Para fabricantes, teles terão de investir R$ 2,8 bilhões em 4G

14/05/2012
O leilão de frequências para a quarta geração de serviços móveis (4G) ainda nem foi realizado, mas os fabricantes de equipamentos de infraestrutura já revisaram para cima o valor previsto para implantação das redes no país. A estimativa é de que serão necessários R$ 2,8 bilhões de 2013 a 2016. `Planejávamos um terço disso no ano passado para 4G, mas acreditamos que esse mercado é muito forte`, afirma o diretor de desenvolvimento de negócios da Nokia Siemens Networks (NSN) para América Latina, Fernando Carvalho.

No caso da Nokia, a parcela de investimentos que o Brasil receberá do grupo para 4G passará de 35% para 50% em relação aos demais países da América Latina.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) marcou para 12 de junho a licitação das frequências das faixas de 2,5 gigahertz (GHz) e 450 megahertz (MHz) - essa última é destinada para áreas rurais. Mas, na semana passada, Oi, Vivo, TIM, Claro e a possível entrante AINMT (Net1), sueca, protocolaram pedido de impugnação do leilão, com pedido de garantias em relação à concorrência. A agência tem prazo até 5 de junho para se pronunciar.

Enquanto operadoras e agência medem força em relação à mudança das regras para o leilão, alguns entre os maiores fabricantes do setor avançam em seus projetos para a construção das redes: Alcatel-Lucent, Ericsson, Huawei, Nokia Siemens e ZTE.

Os fornecedores já concluíram a maior parte dos testes dos produtos com as operadoras, mas não revelam os resultados. O Valor apurou que as teles estão avaliando as parcerias para finalizar as propostas que serão apresentadas durante o leilão.

Carvalho, da NSN, afirma que a empresa desenvolveu um sistema para que as antenas ajustem automaticamente suas potências e feixes de sinal de acordo com a demanda da rede, usando o conceito Self-Organizing Networks (SON). `Com a tecnologia, podemos configurar 30% mais usuários numa única célula de LTE`, diz o executivo. Ele se refere à tecnologia Long Term Evolution, que poderá ser adotada para 4G.

A Alcatel-Lucent centrou sua estratégia na estação radiobase ligthRadio, equipamento de tamanho bem inferior ao de concorrentes [cabe na palma da mão], já testado pelas teles.

Fora do mercado de 3G, a Alcatel-Lucent tenta mostrar que isso se tornou um trunfo e faz suas apostas agora na nova geração tecnológica. `Isso nos favorece no mercado de 4G, pois conseguimos desenvolver a melhor tecnologia do mundo, enquanto o foco das demais [concorrentes] era 3G`, afirma o presidente da Alcatel-Lucent no Brasil, Jonio Foigel.

Como considera fácil a instalação do equipamento e o consumo de energia baixo, Foigel estima que os custos das teles em infraestrutura podem cair 50% com o uso do lighRadio.

A estratégia da Ericsson também é voltada para equipamentos menores. A companhia dá destaque para sua estação radiobase RBS 6000, que comporta, na mesma plataforma, as tecnologias GSM, CDMA, 3G/HSPA e 4G/LTE. Como o equipamento é 25% menor que sua versão anterior, a empresa chama a atenção para o impacto ambiental, que garante, também será menor.

Procuradas pelo Valor, as chinesas ZTE e Huawei não quiseram comentar sobre seus produtos, por questões de estratégia.

Para Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco, é provável que as vencedoras do leilão permaneçam, ao menos no início, com os atuais fornecedores. `Dependerá, claro, da estratégia de cada operadora, mas acredito que até 2013, quando 4G entrará em uso, o investimento será baixo em termos de estações radiobase`, diz. Tude considera natural que as empresas continuem a usar as mesmas ERBs por um ou dois anos, para compensar os custos com aquisição de frequências no leilão. Para se ter uma ideia, o preço mínimo das licenças está fixado em R$ 3,8 bilhões, ainda assim, 15% abaixo do que recomendou o Tribunal de Contas da União (TCU).

A faixa de 2,5 GHz é voltada principalmente para regiões com grande densidade demográfica. O objetivo da Anatel é que a frequência permita escoar o intenso tráfego de vídeo e dados aguardado para os próximos grandes eventos esportivos. Com a tecnologia LTE, em 4G, é possível obter velocidade de 100 megabites por segundo (Mbps), enquanto em 3G o limite é de 7 Mbps e em HSPA+ (evolução de 3G) é de 21 Mbps.

O mercado potencial no país para 4G pode ser avaliado pelo número de terminais com acesso à internet em banda larga, que atingiu 40,9 milhões de aparelhos em abril, segundo informações da Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil).

Autor(es): Por Juliana Colombo | De São Paulo

Valor Econômico - 14/05/2012.