mais pobre`.

REFORMA - O deputado Gildásio Penedo (DEM), líder da minoria, não é tão `radical`. Para Penedo, `a reivindicação da região é justa`, mas deixa claro que, no caso desse projeto, pelo menos até agora, o DEM não definiu uma posição política única. O democrata diz que o que o Estado está precisando mesmo é de uma `reforma tributária justa`. Isto interfere, diz ele, porque é necessário redefinir o pacto federativo, já que existe uma concentração diferenciada de recursos para Estados e municípios.

O governador Jaques Wagner já teria declarado ser contrário à idéia, mas na Assembléia Legislativa deputados da situação têm opiniões próprias. O líder da maioria, Waldenor Pereira (PT), por exemplo, disse que, até agora, não se posiciona favoravelmente ao projeto porque, pelas regras que determinam a emancipação e a elevação de um território à qualidade de Estado, a região Oeste não teria infra-estrutura necessária: aeroportos, estradas, número de habitantes.

`A região Oeste tem autonomia do ponto de vista econômico e financeiro, mas creio que não esteja totalmente preparada`. O petista, porém, opina que, por princípio, é favorável à divisão territorial em razão de experiências anteriores que deram certo. A região na qual sempre atuou - Conquista, Ilhéus, Itabuna - em fins dos anos 80, quando da Constituinte, pleiteou algo semelhante.Mas Pereira bate na questão da infra-estrutura em relação à região Oeste.

O líder do PCdoB, deputado Álvaro Gomes, acredita que os problemas sociais que existem na Bahia não se resolveriam com a divisão do Estado. `O Oeste é muito rico, mas a Bahia tem de ser desenvolvida em cada região. Além de gerar gastos públicos, vai piorar a situação da Bahia e talvez nem seja tão bom para o outro Estado novo`, diz Gomes. A deputada Maria Luiza Carneiro (sem partido), disse que sente `como se estivesse perdendo parte do nosso Estado`, e lembra que a discussão, talvez, esteja passando ao largo da população da região que se pretende independente.

`Se houver algum estudo que diga que haverá melhora na qualidade de vida das populações da região, acho que é o primeiro passo para se discutir. Mas quem tem que decidir isso mesmo, considerando os ônus e bônus, são as pessoas que vivem lá. Os políticos tem de representar a vontade do povo`, afirma a parlamentar.

Fonte: REGINA BOCHICCHIO

reginab@grupoatarde.com.br

Em 21/08/2007.