25/03/2008
Apesar das incertezas no mercado mundial, as empresas estrangeiras seguirão investindo em produção no Brasil, avalia o Banco Central (BC) em seu relatório trimestral. A projeção de ingresso de investimentos estrangeiros diretos foi elevada de US$ 28 bilhões para US$ 32 bilhões este ano. Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, esses investimentos são de longo prazo e, por isso, menos afetados pelas oscilações do mercado.
`É uma economia com bons fundamentos e com crescimento sustentado pelo aumento da demanda interna`, comentou Altamir, listando os fatores que tornam o Brasil atraente para as empresas estrangeiras. A ampliação do mercado interno brasileiro funciona como uma espécie de amortecedor dos efeitos da crise internacional.
Porém, é justamente o crescimento exagerado da demanda interna, animada pelo crédito por prazos longos, que despertou a atenção do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Primeiro, divulgou-se que estavam em estudo medidas para conter o crédito. Ontem, o ministro disse que quer uma avaliação dos bancos sobre a segurança no crescimento do volume de empréstimos. Altamir Lopes não quis comentar o efeito das medidas que o governo pode vir a adotar sobre o ingresso de investimentos. `Desconheço esses estudos`, desconversou.
Segundo dados do Banco Central, a metalurgia foi o setor industrial que mais recebeu investimentos no primeiro bimestre deste ano, tendo sido o destino de 13,9% do dinheiro ingressado no período. O grosso dos recursos, porém, foi para o setor de serviços, que recebeu 57,2% do total, sendo 19,4% na área de serviços financeiros.
REMESSAS
O ingresso de investimentos volumosos tem como contrapartida uma saída mais forte de recursos para pagamento de lucros e dividendos no exterior, cuja projeção para este ano subiu de US$ 20 bilhões para US$ 24 bilhões. Nos 12 meses encerrados em fevereiro, as remessas somaram US$ 24,561 bilhões, o volume mais elevado da série histórica do BC para um período de 12 meses. Além da lucratividade elevada no Brasil e do dólar barato, as remessas têm aumentado também para cobrir prejuízos que as empresas tiveram no exterior.
O setor que mais mandou dinheiro para fora a título de lucros e dividendos foi o automobilístico, segundo dados do Banco Central. As montadoras responderam por 28,9% do dinheiro enviado ao exterior. O setor, que tem batido recordes de produção e venda no Brasil, amarga perdas no exterior. Em segundo lugar vêm os bancos, com 28,6%. Também nesse caso, o dinheiro deve ter servido para cobrir perdas nas operações em outros países.
NÚMEROS
US$ 32 bilhões é a nova projeção do BC para o ingresso de investimentos estrangeiros diretos este ano
US$ 24 bilhões é a nova previsão do BC para a saída de recursos para pagamento de lucros e dividendos no exterior este ano.
Repórter: Lu Aiko Otta
Fonte: O Estado de S. Paulo
25/3/2008.
`É uma economia com bons fundamentos e com crescimento sustentado pelo aumento da demanda interna`, comentou Altamir, listando os fatores que tornam o Brasil atraente para as empresas estrangeiras. A ampliação do mercado interno brasileiro funciona como uma espécie de amortecedor dos efeitos da crise internacional.
Porém, é justamente o crescimento exagerado da demanda interna, animada pelo crédito por prazos longos, que despertou a atenção do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Primeiro, divulgou-se que estavam em estudo medidas para conter o crédito. Ontem, o ministro disse que quer uma avaliação dos bancos sobre a segurança no crescimento do volume de empréstimos. Altamir Lopes não quis comentar o efeito das medidas que o governo pode vir a adotar sobre o ingresso de investimentos. `Desconheço esses estudos`, desconversou.
Segundo dados do Banco Central, a metalurgia foi o setor industrial que mais recebeu investimentos no primeiro bimestre deste ano, tendo sido o destino de 13,9% do dinheiro ingressado no período. O grosso dos recursos, porém, foi para o setor de serviços, que recebeu 57,2% do total, sendo 19,4% na área de serviços financeiros.
REMESSAS
O ingresso de investimentos volumosos tem como contrapartida uma saída mais forte de recursos para pagamento de lucros e dividendos no exterior, cuja projeção para este ano subiu de US$ 20 bilhões para US$ 24 bilhões. Nos 12 meses encerrados em fevereiro, as remessas somaram US$ 24,561 bilhões, o volume mais elevado da série histórica do BC para um período de 12 meses. Além da lucratividade elevada no Brasil e do dólar barato, as remessas têm aumentado também para cobrir prejuízos que as empresas tiveram no exterior.
O setor que mais mandou dinheiro para fora a título de lucros e dividendos foi o automobilístico, segundo dados do Banco Central. As montadoras responderam por 28,9% do dinheiro enviado ao exterior. O setor, que tem batido recordes de produção e venda no Brasil, amarga perdas no exterior. Em segundo lugar vêm os bancos, com 28,6%. Também nesse caso, o dinheiro deve ter servido para cobrir perdas nas operações em outros países.
NÚMEROS
US$ 32 bilhões é a nova projeção do BC para o ingresso de investimentos estrangeiros diretos este ano
US$ 24 bilhões é a nova previsão do BC para a saída de recursos para pagamento de lucros e dividendos no exterior este ano.
Repórter: Lu Aiko Otta
Fonte: O Estado de S. Paulo
25/3/2008.