Algodão da Bahia tem safra histórica

22/10/2007
Considerada a safra da excelência na qualidade do produto, que já é reconhecido como o melhor do Brasil, o ciclo 2006/07 também registrou incrementos importantes na produção, área plantada e produtividade do algodão da Bahia. A região Oeste, que concentra 97% da atividade no Estado, colheu este ano 417,6 mil toneladas da commodity, contra 287,5 mil toneladas na safra anterior, um crescimento de 46% na produção. A área plantada, que em 2005/06 foi de 216,3 mil hectares, passou para 277 mil hectares, expandindo-se, assim, em 28%. No quesito produtividade, uma referência nacional do Estado, o Oeste atingiu 102,7 toneladas de pluma por hectare. Hoje a Bahia já responde por 30% da pluma produzida no País.

O primeiro levantamento para a próxima safra também aponta para o crescimento. A área plantada deve aumentar em 12%, com as lavouras ocupando 310 mil hectares no Estado. A produção, segundo a Abapa, ficará em torno de 451,3 mil toneladas, cerca de 8% a mais que no ano anterior.

De acordo com o presidente da Abapa, Walter Horita, o ano de 2007 foi considerado um marco na volta ao crescimento do agronegócio brasileiro e a cotonicultura foi um destaque nesse período. `O clima favorável foi potencializado pelo profissionalismo do produtor. Mas, ainda poderíamos ter resultados melhores, caso pudéssemos dispor plenamente da tecnologia em engenharia genética, como fazem países como China e Índia, que ocupam, respectivamente, o primeiro e o segundo lugares no ranking da produção mundial`, afirmou. Horita lembra, ainda, que o câmbio valorizado em patamares muito altos e os problemas de logística comprometem seriamente os ganhos do produtor de algodão.

Assim como nas lavouras, o desempenho da fibra baiana também chamou a atenção nos laboratórios. Especialistas como o consultor Celito Breda, da empresa Círculo Verde, afirmam que esta é a melhor safra em termos de qualidade de toda a história da cotonicultura baiana. `Os níveis de excelência alcançados em aspectos ligados à finura, resistência, reflectância e maturidade do fio, dentre outros, superam os melhores índices já alcançados no Estado`, atesta.

Reconhecido como o melhor do Brasil em qualidade, agora o algodão da Bahia precisa, segundo a Abapa, posicionar-se não apenas como uma commodity, mas como um objeto de desejo na mente dos compradores e consumidores finais em redor do mundo. Para isso, a entidade está reforçando as ações de Marketing Internacional. Este mês, uma comitiva de 11 produtores da região Oeste, liderada pela Abapa, percorreu indústrias de fiação e empresas compradoras na Itália, Inglaterra, França e Suíça.

`O objetivo foi mostrar que, além da segurança que o comprador internacional dispõe ao comprar a nossa fibra, pois sabem que somos capazes de honrar nossos compromissos no mercado futuro, as características técnicas de qualidade que ele encontra no algodão da Bahia não deixam a desejar nem mesmo ao que é considerado o melhor algodão do mundo, o egípcio. Temos apenas que torná-lo conhecido do grande público, e acredito que a indústria da moda pode ser um excelente caminho`, afirma o presidente.

O Estado da Bahia foi escolhido para a instalação do projeto-piloto do Selo Pure Brazil Cotton de denominação de origem. A iniciativa da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecções (Abit), em parceria com as empresas Coteminas, Springs Global US, Marisol S.A. e Santista Têxtil/Tavex funciona como um certificado de qualidade, que foi decisivo para a vitória histórica em concorrência com o algodão egípcio no início do ano. O algodão de altíssima qualidade produzido nas fazendas do Oeste foi matéria-prima para a confecção de 16 milhões de peças industrializadas, que hoje ocupam espaço em uma das mais importantes cadeias varejistas dos Estados Unidos, a JC Penney.

O algodão tem um papel socio-econômico fundamental para o Oeste baiano e para o Estado como um todo. Mais de 12 mil empregos diretos, permanentes e temporários, são gerados na produção primária, envolvendo preparo de solo, plantio, capina, tratos culturais e colheita. Além desses postos de trabalho, outros 3mil são gerados nas 54 beneficiadoras que processam a produção da região. O algodão já correspondeu na última safra a 51% do Valor Bruto da Produção (VBP) do Oeste da Bahia, excetuando-se a pecuária. A receita regional obtida pela cultura deve ficar em, aproximadamente, R$1,2 bilhão na safra 2006/07.

Nos últimos três anos, quando se abateu sobre o agronegócio uma das maiores crises das ultimas décadas, o algodão ajudou a manter aquecida a economia regional. `Como a matriz produtiva local é muito diversificada, o produtor que tinha algodão conseguiu atravessá-la com menos dificuldades, pois os preços estavam melhores`, lembra o presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Walter Horita.

Fonte: Jornal Tribuna da Bahia

22/10/07