22/08/2007
Brasília _ Estudo indica que as emergenciais devem entrar em plena atividade pela falta de hidrelétricas. A carência de grandes projetos de geração hidráulica até 2012, ano em que está previsto a ativação da primeira usina do Complexo Madeira, fará o governo brasileiro apostar todas as suas fichas na geração térmica, que nos próximos anos sairá da sua condição normal de mero coadjuvante do sistema elétrico - tradicionalmente, as chamadas usinas emergenciais são despachadas somente em último caso - para torna-se o principal antídoto para o racionamento energético.
A arma contra o apagão, porém, trará resultados desastrosos para os preços da energia, do ponto de vista do consumidor. Isso porque, o custo da geração térmica é - numa análise bastante conservadora, considerando o despacho mínimo de uma usina desse tipo - 15;perc; superior ao custo da hidráulica. A situação é ainda mais alarmante quando se observa o perfil dos últimos leilões de energia nova, que tem sido dominado pela venda futura de eletricidade oriunda por centrais termelétricas a diesel e a óleo, justamente os dois combustíveis mais caros - e poluentes - entre todos outros disponíveis para o parque termelétrico brasileiro. `Com a falta de usinas hidrelétricas para atender o crescimento da demanda, as usinas térmicas deixarão de ter um caráter apenas complementar para ter um papel efetivo na geração`, afirma Fernando Abdalla, analista de energia do Unibanco.
Segundo ele, o aquecimento do mercado brasileiro de energia, impulsionado pela melhora da economia, obrigará o governo a antecipar o despacho das centrais térmicas, que normalmente são acionadas somente em períodos de seca. `Essa será a estratégia encontrada pelo Operador Nacional do Sistema (ONS) para poupar os reservatórios de água das hidrelétricas`, diz Abdalla.
O analista não descarta a possibilidade de algumas térmicas serem acionadas por tempo integral durante o período crítico de escassez de eletricidade. `Por isso, não acreditamos em um novo apagão, mas sim um aumento brutal de preços da energia, em função da utilização da geração termelétrica para atender a totalidade da demanda`, ressalta ao analista. Assim, na avaliação de Abdalla, a crescente participação das termelétricas no despacho do ONS criará um cenário inevitável de forte elevação do preço da energia no período de renovação dos contratos antigos, a partir de 2010. Segundo ele, numa análise conservadora, os preços da energia no mercado cativo alcançarão, no médio e longo prazos, R$ 120 por megawatt-hora (MWh). `Mas é bem provável que esse preço atinja os R$ 140 por MWh no chamado período de maior escassez de energia, entre 2010 e 2012, o que representa o dobro do valor negociado nos contratos vigentes, de R$ 70 o MWh`, afirma Abdalla.
Fonte: Jornal Gazeta Mercantil
Denis Cardoso
Em 22/08/2007.
A arma contra o apagão, porém, trará resultados desastrosos para os preços da energia, do ponto de vista do consumidor. Isso porque, o custo da geração térmica é - numa análise bastante conservadora, considerando o despacho mínimo de uma usina desse tipo - 15;perc; superior ao custo da hidráulica. A situação é ainda mais alarmante quando se observa o perfil dos últimos leilões de energia nova, que tem sido dominado pela venda futura de eletricidade oriunda por centrais termelétricas a diesel e a óleo, justamente os dois combustíveis mais caros - e poluentes - entre todos outros disponíveis para o parque termelétrico brasileiro. `Com a falta de usinas hidrelétricas para atender o crescimento da demanda, as usinas térmicas deixarão de ter um caráter apenas complementar para ter um papel efetivo na geração`, afirma Fernando Abdalla, analista de energia do Unibanco.
Segundo ele, o aquecimento do mercado brasileiro de energia, impulsionado pela melhora da economia, obrigará o governo a antecipar o despacho das centrais térmicas, que normalmente são acionadas somente em períodos de seca. `Essa será a estratégia encontrada pelo Operador Nacional do Sistema (ONS) para poupar os reservatórios de água das hidrelétricas`, diz Abdalla.
O analista não descarta a possibilidade de algumas térmicas serem acionadas por tempo integral durante o período crítico de escassez de eletricidade. `Por isso, não acreditamos em um novo apagão, mas sim um aumento brutal de preços da energia, em função da utilização da geração termelétrica para atender a totalidade da demanda`, ressalta ao analista. Assim, na avaliação de Abdalla, a crescente participação das termelétricas no despacho do ONS criará um cenário inevitável de forte elevação do preço da energia no período de renovação dos contratos antigos, a partir de 2010. Segundo ele, numa análise conservadora, os preços da energia no mercado cativo alcançarão, no médio e longo prazos, R$ 120 por megawatt-hora (MWh). `Mas é bem provável que esse preço atinja os R$ 140 por MWh no chamado período de maior escassez de energia, entre 2010 e 2012, o que representa o dobro do valor negociado nos contratos vigentes, de R$ 70 o MWh`, afirma Abdalla.
Fonte: Jornal Gazeta Mercantil
Denis Cardoso
Em 22/08/2007.