Importações brasileiras batem recorde em agosto

02/09/2008
Influenciadas pela entrada de bens de consumo, preços do petróleo e dólar favorável, as importações brasileiras avançaram em agosto, atingindo volume recorde de US$ 17,48 bilhões -no ano, somam US$ 113,94 bilhões. No mês passado, as exportações chegaram a US$ 19,75 bilhões e, de janeiro a agosto, a US$ 130,84 bilhões.

O resultado foi uma queda de 37,7% no superávit comercial em relação aos oito primeiros meses de 2007. O saldo da balança, que auxilia o governo a fechar as contas externas do país, caiu de US$ 27,46 bilhões, de janeiro a agosto de 2007, para US$ 16,91 bilhões, neste ano. Em agosto, o superávit foi de US$ 2,27 bilhões.

A tendência, para os próximos meses, é de redução maior do superávit comercial. Tradicionalmente, as exportações diminuem o ritmo nos últimos meses do ano, justamente quando aumentam as importações. Especialistas ouvidos pela Folha discordam do cenário para o restante do ano. Para Francisco Pessoa, economista da LCA Consultores, as importações se aproximam de um teto, levando em conta, entre outros fatores, a expansão do crédito no país. `As importações estão chegando a um pico, claro que com oscilações.`

Para o presidente da Sobeet (Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais), Luis Afonso Lima, `a situação não é dramática` como às vésperas da desvalorização cambial de 1999, mas é preciso ficar atento. `Se a gente quisesse suavizar, daria para promover uma restrição pontual ao crédito para evitar essa importação de bens de consumo.` Dados compilados por Lima indicam que as importações de bens de consumo, além de crescerem bastante, estão acelerando esse crescimento com maior quantidade de produtos importados a cada mês. Na outra ponta, a indústria nacional vem diminuindo a quantidade de produtos vendidos lá fora.

O governo rebate. Para o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, a tendência das importações é extremamente favorável, por ser composta em sua maioria de bens de capital e matérias-primas. Ele comemorou a expansão de 29,3% nas vendas externas de janeiro a agosto, a maior desde 2004. `É uma expansão impressionante e dentro da meta do governo de elevar a participação do Brasil no comércio mundial.` Nos 12 meses terminados em agosto, as exportações subiram 25,5%, taxa bastante superior à das exportações mundiais, que devem crescer 15,3% neste ano. A meta oficial é atingir 1,25% do comércio global até o final do governo Lula. O ritmo das exportações também levou o governo a reavaliar a meta de vendas para este ano, fixada em US$ 190 bilhões. O novo número será anunciado em breve.

Durante a apresentação dos dados, Barral destacou a corrente de comércio com a China, que está em segundo lugar nas importações brasileiras. De janeiro a agosto, o Brasil exportou US$ 11,92 bilhões para a China e US$ 18,4 bilhões aos EUA. Mas o ritmo indica que a China pode desbancar os norte-americanos. As exportações para a China crescem à taxa de 67,7% no ano, contra 13,8% de expansão para os EUA.

Repórter: IURI DANTAS

Fonte: Folha de S. Paulo

2/9/2008.