25/03/2008
O presidente da Repsol do Brasil e do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), João Carlos de Luca, afirmou ontem que os preços da gasolina e do diesel no país são irreais. Segundo ele, os valores têm de ser analisados pelo governo, sem adiamentos. No entanto, levantamento feito pelo JB sobre o preço do combustível no país, grande produtor de petróleo, mostra que o brasileiro paga mais pela gasolina que motoristas de países que não produzem um barril de petróleo sequer.
No Estado do Rio, por exemplo, onde se produz cerca de 85% do petróleo nacional, o litro da gasolina custa em média R$ 2,59, enquanto em São Paulo, o valor é de R$ 2,37.
Segundo o diretor do Centro Brasileiro de Infra-estrutura, Adriano Pires, o valor é alto se comparado aos preços da gasolina na Argentina, Venezuela, porém, ressalta que cada país tem política tributária própria na revenda do combustível.
Na Venezuela um litro de gasolina custa o equivalente a R$ 0,09, mais barato que um litro de água. Para encher um tanque, com capacidade de 45 litros, é preciso desembolsar no Brasil R$ 116,55, enquanto no país vizinho a conta não chegaria a R$ 5. No Paraguai, o litro sai a R$ 1,30, na Argentina, R$ 1,40 e Chile, R$ 2,32.
O vice-presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), Alísio Mendes Vaz, o preço da gasolina varia de preço de um Estado para o outro em função do ICMS cobrado por cada um. Vaz fez um cálculo a pedido do JB e chegou a conclusão de que só em São Paulo, incidem sobre o preço do produto 42,6% de impostos. Lá, por exemplo, o preço médio é R$ 2,37, que equivale a soma dos impostos que saem a R$ 1,101, mais R$ 0,98 do preço do produto acrescidos de R$ 0,38 de margem de lucro. Os impostos são a soma de R$ 0,60 de ICMS, mais R$ 0,41 de Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico (Cide), PIS e Cofins. Ao todo, a conta chega a R$ 1,01. A gasolina é a mistura de 75% de gasolina mais 25% de álcool anidro. O preço de um litro de gasolina da Petrobras é calculado da seguinte forma: soma-se R$ 75% de R$ 1 (preço da gasolina) mais 25% de R$ 0,90 (preço do álcool anidro). A conta dá R$ 0,98. É esse o preço pago pelos postos, sem a incidência de impostos. A margem de lucro é o cálculo do lucro do frete, posto de gasolina e distribuidor.
Prejuízos
De Luca reclamou ainda que a Repsol tem prejuízos na área de refino há quatro meses consecutivos. A empresa tem 30% de participação na Refinaria Alberto Pasqualini, os outros 70% são da Petrobras. A companhia compra petróleo produzido pela Petrobras a preços internacionais e revende no mercado interno com preços que, insiste De Luca, estão defasados. Os preços da gasolina e do diesel não têm reajuste desde setembro de 2005.
Estamos sentindo dificuldades nos últimos meses. Os resultados não têm sido positivos. Nos preocupa muito uma situação com essa - disse durante seminário promovido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio.
Para o executivo, o preço praticado no Brasil não atrai investidores estrangeiros para o refino. Ele lembrou que a Petrobras está `lastreada` por uma produção de cerca de 2 milhões de barris/dia de petróleo.
Para quem compra com preço do mercado internacional, e vende aqui, fica complicado - reclamou.
Repórter: Ludmilla Totinick
Fonte: Jornal do Brasil
25/3/2008.
No Estado do Rio, por exemplo, onde se produz cerca de 85% do petróleo nacional, o litro da gasolina custa em média R$ 2,59, enquanto em São Paulo, o valor é de R$ 2,37.
Segundo o diretor do Centro Brasileiro de Infra-estrutura, Adriano Pires, o valor é alto se comparado aos preços da gasolina na Argentina, Venezuela, porém, ressalta que cada país tem política tributária própria na revenda do combustível.
Na Venezuela um litro de gasolina custa o equivalente a R$ 0,09, mais barato que um litro de água. Para encher um tanque, com capacidade de 45 litros, é preciso desembolsar no Brasil R$ 116,55, enquanto no país vizinho a conta não chegaria a R$ 5. No Paraguai, o litro sai a R$ 1,30, na Argentina, R$ 1,40 e Chile, R$ 2,32.
O vice-presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), Alísio Mendes Vaz, o preço da gasolina varia de preço de um Estado para o outro em função do ICMS cobrado por cada um. Vaz fez um cálculo a pedido do JB e chegou a conclusão de que só em São Paulo, incidem sobre o preço do produto 42,6% de impostos. Lá, por exemplo, o preço médio é R$ 2,37, que equivale a soma dos impostos que saem a R$ 1,101, mais R$ 0,98 do preço do produto acrescidos de R$ 0,38 de margem de lucro. Os impostos são a soma de R$ 0,60 de ICMS, mais R$ 0,41 de Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico (Cide), PIS e Cofins. Ao todo, a conta chega a R$ 1,01. A gasolina é a mistura de 75% de gasolina mais 25% de álcool anidro. O preço de um litro de gasolina da Petrobras é calculado da seguinte forma: soma-se R$ 75% de R$ 1 (preço da gasolina) mais 25% de R$ 0,90 (preço do álcool anidro). A conta dá R$ 0,98. É esse o preço pago pelos postos, sem a incidência de impostos. A margem de lucro é o cálculo do lucro do frete, posto de gasolina e distribuidor.
Prejuízos
De Luca reclamou ainda que a Repsol tem prejuízos na área de refino há quatro meses consecutivos. A empresa tem 30% de participação na Refinaria Alberto Pasqualini, os outros 70% são da Petrobras. A companhia compra petróleo produzido pela Petrobras a preços internacionais e revende no mercado interno com preços que, insiste De Luca, estão defasados. Os preços da gasolina e do diesel não têm reajuste desde setembro de 2005.
Estamos sentindo dificuldades nos últimos meses. Os resultados não têm sido positivos. Nos preocupa muito uma situação com essa - disse durante seminário promovido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio.
Para o executivo, o preço praticado no Brasil não atrai investidores estrangeiros para o refino. Ele lembrou que a Petrobras está `lastreada` por uma produção de cerca de 2 milhões de barris/dia de petróleo.
Para quem compra com preço do mercado internacional, e vende aqui, fica complicado - reclamou.
Repórter: Ludmilla Totinick
Fonte: Jornal do Brasil
25/3/2008.