09/01/2009
As regiões Norte, Centro Oeste e Nordeste lideraram o crescimento dos desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) entre janeiro e novembro de 2008. Os dados preliminares mostram que o ano foi extremamente positivo para o Norte, onde o volume de empréstimos cresceu 101,6% em relação ao mesmo período de 2007, com 5.909 operações que totalizaram R$ 4 bilhões. No Centro Oeste, o aumento foi de 94,8%, com 14.883 operações e um total de R$ 9 bilhões em financiamentos. Em terceiro lugar na evolução, o Nordeste realizou 16.438 operações que representaram R$ 6,6 bilhões, volume 43,8% maior que o de 2007.
Embora com uma elevação bem menor, de 4,2%, a região Sudeste deve fechar o ano com o maior volume de recursos do BNDES -- até novembro passado foram R$ 43,3 bilhões distribuídos em 77.921 operações. São Paulo obteve o maior volume: R$ 25 bilhões. Já na região Sul, ao invés de crescimento houve uma redução de 14,8% no número de operações que caiu de 79.902 para 68.071.
Mesmo assim, os financiamentos se mantiveram fortes, registrando uma alta de 38,4% no comparativo entre janeiro e novembro do ano anterior e um total de R$ 15,4 bilhões. Para o chefe do Departamento Regional Nordeste do BNDES (Denor), Paulo Guimarães, esse quadro constata o desenvolvimento da economia fora do eixo Sul-Sudeste. `Faz parte de um processo recente de descentralização dos financiamentos do BNDES, ainda incipiente, mas projetando para o futuro a consolidação de pólos estruturadores nas regiões Centro Oeste, Norte e Nordeste`, explica Guimarães. Segundo ele, o Maranhão foi o principal destaque com um aumento de 289,3% nos desembolsos que chegaram a R$ 1 bilhão até novembro, deixando o estado em terceiro lugar no ranking regional, posição que, historicamente, era do Ceará. A Bahia, com R$ 2,7 bilhões e Pernambuco, com R$ 1,4 bilhão, ficaram com o primeiro e o segundo lugar, respectivamente.
A previsão de Paulo Guimarães é que, fechados os números de dezembro, as aprovações no Nordeste atinjam R$ 7 bilhões em 2008. Um valor significativo considerando a evolução dos últimos cinco anos mas que ainda representa menos de 10% do orçamento de R$ 80 bilhões do banco em 2008 que poderá atingir R$ 90 bilhões com o crescimento da demanda. Em 2009, estão previstos R$ 100 bilhões.
Os efeitos da crise econômica internacional, na opinião Guimarães, terão menor impacto nos setores voltados para os mercados interno e de infra-estrutura. Neste último, 2009 poderá ser decisivo para deslanchar o projeto da Ferrovia Transnordestina que tem R$ 900 milhões aprovados pelo BNDES mas que ainda não foram contratados pela Companhia Ferroviária do Nordeste (CFN) e pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), responsáveis pela obra. O empreendimento está incluído no PAC para ser entregue em 2010. `Este é um projeto que, por sua capacidade de movimentar recursos e gerar empregos, pode ser um amortecedor da crise econômica na região Nordeste, dando um estímulo expressivo à atividade econômica no semi-árido`, avalia Guimarães.
No Maranhão, os destaques são os projetos de mineração e siderúrgicos, impulsionados pelos recursos minerais do estado onde a Alcoa Aluminio recebeu um financiamento de R$ 650 milhões, há um ano, para aumentar a produção de alumina em 2,1 milhões de toneladas anuais, num investimento total de R$ 4,9 bilhões. Em Pernambuco, o crescimento de 28,4% nas operações, segundo o chefe do Denor, deu-se sobre uma base expressiva e consolida a ampliação dos investimentos anunciados em 2007. É o caso da Petroquímica Suape que vem sendo tocada pela Petrobras e obteve um empréstimo ponte de R$ 170 milhões para as obras, no Complexo Industrial e Portuário de Suape. O mesmo socorro foi dado ao Estaleiro Atlântico Sul que contou com uma transferência de recursos de rubricas do Fundo de Marinha Mercante para tocar as obras e garantir a duplicação do projeto inicial com mais R$ 500 milhões do BNDES.
Autor(es): Etiene Ramos
Gazeta Mercantil
- 09/01/2009.
Embora com uma elevação bem menor, de 4,2%, a região Sudeste deve fechar o ano com o maior volume de recursos do BNDES -- até novembro passado foram R$ 43,3 bilhões distribuídos em 77.921 operações. São Paulo obteve o maior volume: R$ 25 bilhões. Já na região Sul, ao invés de crescimento houve uma redução de 14,8% no número de operações que caiu de 79.902 para 68.071.
Mesmo assim, os financiamentos se mantiveram fortes, registrando uma alta de 38,4% no comparativo entre janeiro e novembro do ano anterior e um total de R$ 15,4 bilhões. Para o chefe do Departamento Regional Nordeste do BNDES (Denor), Paulo Guimarães, esse quadro constata o desenvolvimento da economia fora do eixo Sul-Sudeste. `Faz parte de um processo recente de descentralização dos financiamentos do BNDES, ainda incipiente, mas projetando para o futuro a consolidação de pólos estruturadores nas regiões Centro Oeste, Norte e Nordeste`, explica Guimarães. Segundo ele, o Maranhão foi o principal destaque com um aumento de 289,3% nos desembolsos que chegaram a R$ 1 bilhão até novembro, deixando o estado em terceiro lugar no ranking regional, posição que, historicamente, era do Ceará. A Bahia, com R$ 2,7 bilhões e Pernambuco, com R$ 1,4 bilhão, ficaram com o primeiro e o segundo lugar, respectivamente.
A previsão de Paulo Guimarães é que, fechados os números de dezembro, as aprovações no Nordeste atinjam R$ 7 bilhões em 2008. Um valor significativo considerando a evolução dos últimos cinco anos mas que ainda representa menos de 10% do orçamento de R$ 80 bilhões do banco em 2008 que poderá atingir R$ 90 bilhões com o crescimento da demanda. Em 2009, estão previstos R$ 100 bilhões.
Os efeitos da crise econômica internacional, na opinião Guimarães, terão menor impacto nos setores voltados para os mercados interno e de infra-estrutura. Neste último, 2009 poderá ser decisivo para deslanchar o projeto da Ferrovia Transnordestina que tem R$ 900 milhões aprovados pelo BNDES mas que ainda não foram contratados pela Companhia Ferroviária do Nordeste (CFN) e pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), responsáveis pela obra. O empreendimento está incluído no PAC para ser entregue em 2010. `Este é um projeto que, por sua capacidade de movimentar recursos e gerar empregos, pode ser um amortecedor da crise econômica na região Nordeste, dando um estímulo expressivo à atividade econômica no semi-árido`, avalia Guimarães.
No Maranhão, os destaques são os projetos de mineração e siderúrgicos, impulsionados pelos recursos minerais do estado onde a Alcoa Aluminio recebeu um financiamento de R$ 650 milhões, há um ano, para aumentar a produção de alumina em 2,1 milhões de toneladas anuais, num investimento total de R$ 4,9 bilhões. Em Pernambuco, o crescimento de 28,4% nas operações, segundo o chefe do Denor, deu-se sobre uma base expressiva e consolida a ampliação dos investimentos anunciados em 2007. É o caso da Petroquímica Suape que vem sendo tocada pela Petrobras e obteve um empréstimo ponte de R$ 170 milhões para as obras, no Complexo Industrial e Portuário de Suape. O mesmo socorro foi dado ao Estaleiro Atlântico Sul que contou com uma transferência de recursos de rubricas do Fundo de Marinha Mercante para tocar as obras e garantir a duplicação do projeto inicial com mais R$ 500 milhões do BNDES.
Autor(es): Etiene Ramos
Gazeta Mercantil
- 09/01/2009.