06/08/2008
Preocupados com a capacidade de caixa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não atender à forte demanda por crédito para fomentar o desenvolvimento econômico do País, empresários do setor de infra-estrutura vêem na abertura de fundos de investimento, especialmente voltados para grandes projetos de médio e longo prazos em transporte e logística, energia, saneamento básico, irrigação e telecomunicações, a principal saída para resolver gargalos da área.
Pelas projeções da Associação Brasileira da Infra-Estrutura e das Indústrias de Base (Abdib), o mercado de capitais brasileiro tem condições de constituir, no curto prazo, um patrimônio de até R$ 50 bilhões com captações dos Fundos de Investimento em Participações em Infra-Estrutura (FIP-IE). A operação desse tipo de mecanismo financeiro foi regulamentada em outubro do ano passado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por meio da Instrução 460, com base na Lei Federal nº 11.478. As regras dos FIP-IE estabelecem que o número mínimo de dez cotistas, com limite máximo de 20% do fundo para cada investidor e os setores em que o fundo poderá aplicar os recursos.
Para Paulo Godoy, presidente da Abdib, trata-se de uma alternativa ao funding do BNDES, que é tido como cada vez mais limitado em tempos de alta demanda. `O banco foi crucial para o avanço da infra-estrutura do País ao criar o conceito de project finance, que aceita o modelo de um projeto de longo prazo como a própria garantia de retorno de um financiamento, mas o funding do BNDES é uma preocupação, precisamos criar fundings alternativos`, afirma Godoy.
Apesar da regulamentação concedida pelo governo, Godoy confia no potencial dos FIP-IE. `Em termos de valor, o patrimônio dos fundos que existem hoje é muito baixo, cerca de R$ 5 bilhões, R$ 6 bilhões, sendo que podemos chegar a R$ 50 bilhões, o que também ajudaria a tarefa do BNDES de constituir novos fundings de longo prazo para fazer aplicações em infra-estrutura`.
Demanda forte
Tido como o principal banco de fomento dos setores industriais e de infra-estrutura, o BNDES demonstra em seu orçamento a pressão que sofre por causa dos efeitos do crescimento econômico. Nos últimos 12 meses encerrados em maio de 2008, as aprovações de liberação de crédito para projetos de diversos setores superam os desembolsos em R$ 33 bilhões.
Somente em infra-estrutura foram liberados, no mesmo período, financiamentos no valor total de R$ 32 bilhões e aprovados projetos que somam o valor total de R$ 48 bilhões.
Ralph Lima Terra, vice-presidente executivo da Abdib, acredita que a forma mais fácil para o BNDES ampliar seu funding seja através de captações soberanas no mercado financeiro internacional. `Em conversas com o professor Luciano [Coutinho, presidente do BNDES], ele entendeu que o momento é muito propício para fazer captação no mercado externo, tendo em vista que o mercado brasileiro de capitais tem uma expectativa muito positiva de avançar no sentido de ampliar sua capitalização. Ele também disse que as condições também são muito boas para as empresas brasileiras`, contou.
Terra atribui ao grau de investimento concedido ao País por duas agências internacionais de classificação de risco, em abril e maio, a avaliação do presidente do BNDES. `Foi uma notícia muito positiva. Os grandes investidores institucionais ficam observando as boas oportunidades de investimento, e as notícias recentes e os números da economia brasileira aceleram o processo de aumentar o interesse desses investidores de vir para o País`.
Em reunião com empresários ligados à Abdib, na última sexta-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, fez uma exposição sobre situação macroeconômica do País e disse que o governo está disposto a incentivar a expansão e os investimentos em infra-estrutura. `Existe uma agenda da Abdib com o Ministério da Fazenda que contempla questões tributárias, aperfeiçoamentos na legislação do setor de infra-estrutura e regras para melhorar o ambiente de negócios. Estamos trabalhando incessantemente para resolver problemas e gerar avanços, disse Mantega.
A Abdib alertou que os investimentos em infra-estrutura no País ainda estão abaixo das necessidades da economia. Segundo a entidade, no ano passado foram investidos R$ 84 bilhões no setor, frente à necessidade de R$ 108 bilhões. Mesmo assim, o ministro garantiu que os investimentos no setor chegarão aos R$ 100 bilhões até 2010.
Planos
Na semana passada, a Associação Brasileira da Infra-Estrutura e das Indústrias de Base (Abdib) lançou um esforço para identificar novas modalidades de financiamento para empreendimentos em infra-estrutura e criar produtos financeiros já adotados em outros países para investimentos em infra-estrutura no Brasil.
Fonte: Jornal DCI
05/08/08
Pelas projeções da Associação Brasileira da Infra-Estrutura e das Indústrias de Base (Abdib), o mercado de capitais brasileiro tem condições de constituir, no curto prazo, um patrimônio de até R$ 50 bilhões com captações dos Fundos de Investimento em Participações em Infra-Estrutura (FIP-IE). A operação desse tipo de mecanismo financeiro foi regulamentada em outubro do ano passado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por meio da Instrução 460, com base na Lei Federal nº 11.478. As regras dos FIP-IE estabelecem que o número mínimo de dez cotistas, com limite máximo de 20% do fundo para cada investidor e os setores em que o fundo poderá aplicar os recursos.
Para Paulo Godoy, presidente da Abdib, trata-se de uma alternativa ao funding do BNDES, que é tido como cada vez mais limitado em tempos de alta demanda. `O banco foi crucial para o avanço da infra-estrutura do País ao criar o conceito de project finance, que aceita o modelo de um projeto de longo prazo como a própria garantia de retorno de um financiamento, mas o funding do BNDES é uma preocupação, precisamos criar fundings alternativos`, afirma Godoy.
Apesar da regulamentação concedida pelo governo, Godoy confia no potencial dos FIP-IE. `Em termos de valor, o patrimônio dos fundos que existem hoje é muito baixo, cerca de R$ 5 bilhões, R$ 6 bilhões, sendo que podemos chegar a R$ 50 bilhões, o que também ajudaria a tarefa do BNDES de constituir novos fundings de longo prazo para fazer aplicações em infra-estrutura`.
Demanda forte
Tido como o principal banco de fomento dos setores industriais e de infra-estrutura, o BNDES demonstra em seu orçamento a pressão que sofre por causa dos efeitos do crescimento econômico. Nos últimos 12 meses encerrados em maio de 2008, as aprovações de liberação de crédito para projetos de diversos setores superam os desembolsos em R$ 33 bilhões.
Somente em infra-estrutura foram liberados, no mesmo período, financiamentos no valor total de R$ 32 bilhões e aprovados projetos que somam o valor total de R$ 48 bilhões.
Ralph Lima Terra, vice-presidente executivo da Abdib, acredita que a forma mais fácil para o BNDES ampliar seu funding seja através de captações soberanas no mercado financeiro internacional. `Em conversas com o professor Luciano [Coutinho, presidente do BNDES], ele entendeu que o momento é muito propício para fazer captação no mercado externo, tendo em vista que o mercado brasileiro de capitais tem uma expectativa muito positiva de avançar no sentido de ampliar sua capitalização. Ele também disse que as condições também são muito boas para as empresas brasileiras`, contou.
Terra atribui ao grau de investimento concedido ao País por duas agências internacionais de classificação de risco, em abril e maio, a avaliação do presidente do BNDES. `Foi uma notícia muito positiva. Os grandes investidores institucionais ficam observando as boas oportunidades de investimento, e as notícias recentes e os números da economia brasileira aceleram o processo de aumentar o interesse desses investidores de vir para o País`.
Em reunião com empresários ligados à Abdib, na última sexta-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, fez uma exposição sobre situação macroeconômica do País e disse que o governo está disposto a incentivar a expansão e os investimentos em infra-estrutura. `Existe uma agenda da Abdib com o Ministério da Fazenda que contempla questões tributárias, aperfeiçoamentos na legislação do setor de infra-estrutura e regras para melhorar o ambiente de negócios. Estamos trabalhando incessantemente para resolver problemas e gerar avanços, disse Mantega.
A Abdib alertou que os investimentos em infra-estrutura no País ainda estão abaixo das necessidades da economia. Segundo a entidade, no ano passado foram investidos R$ 84 bilhões no setor, frente à necessidade de R$ 108 bilhões. Mesmo assim, o ministro garantiu que os investimentos no setor chegarão aos R$ 100 bilhões até 2010.
Planos
Na semana passada, a Associação Brasileira da Infra-Estrutura e das Indústrias de Base (Abdib) lançou um esforço para identificar novas modalidades de financiamento para empreendimentos em infra-estrutura e criar produtos financeiros já adotados em outros países para investimentos em infra-estrutura no Brasil.
Fonte: Jornal DCI
05/08/08