Indústria cresce acima do previsto

03/09/2008
Impulsionada pela construção civil e pelos investimentos em alta, a produção industrial cresceu acima do previsto em julho. Na comparação com junho, houve aumento de 1%. Em relação a julho do ano passado, a expansão chegou a 8,5%.

Economistas ouvidos pela Folha esperavam avanço mais modesto no começo deste semestre, mas afirmam que até o fim do ano a atividade industrial ainda deverá sofrer os efeitos do aperto monetário promovido pelo Banco Central e da base alta de comparação -o segundo semestre de 2007 foi de forte expansão.

Para Silvio Sales, coordenador de Indústria do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), os dados confirmam o perfil de expansão da indústria baseado em bens de capital (máquinas e equipamentos) e bens de consumo duráveis (móveis e eletrodomésticos), mas já sinalizam um crescimento maior dos bens intermediários (insumos industriais), que representam quase 60% do setor. No ano, a indústria acumula avanço de 6,6%.

Em julho, os bens de capital tiveram altas de 1,2% na comparação com junho e de 22,3% em relação a julho do ano passado. Para o Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), a dianteira na produção de máquinas e equipamentos vai gerar a capacidade de produção adicional para acomodar, sem inflação, o crescimento da demanda. Os bens intermediários cresceram 1,1% em relação a junho e 7,5% na comparação com julho do ano passado. `O próprio crescimento da indústria de bens finais impulsiona a produção de bens intermediários. Além disso, o maior crescimento da construção civil, o bom desempenho da exportação de commodities metálicas e a demanda do setor agrícola por insumos explicam essa expansão`, disse Sales.

O crescimento da atividade industrial em julho também foi influenciado pelo efeito calendário, com um dia útil a mais. Mesmo assim, a produção de bens duráveis recuou 5,2% na comparação com junho, apesar de ainda registrar alta de 9,8% em relação a julho de 2007. Segundo Sales, a indústria ainda segue imune aos efeitos da alta dos juros (estão em 13% ao ano), mas os bens duráveis podem ter sido afetados pela maior importação, principalmente de eletrodomésticos. No segundo trimestre, as importações haviam crescido 70%. O crescimento maior do que o previsto não levou, por enquanto, à revisão de estimativas para o ano. `Esperamos pequena desaceleração da indústria do terceiro para o quarto trimestre. Comparando com o último aperto monetário, no entanto, desta vez a taxa de investimento é maior, a demanda tem se mantido estável com crescimento da formalização, o que leva a crer que os efeitos na atividade serão mais suaves`, afirma Leonardo Mello de Carvalho, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), órgão ligado ao governo, que prevê alta de 5% a 6,2% para o setor neste ano.

Repórter: JANAINA LAGE

Fonte: Folha de S. Paulo

3/9/2008.