Governo elabora plano para evitar apagão na telefonia

16/11/2009
O governo brasileiro elabora um plano para conter calamidades no sistema de telecomunicações, decorrentes de crises como, por exemplo, o apagão de energia da semana passada. Antes do apagão, que afetou o sistema de telefonia e banda larga pela elevada procura no momento do blecaute, o Ministério das Comunicações e Agência Nacional das Telecomunicações (Anatel) já costuravam programas contra desastres naturais.

O ministro das Comunicações, Hélio Costa, informou, em entrevista ao Valor, que o governo mantém uma parceria com a Telecom Italia - que controla a TIM Brasil - para garantir a conectividade e a gestão do sistema de telefonia brasileiro em situações de crise. Foi assinado um termo de cooperação com a empresa italiana em julho, para aperfeiçoar a rede brasileira, e no momento o plano está em fase de conclusão, com reunião marcada entre técnicos brasileiros e italianos para a próxima semana.

`O sistema não é infalível`, comentou o ministro, usando termos usados por seus colegas do setor elétrico. Ele explicou que as torres que distribuem o sinal de telefonia celular, por exemplo, têm baterias que permitem o seu funcionamento por um determinado período, mas, se afetadas as centrais elétricas, como ocorreu na noite de terça-feira, os danos costumam ser maiores.

Na semana passada, o apagão elétrico levou a uma sobrecarga no sistema de telefonia, elevando em até mais de 50% o uso da rede em dias normais, no caso da operadora Vivo, no Rio. Naquela noite, o fluxo foi mais intensificado na telefonia móvel do que na fixa. Algumas operadoras, de telefones fixos e móveis, também tiveram problemas com a falta de energia em suas centrais.

O caso de interrupções no sinal do Speedy, produto de banda larga da Telefônica, neste ano, mostrou que as centrais são mais vulneráveis do que se pensava. No acidente do Airbus da TAM, em Congonhas, o sistema de comunicação foi interrompido nos arredores e até o contato com familiares das vítimas foi prejudicado.

Costa explica que o tema entrou na pauta do ministério após os desastres com temporais em Santa Catarina, no ano passado, quando também houve problemas nos sistemas de comunicação. Segundo ele, hoje já existe um sistema de contingenciamento, mas ele não é suficientemente sofisticado.

O software e os procedimentos desenvolvidos em parceria com a Telecom Italia estarão disponíveis para qualquer operadora que queira adotá-los, diz Costa. `Se todas as empresas quiserem, vão entrar no projeto`, que não tem prazo para ser implantado. Na Itália, o sistema foi testado no terremoto de Áquila, em abril, com relativo sucesso.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) está para concluir a primeira fase da análise dos pontos críticos do setor, em trabalho iniciado em 2007, por solicitação do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

O projeto já identificou quais as estações e serviços que exigem mais cuidados - telefonia fixa e móvel e internet - e quais as vulnerabilidades e planos de contingenciamento de cada operadora. O trabalho foi motivado pelos ataques do crime organizado em São Paulo, em 2006, quando o governo passou a dedicar mais esforços ao sistema de segurança.

Autor(es): Danilo Fariello

Valor Econômico - 16/11/2009.