27/03/2008
Dez meses após o Grupo Accor retirar as bandeiras Sofitel Suítes e Sofitel Convention da Costa do Sauípe, no litoral norte, ontem foi a vez das cadeias internacionais Marriott e Renaissance - ambas da rede americana Marriott - abandonarem o complexo hoteleiro. A partir do dia 1º de junho, a administração dos dois hotéis passará para a Sauípe Hotéis e Resorts (SHR), empresa criada pela Sauípe S/A para gerenciar os hotéis do centro hoteleiro.
De acordo com o presidente do complexo, Alexandre Zubaran, a decisão foi de comum acordo e que não haverá demissões de funcionários.
Porém, pela posição adotada pela rede americana, a decisão não parece ter sido tão amigável quanto afirma o presidente da Sauípe S/A. A Marriott Internacional não quis comentar o assunto e se limitou a enviar um sucinto comunicado à imprensa em que diz que decidiu encerrar a operação do Costa do Sauípe Marriott Resort e do Renaissance Costa do Sauípe Resort a partir do dia 1º de junho de 2008.
Ainda segundo o comunicado, `a empresa está alertando futuros hóspedes sobre a decisão para que possam se organizar de acordo com a atual situação`, conclui a nota.
Alexandre Zubaran deixou no ar que havia pendências de ordem financeira por parte da rede.
`Havia débitos, mas asseguro que as partes se acertaram nessa questão. Não quero ser deselegante com eles (a rede americana), até porque tudo ficou resolvido`, afirmou, sem revelar se houve pagamento de multa e qual teria sido o valor da rescisão do contrato que tinha a duração de 20 anos. `Temos cláusulas contratuais que nos impedem de falar sobre isso`, disse.
CRISE - A movimentação no complexo que resultou na saída das bandeiras internacionais começou há cerca de dois anos.
Desde então, o mercado começou a especular que a situação do complexo era crítica e que a revoada das redes estrangeiras seria geral, o que acabou se concretizando ontem. A partir de agora, apenas as bandeiras Super Clubs Breezes e Pestana - que administra as pousadas - permanecem no complexo de hotéis.
Representantes do trade turístico local, que preferem não se identificar, afirmam que há uma crise crônica no complexo, mas Alexandre Zubaran é categórico em afirmar que não existe nada de errado com o destino Sauípe.
`A saída das cadeias internacionais é resultado de um processo de reestruturação que estamos fazendo na empresa`, disse.
Porém, segundo o próprio Zubaran, o modelo idealizado no início do projeto em 2001 não vingou, o que motivou o principal acionista do complexo - o fundo de pensão Previ, do Banco do Brasil - a exigir mudanças na estrutura daquele que foi um dos mais ambiciosos projetos hoteleiros do País. `Fizemos um diagnóstico e, a partir daí, fomos buscar alternativas para termos ganho de escala, coisa que não conseguíamos com o modelo anterior`, explicou o presidente da Costa do Sauípe.
Embora afirme que a proposta da Sauípe S/A nunca foi afastar os parceiros, o presidente da empresa revelou que a negociação com a rede americana vinha se arrastando há mais de ano, sem que houvesse qualquer avanço.
`Queríamos uma saída que agradasse tanto a operadora quanto a Sauípe S/A e agora conseguimos entrar num consenso e encerramos a parceria que durou sete anos. Fizemos isso em busca de maior rentabilidade e retorno para nossos acionistas`, relatou Zubaran.
Conforme Zubaran, o problema do complexo não era de ordem comercial. `Precisávamos melhorar a rentabilidade e agregar valor às operações`, disse o executivo.
Baixa rentabilidade motivou retomada do controle
A decisão de criar uma empresa para administrar os hotéis do complexo teve como objetivo, segundo Zubaran, garantir uma rentabilidade maior em suas operações. `Isso foi alcançado após o fim da sobreposição de custos, tarefas e pessoal. Não preciso, por exemplo, de seis equipes de lazer. Com uma já consigo atender os hóspedes`, justificou.
Na avaliação do presidente do complexo, no segundo semestre do ano passado e no início de 2008, houve crescimento dos resultados. `Entre agosto, quando assumimos os dois hotéis, e dezembro do ano passado, o faturamento desses empreendimentos teve uma queda próxima de 3%, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Já o resultado líquido foi 100% superior`, disse o executivo.
Ele afirma que a mudança de bandeira foi positiva para a Sauípe S/A e que, no primeiro bimestre deste ano, o faturamento manteve-se estável, o resultado líquido teria avançado 244%. Apesar de confessar estar satisfeito com os resultados, o executivo se negou a informar os valores. `Nossa tese foi comprovada`, afirma. Os resultados, considerados satisfatórios, foi o que levou a empresa a pedir de volta os dois hotéis.
Repórter: RONALDO JACOBINA
rjacobina@grupoatarde.com.br
Fonte: Jornal A Tarde
Em 27/03/2008.
De acordo com o presidente do complexo, Alexandre Zubaran, a decisão foi de comum acordo e que não haverá demissões de funcionários.
Porém, pela posição adotada pela rede americana, a decisão não parece ter sido tão amigável quanto afirma o presidente da Sauípe S/A. A Marriott Internacional não quis comentar o assunto e se limitou a enviar um sucinto comunicado à imprensa em que diz que decidiu encerrar a operação do Costa do Sauípe Marriott Resort e do Renaissance Costa do Sauípe Resort a partir do dia 1º de junho de 2008.
Ainda segundo o comunicado, `a empresa está alertando futuros hóspedes sobre a decisão para que possam se organizar de acordo com a atual situação`, conclui a nota.
Alexandre Zubaran deixou no ar que havia pendências de ordem financeira por parte da rede.
`Havia débitos, mas asseguro que as partes se acertaram nessa questão. Não quero ser deselegante com eles (a rede americana), até porque tudo ficou resolvido`, afirmou, sem revelar se houve pagamento de multa e qual teria sido o valor da rescisão do contrato que tinha a duração de 20 anos. `Temos cláusulas contratuais que nos impedem de falar sobre isso`, disse.
CRISE - A movimentação no complexo que resultou na saída das bandeiras internacionais começou há cerca de dois anos.
Desde então, o mercado começou a especular que a situação do complexo era crítica e que a revoada das redes estrangeiras seria geral, o que acabou se concretizando ontem. A partir de agora, apenas as bandeiras Super Clubs Breezes e Pestana - que administra as pousadas - permanecem no complexo de hotéis.
Representantes do trade turístico local, que preferem não se identificar, afirmam que há uma crise crônica no complexo, mas Alexandre Zubaran é categórico em afirmar que não existe nada de errado com o destino Sauípe.
`A saída das cadeias internacionais é resultado de um processo de reestruturação que estamos fazendo na empresa`, disse.
Porém, segundo o próprio Zubaran, o modelo idealizado no início do projeto em 2001 não vingou, o que motivou o principal acionista do complexo - o fundo de pensão Previ, do Banco do Brasil - a exigir mudanças na estrutura daquele que foi um dos mais ambiciosos projetos hoteleiros do País. `Fizemos um diagnóstico e, a partir daí, fomos buscar alternativas para termos ganho de escala, coisa que não conseguíamos com o modelo anterior`, explicou o presidente da Costa do Sauípe.
Embora afirme que a proposta da Sauípe S/A nunca foi afastar os parceiros, o presidente da empresa revelou que a negociação com a rede americana vinha se arrastando há mais de ano, sem que houvesse qualquer avanço.
`Queríamos uma saída que agradasse tanto a operadora quanto a Sauípe S/A e agora conseguimos entrar num consenso e encerramos a parceria que durou sete anos. Fizemos isso em busca de maior rentabilidade e retorno para nossos acionistas`, relatou Zubaran.
Conforme Zubaran, o problema do complexo não era de ordem comercial. `Precisávamos melhorar a rentabilidade e agregar valor às operações`, disse o executivo.
Baixa rentabilidade motivou retomada do controle
A decisão de criar uma empresa para administrar os hotéis do complexo teve como objetivo, segundo Zubaran, garantir uma rentabilidade maior em suas operações. `Isso foi alcançado após o fim da sobreposição de custos, tarefas e pessoal. Não preciso, por exemplo, de seis equipes de lazer. Com uma já consigo atender os hóspedes`, justificou.
Na avaliação do presidente do complexo, no segundo semestre do ano passado e no início de 2008, houve crescimento dos resultados. `Entre agosto, quando assumimos os dois hotéis, e dezembro do ano passado, o faturamento desses empreendimentos teve uma queda próxima de 3%, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Já o resultado líquido foi 100% superior`, disse o executivo.
Ele afirma que a mudança de bandeira foi positiva para a Sauípe S/A e que, no primeiro bimestre deste ano, o faturamento manteve-se estável, o resultado líquido teria avançado 244%. Apesar de confessar estar satisfeito com os resultados, o executivo se negou a informar os valores. `Nossa tese foi comprovada`, afirma. Os resultados, considerados satisfatórios, foi o que levou a empresa a pedir de volta os dois hotéis.
Repórter: RONALDO JACOBINA
rjacobina@grupoatarde.com.br
Fonte: Jornal A Tarde
Em 27/03/2008.