Turismo cresce e rede hoteleira acompanha

22/10/2007
Nos seus 38 anos a Tribuna da Bahia acompanhou o incremento de um dos maiores impulsionadores da economia no Estado: o turismo que responde por 6% do PIB baiano. Dos três hotéis de peso daquela época como Hotel da Bahia, Palace Hotel e Meridional ao surgimento dos complexos hoteleiros de Costa do Sauípe, passando por uma mudança estrutural radical na concepção e no modo de se pensar no turismo no Estado. Ênfase em Salvador com a criação da Bahiatursa e no planejamento estratégico. A expansão dos destinos turísticos, que no final dos anos 60 só existiam Itaparica, Olivença, Caldas Cipó e Caldas do Jorro, foi um fator vital. Péssimas estradas e hospedagem com serviços inadequados. Hoje, a Bahia dá um banho quando o assunto é receptivo. Além da hospitalidade baiana, mundialmente conhecida, a Bahia se profissionalizou no tema servindo de referência para outros estados e países.

O presidente do Conselho Curador do Convention Bureau da Bahia e diretor da região Nordeste da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, Evanilson Montenegro, lembra que esteve várias vezes em Salvador como turista e recorda da deficiência dos serviços daquela época. `A primeira vez que estive em Salvador tem 43 anos. O turismo e a hotelaria passaram por uma transformação radical. Os espanhóis eram responsáveis pelos hotéis na época, mas naquele tempo não se pensava nas potencialidades do turismo como hoje. A hotelaria era algo familiar, não empresarial. Fazer turismo aqui era caro. Hoje está mais barato tanto no transporte quanto na hospedagem`, diz.

Ele lembra que o ex-senador Antonio Carlos Magalhães contribuiu muito para esta mudança. `A Bahia foi um dos primeiros estados a planejar o turismo em longo prazo. Há 30 anos o turismo era uma atividade sem planejamento, com muita improvisação. Os turistas se hospedavam em casas de famílias, albergues. Não havia ofertas de leitos como hoje. As mudanças ficaram mais acentuadas há 20 anos`, revela. Montenegro cita a infra-estrutura com a melhoria da malha rodoviária e aérea e a oferta de vôos como fortes impulsionadores do desenvolvimento turístico. `Tanto a Varig quanto a Vasp tinham outros destinos no Nordeste para se estabelecerem, mas ao se profissionalizar a Bahia saiu na frente numa posição vantajosa`, diz. Evanilson cita a restauração do Pelourinho como ponto positivo aliado à descoberta do Litoral Norte e estruturação dos destinos do interior como Porto Seguro e Chapada Diamantina.

`Um ponto forte que com certeza fará a diferença no turismo está centrado na formação profissional. A melhoria da qualidade dos serviços, do atendimento, dos restaurantes, além da melhora que o governo Lula vem fazendo nas estradas e no barateamento das passagens aéreas`, destaca. Ele ressalta o turismo náutico como importante filão. `Temos uma baía linda com águas quentes e isso faz a diferença`.

A presidente da Bahiatursa, Emília Salvador Silva, afirma que se pautará no turismo sustentável como impulsionador do desenvolvimento turístico do Estado. `Ele deve trazer o crescimento comprometido com questões sociais, ambientais e culturais. Temos hoje no turismo étnico um importante passo já que é a tradução mais perfeita e completa da cultura baiana. Isso vai marcar nossa gestão. Estamos criando um calendário para os 365 dias do ano pautados na cultura afro-brasileira. O turismo sem estreitar suas relações com a comunidade fica artificial. Se queremos ser um destino competitivo precisamos buscar novos e exclusivos segmentos`, observa.

Ela concorda que o forte do turismo é o sol e a praia - `Cerca de 60% do fluxo de turistas vem no Estado com esta finalidade, mas estamos pensando num meio de superar isso valorizando nossos aspectos culturais.

O turismo responsável é o princípio da sustentabilidade`. Emília ainda chama atenção para o enoturismo que será praticado em Juazeiro, com visitação às vinículas. Sobre o turismo náutico Emília Salvador acredita ser o ponto forte já que o praticante leva em média um mês para chegar ao destino e permanece por uma média de três meses nele. `

Segundo dados da OMT/Embratur, o turista de lazer gasta US$ 50 por dia no destino, o náutico, de negócios e de golfe deixa pelo menos três vezes mais este valor`, cita. Emilia revela ser seu sonho revitalizar as festas populares baianas. `Sou saudosista.

Lembro dos Ternos de Reis, da Festa da Ribeira, das lavagens. Meu sonho é a revitalização destas festas que são a marca da nossa expressão cultural`, frisa. O secretário de Turismo da Bahia, Domingos Leonelli, ressalta a importância do turismo enquanto vertente econômica. `É vital estimular a produção em torno dos enclaves hoteleiros com inclusão da produção das comunidades nas cestas de consumo dos hotéis. Outra situação envolve a ampliação do número de vôos.

Encontramos 19 vôos internacionais e agora já são 28 regulares. Aumentamos os vôos charters de 11 para 14. Cerca de 93% dos vôos internacionais que vêm para o Brasil vão para o Rio de Janeiro e São Paulo. Nosso objetivo é mudar isso.

Os novos aeroportos de Ilhéus e Porto Seguro serão dois grandes investimentos do governo Wagner`, declara e acrescenta: `Em relação a Feira de Santana, pretendemos transformá-la num destino específico que é o show business eqüestre`.

Fonte: Jornal Tribuna da Bahia

22/10/07