Segundo o presidente Lula, a parte federal passou de R$400 milhões a R$600 milhões para quase R$2 bilhões:
- É muito importante o que vocês assinaram, para a gente não repetir os Jogos Pan-Americanos. Eu lembro como se fosse hoje que muitas vezes a gente tentou construir um pacto para saber qual era a responsabilidade do governo federal, do governo estadual e do governo municipal. A gente não conseguiu. O que aconteceu é que estava previsto para o governo federal investir, me parece que R$400 ou R$600 milhões, e terminamos colocando quase R$2 bilhões no Pan, porque ia sobrar para o Brasil. Seria o nome do Brasil que iria ficar sujo na praça e nós resolvemos colocar o dinheiro que faltou ser colocado pelas autoridades municipais e estaduais na ocasião.
Obras não estão atrasadas
Ontem, o governo federal anunciou o repasse de R$20,7 bilhões, dez vez mais o que foi gasto no Pan, para obras em aeroportos (R$5,6 bilhões), portos (R$740 milhões), construção de hotéis (R$1,8 bilhão), estádios (R$4,8 bilhões) e mobilidade urbana (R$7,8 bilhões). A MP vai permitir aos municípios que são sedes da Copa contraírem mais dívidas, por conta dessas obras, sem serem atingidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal. O presidente disse que as negociações ficaram mais fáceis quando o governador Sérgio Cabral (PMDB) foi eleito e, depois, quando Eduardo Paes (PMDB) chegou à Prefeitura do Rio. Antes deles, a governadora do Rio era Rosinha Matheus (PR), e o prefeito, Cesar Maia (DEM). O evento de ontem reuniu um público menor que o realizado em janeiro, quando todos os governadores compareceram, e houve até discurso da então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, hoje candidata a presidente pelo PT. Ontem, faltaram desde governadores oposicionistas, como Alberto Goldman (PSDB-SP), até aliados, como Cid Gomes (PSB-CE).
O ministro do Esporte, Orlando Silva, reconheceu que o gasto federal com o Pan foi além do previsto e atribuiu isso à falta de planejamento. Revelou que, como o Rio pleiteava sediar as Olimpíadas de 2016, os padrões das obras e dos serviços foram elevados, para impressionar o Comitê Olímpico Internacional (COI).
Lula, mais uma vez, rebateu as críticas de que as obras estão atrasadas, afirmando que é preciso cumprir um ritual. Para ele, é uma insensatez as pessoas repetirem que a organização da Copa está atrasada em dois anos e oito meses - tempo que o Brasil foi escolhido para sediar o Mundial.
O presidente pediu paciência para cumprir as etapas:
- As pessoas, na verdade, ficam querendo que a gente coma o mingau antes de ele estar pronto. Quem não sabe comer mingau, precisa saber que quando a gente coloca o fubá no fogo e fica mexendo, tem muita borbulha, que a gente queima muito a mão mexendo a panela com uma colher de madeira até o mingau ficar pronto. Esta medida que nós assinamos significa que o mingau está pronto. Agora a gente vai poder começar a comer o mingau.
O presidente disse que a medida provisória estabelece, em caráter excepcional, novo limite de endividamento para as 12 cidades-sedes.
- Muitas cidades não têm capacidade de tomar R$10 emprestados. Mesmo que eu seja amigo de todos os prefeitos e prefeitas e quisesse emprestar R$10, eles não poderiam pegar esses R$10. O que nós estamos fazendo é criando uma excepcionalidade para que as cidades que vão sediar a Copa do Mundo possam aumentar a sua capacidade de endividamento, para que possam fazer parte das obras que são da responsabilidade dos municípios fazer - disse Lula.
Autor(es): Agência O Globo/Luiza Damé e Evandro Éboli O Globo - 20/07/2010