`"Leilão mostra que preço de Itaipu é justo`"

21/05/2008
O preço da energia definido para a usina de Jirau, leiloada segunda-feira, confirmou a mudança de tendência dos valores da eletricidade para os mercados livre, sem vínculo com as concessionárias, e para o cativo, ligado a uma distribuidora. O consórcio vencedor do leilão, formado pela franco-belga Suez e Camargo Corrêa, fechou a venda de 70% da energia que será produzida para as distribuidoras que atuam no cativo por R$ 71,40 o megawatt-hora (MWh), deságio de 21,5% sobre o preço-teto de R$ 91/MWh. É uma redução de mais de 40% sobre o preço da energia nova fechado há três anos, de R$ 122/MWh.Em contrapartida, no mercado livre, que ficará com 30% da eletricidade de Jirau, estima-se que o preço do MWh será de R$ 130, ante os R$ 90/MWh de 2005, ou seja, alta superior a 40%.

`O mesmo efeito manada visto no ‘boom` do mercado livre, em 2002, quando grandes consumidores saíram do ambiente cativo para negociar a energia livremente, se repetirá inversamente`, diz Raimundo Batista, da comercializadora Enecel. Marcelo Parodi, da Comerc, diz que as usinas do Madeira representarão só 5% do consumo cativo em 2013, `volume muito pequeno para provocar impacto significativo de queda nas tarifas`. C6

Foz do Iguaçu (PR), 21 de Maio de 2008 - O preço fixado para o megawatt-hora da hidrelétrica de Jirau, a segunda usina do Complexo Madeira, no leilão realizado na última segunda-feira, mostra que o valor pago pelo Brasil ao Paraguai pela energia elétrica de Itaipu está dentro do que é praticado no mercado brasileiro. A avaliação foi feita pelo diretor brasileiro da Itaipu Binacional, Jorge Samek, que participou ontem do Fórum Global de Energias Renováveis, realizado em Foz do Iguaçu, no Paraná. `Isso mostra que o Brasil tem um compromisso muito grande do ponto de vista de produzir energia, de como preservar o meio ambiente mas também de ser justo nas relações bilaterais`, disse Samek.

No leilão de Jirau, o consórcio vencedor ofereceu o menor preço para o megawatt-hora, R$ 70,40, o que corresponde a cerca de US$ 42. O Brasil paga ao Paraguai pela energia de Itaipu US$ 45 pelo megawatt-hora. `Só se constatou uma realidade que já falamos há tempo, que o preço que Itaipu necessita para fazer frente aos seus compromissos está exatamente situado na média dos preços da energia praticados no Brasil`, avaliou. Dívida da usina O diretor brasileiro da Itaipu Binacional também destacou que, a partir de 2023, a dívida da hidrelétrica estará completamente sanada, e o Paraguai vai receber US$ 30 bilhões por ano, o que significa três vezes o Produto Interno Bruto (PIB) do país.

`Vai ser uma grande mola propulsora para o desenvolvimento do Paraguai`, destacou. O preço que o Brasil paga pela energia a que o Paraguai tem direito e não usa começou a ser discutido depois da eleição do novo presidente do país vizinho, Fernando Lugo. Ele defende que o Tratado de Itaipu não é justo e que os valores devem ser renegociados. Para o assessor da presidência da Administração Nacional de Eletricidade (Ande), Medardo Pino Rodriguez, o impasse sobre uma possível renegociação do Tratado de Itaipu deverá ser resolvido de forma conciliatória entre Brasil e Paraguai. No Paraguai, a Ande corresponde à Eletrobrás no Brasil.

Fonte: Gazeta Mercantil

21/5/2008.