Bovespa no topo do mundo

28/02/2008
A Bolsa de Valores de São Paulo subiu, este ano, em dólar, 9,08%, o maior percentual entre os mercados do mundo. A alta de preços das commodities e a expectativa de que o país possa obter, em breve, o grau de investimento foram decisivos no desempenho. Outro levantamento, do Morgan Stanley, mostra que a bolsa brasileira está bem à frente das de todos os outros emergentes. O dólar ontem fechou a R$ 1,672, com queda de 0,71%.

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) está cada vez mais descolada dos mercados de ações do mundo. No ano, enquanto o principal indicador da bolsa brasileira, o Ibovespa, sobe 2,52%, o principal do mercado americano, o Dow Jones, cai 4,30% e o índice das empresas de tecnologia Nasdaq perde 11,25%, segundo dados da Bloomberg. Convertido para dólares, o Ibovespa tem uma vantagem ainda maior: sobe 9,08% no período, com a queda mundial e ininterrupta do dólar, a maior valorização entre todas as bolsas mundiais.

A diferença só tem feito aumentar desde o início do mês, tendo-se intensificado na semana passada, com a notícia de que o Brasil passou a credor externo. A conseqüência foi a expectativa de investidores pela chegada do chamado grau de investimento - a nota das agências de classificação de risco que permitirá ao país receber mais recursos estrangeiros. A bolsa brasileira tem chegado a ignorar as quedas nos mercados americanos em alguns dias.

- O mercado brasileiro tem toda a expectativa agora pelo grau de investimento, que mitiga as notícias ruins. O grande pulo-do-gato foi o Brasil se tornar credor - diz Patricia Branco, sócia da gestora de fundos Global Equity.

Ontem, o Ibovespa teve o sexto dia seguido de alta e subiu 0,48%, para 65.494 pontos. Durante o pregão, chegou a ultrapassar o recorde histórico (65.790 pontos), ao bater 65.968 pontos. O Nasdaq subiu 0,37% e o Dow Jones, 0,07%.

Um motivo para a resistência é a exposição da economia brasileira às commodities, produtos primários negociados no mercado internacional, avalia Fausto Vieira, economista da Rio Bravo, gestora do ex-presidente do Banco Central (BC) Gustavo Franco. Esses produtos estão em suas máximas históricas ou perto delas. É o caso de trigo, soja e milho, devido à demanda mundial por alimentos e etanol. Outras commodities clássicas em alta são petróleo, minério de ferro e aço, apesar do desaquecimento dos EUA.

- Da pauta de exportações brasileira, 56% são commodities. Além disso, há uma demanda forte interna aquecida - diz Vieira.

E não é só a pauta de exportações que é impulsionada. O Ibovespa é composto quase em sua metade (40,71%) por ações de empresas que ganham com as altas das commodities, sendo 15,16% em mineração (Vale), 9,32% em siderurgia e 16,23% em petróleo e gás (16% da Petrobras). O resto do índice está ligado ao mercado interno, que tende a não ter grandes perdas em caso de recessão nos EUA.

Bovespa tem maior peso entre emergentes. Dólar tem 8ª queda seguida, para R$1,672.

O recente bom desempenho do mercado brasileiro fez o peso do país no índice Morgan Stanley Capital International (MSCI) Emerging Markets - que acompanha a variação das bolsas nos mercados emergentes - subir para 14,95%, ultrapassando China e Coréia do Sul pela primeira vez, afirmou o Citibank em relatório. O Brasil passou ainda a ser o décimo maior mercado, com peso de 1,71% no índice MSCI de ações mundiais. Segundo o relatório, a Petrobras é a maior empresa dos emergentes em valor de mercado, seguida por Gazprom e Vale.

O dólar comercial, em sua oitava queda seguida, de 0,71%, fechou a R$1,672, tendo sido negociado a R$1,667. O BC comprou cerca de US$260 milhões, contra a média de US$100 milhões diários até a semana passada. Segundo o gerente de câmbio da corretora Liquidez, Francisco Carvalho, a moeda já vale menos do que antes da maxidesvalorização de 1999, se considerada a inflação no período. Pelo IPCA, acumulado em 88,33% desde 1999, a cotação de ontem equivaleria a R$0,88 nove anos atrás.

Repórter: Felipe Frisch

Fonte: O Globo

Em 28/2/2008.