Bahia vai exportar milho a partir de 2008

09/10/2007
A agricultura baiana irá testemunhar, no próximo ano, a realização da primeira exportação de milho do estado. Segundo informações da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), um lote de 50 mil toneladas do grão já foi negociado para a próxima safra. Os contratos, de acordo com o diretor executivo da entidade, Alex Rasia, foram fechados no patamar de US$10 a saca, valor considerado bom pelo mercado, sendo que a entrega do produto está programada para maio de 2008.

Na avaliação do dirigente, o início dessa comercialização em âmbito internacional é reflexo dos efeitos provenientes da utilização do grão para a produção de etanol nos Estados Unidos. `O milho é um dos cereais mais consumidos para alimentação no mundo. Contudo, se uma parte dele passa a ser direcionada para outra finalidade, isso vai estimular o surgimento de um novo mercado para suprir justamente essa nova demanda`, explica. O segmento americano continua mantendo a liderança nesse campo, sendo o primeiro exportador mundial do grão, com o histórico número de 80 milhões de toneladas.

Apesar da inclusão do produto na carteira de exportações do território baiano, Rasia salienta que ainda é cedo para dizer, com precisão, se essa mudança no cenário externo irá aumentar a área plantada na Bahia. `O volume que será exportado é significativo. Entretanto, é preciso esperar um pouco mais de tempo para saber como essa operação irá refletir no setor. De qualquer forma, será um estímulo ao plantio`, confessa.

Conforme dados da Aiba, a atividade tem registrado, no comparativo das últimas safras, índices expressivos de crescimento em termos de área e de produtividade. O oeste baiano, principal região produtora no estado, contabilizou, na safra de 2007, a marca de 1,2 milhão de toneladas - mais que o dobro do montante apurado no balanço do ano passado, quando foram produzidas 506 mil toneladas. `Durante esse intervalo, a área plantada também cresceu, passando de 126 mil para 166 mil hectares. Da mesma forma, a produção média, que era de 67 sacas por hectare, saltou para 125 sacas`, informa.

Mesmo com os bons resultados, Alex salienta que esse incentivo ao cultivo do grão ainda não esconde o fato da cultura conviver com alguns obstáculos à sua ampliação e comercialização. Entre os entraves relatados, estão problemas crônicos de logística e a falta de mecanismos governamentais de regulação de preços, os quais poderiam colocar o segmento local em paridade com outras regiões, como os estados do Centro Oeste. `Na Bahia, por exemplo, não há possibilidade de fazer a chamada safrinha, como acontece no Mato Grosso, onde chove muito e é possível colher soja e semear o milho na mesma área. A questão é que aqui existe uma safra única`, esclarece.

Fonte: Jornal Correio da Bahia

07/10/07