23/11/2010
Desde que o Brasil foi anunciado oficialmente sede da Copa de 2014, a palavra aeroporto virou um mantra às avessas na boca do principal dirigente do futebol brasileiro. Presidente da CBF e do Comitê Organizador Local (COL), Ricardo Teixeira repete exaustivamente que, independentemente do temor generalizado pelo atraso nas obras de construção e reforma dos estádios, os aeroportos são o maior entrave à realização bem sucedida do evento.
A preocupação, também externada recentemente pelo presidente da Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata), Giovanni Bisignani, parece ter batido à porta do governo federal. Ontem, no primeiro dia da Soccerex, a feira mundial de negócios da indústria do futebol que está sendo realizada no Forte de Copacabana, o ministro do Esporte, Orlando Silva, criticou duramente a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), responsabilizando-a por atravancar a modernização do setor aeroportuário.
- Quando pensamos em um evento desse porte, e que o Brasil é quase um continente, no qual só se pode circular de avião, percebemos que os aeroportos são o risco principal para a Copa de 2014. Imagino que a Infraero terá que alterar totalmente a conduta, o comportamento, a atitude, ter uma atividade completamente diferente do que teve até aqui sob pena de oferecer constrangimentos à realização do Mundial - disse o ministro.
Havelange na abertura
Segundo Orlando Silva, que participou do painel de abertura da Soccerex com o presidente de honra da Fifa, João Havelange, do ministro do Turismo, Luiz Barreto, e do governador Sérgio Cabral - cuja saída do auditório em plena entrevista com Havelange causou uma saia justa na organização - o governo encaminhou ao Congresso Nacional proposta de alteração na lesgislação de contratos, cujo objetivo é acelerar os processos de licitação, diminuindo o prazo para a modernização dos aeroportos. O ministro, no entanto, deu a entender que a Infraero não estaria contribuindo para desburocratizar os procedimentos, emperrando o andamento dos projetos para a Copa do Mundo.
- Ou a Infraero comanda mais rapidamente a modernização dos aeroportos, ou passaremos constragimento - voltou a repetir. - O governo encaminhou a proposta para fazer as licitações o mais rapidamente possível, permitindo a ampliação dos aeroportos em um prazo menor. Isso pode diminuir o risco do sistema aeroportuário - completou.
Na última sexta-feira, em resposta às críticas que recebeu da direção da Iata, a Infraero soltou um comunicado oficial no qual ressaltava que `a estatal está ciente sobre investimentos necessários para adaptar os aeroportos à demanda projetada para o setor aéreo, incluindo a movimentação adicional prevista durante a realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas`. Na mesma nota, a empresa reafirmou o compromisso de investir o total de R$5,15 bilhões nos 13 aeroportos da Copa.
O setor aeroportuário foi responsável por um dos problemas mais graves da Copa da África do Sul. No dia da semifinal entre Espanha e Alemanha, em Durban, cinco aviões levando torcedores dos dois países com ingressos para o jogo não receberam autorização para aterrisar no Aeroporto Internacional King Shaka devido ao congestionamento causado pelo tráfego aéreo, que não foi absorvido pela cidade, tendo de retornar a Johannesburgo e à Cidade do Cabo. Naquele dia, o próprio Comitê Organizador Local admitiu que o alto número de voos fretados, em especial os que levavam chefes de estado e membros executivos da Fifa, comprometeu o funcionamento do aeroporto em Durban.
Orlando Silva elogiou as obras do novo estádio Vivaldo Lima, em Manaus, mas se mostrou reticiente em relação à Arena das Dunas, em Natal.
- Temos uma certa indefinição em Natal - disse o ministro. Recentemente, a licitação para as obras no estádio foram suspensas pelo governo do Rio Grande do Norte por sugestão dos Ministérios Públicos Estadual e Federal. A abertura dos envelopes, que seria feita no último dia 4, está programada para amanhã.
A Secretária Estadual de Esporte e Lazer, Márcia Lins, apresentou ontem a nova maquete do Maracanã. A novidade é a cobertura do estádio, que será feita com policarbonato, um material autolimpante. Ela voltou a dizer que entregará o Maracanã em dezembro de 2012, mas não garantiu a realização de jogos no período anterior e posterior à Copa, uma vez que Fifa e Comitê Olímpico Internacional (COI) poderiam requerer o Maracanã, embora na África do Sul o inventário dos estádios só tenha sido feito 15 dias antes da abertura oficial do evento.
Autor(es): Agencia o Globo/Fábio Juppa.
O Globo - 23/11/2010.
A preocupação, também externada recentemente pelo presidente da Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata), Giovanni Bisignani, parece ter batido à porta do governo federal. Ontem, no primeiro dia da Soccerex, a feira mundial de negócios da indústria do futebol que está sendo realizada no Forte de Copacabana, o ministro do Esporte, Orlando Silva, criticou duramente a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), responsabilizando-a por atravancar a modernização do setor aeroportuário.
- Quando pensamos em um evento desse porte, e que o Brasil é quase um continente, no qual só se pode circular de avião, percebemos que os aeroportos são o risco principal para a Copa de 2014. Imagino que a Infraero terá que alterar totalmente a conduta, o comportamento, a atitude, ter uma atividade completamente diferente do que teve até aqui sob pena de oferecer constrangimentos à realização do Mundial - disse o ministro.
Havelange na abertura
Segundo Orlando Silva, que participou do painel de abertura da Soccerex com o presidente de honra da Fifa, João Havelange, do ministro do Turismo, Luiz Barreto, e do governador Sérgio Cabral - cuja saída do auditório em plena entrevista com Havelange causou uma saia justa na organização - o governo encaminhou ao Congresso Nacional proposta de alteração na lesgislação de contratos, cujo objetivo é acelerar os processos de licitação, diminuindo o prazo para a modernização dos aeroportos. O ministro, no entanto, deu a entender que a Infraero não estaria contribuindo para desburocratizar os procedimentos, emperrando o andamento dos projetos para a Copa do Mundo.
- Ou a Infraero comanda mais rapidamente a modernização dos aeroportos, ou passaremos constragimento - voltou a repetir. - O governo encaminhou a proposta para fazer as licitações o mais rapidamente possível, permitindo a ampliação dos aeroportos em um prazo menor. Isso pode diminuir o risco do sistema aeroportuário - completou.
Na última sexta-feira, em resposta às críticas que recebeu da direção da Iata, a Infraero soltou um comunicado oficial no qual ressaltava que `a estatal está ciente sobre investimentos necessários para adaptar os aeroportos à demanda projetada para o setor aéreo, incluindo a movimentação adicional prevista durante a realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas`. Na mesma nota, a empresa reafirmou o compromisso de investir o total de R$5,15 bilhões nos 13 aeroportos da Copa.
O setor aeroportuário foi responsável por um dos problemas mais graves da Copa da África do Sul. No dia da semifinal entre Espanha e Alemanha, em Durban, cinco aviões levando torcedores dos dois países com ingressos para o jogo não receberam autorização para aterrisar no Aeroporto Internacional King Shaka devido ao congestionamento causado pelo tráfego aéreo, que não foi absorvido pela cidade, tendo de retornar a Johannesburgo e à Cidade do Cabo. Naquele dia, o próprio Comitê Organizador Local admitiu que o alto número de voos fretados, em especial os que levavam chefes de estado e membros executivos da Fifa, comprometeu o funcionamento do aeroporto em Durban.
Orlando Silva elogiou as obras do novo estádio Vivaldo Lima, em Manaus, mas se mostrou reticiente em relação à Arena das Dunas, em Natal.
- Temos uma certa indefinição em Natal - disse o ministro. Recentemente, a licitação para as obras no estádio foram suspensas pelo governo do Rio Grande do Norte por sugestão dos Ministérios Públicos Estadual e Federal. A abertura dos envelopes, que seria feita no último dia 4, está programada para amanhã.
A Secretária Estadual de Esporte e Lazer, Márcia Lins, apresentou ontem a nova maquete do Maracanã. A novidade é a cobertura do estádio, que será feita com policarbonato, um material autolimpante. Ela voltou a dizer que entregará o Maracanã em dezembro de 2012, mas não garantiu a realização de jogos no período anterior e posterior à Copa, uma vez que Fifa e Comitê Olímpico Internacional (COI) poderiam requerer o Maracanã, embora na África do Sul o inventário dos estádios só tenha sido feito 15 dias antes da abertura oficial do evento.
Autor(es): Agencia o Globo/Fábio Juppa.
O Globo - 23/11/2010.