22/10/2008
O Fundo Monetário Internacional (FMI) aponta para os riscos que o crescimento dos gastos primários correntes em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) representam para o País, mesmo após constatar que tanto `o Brasil quanto o Peru elevaram as metas de superávit primário significativamente` em 2008.
`No entanto, o crescimento dos gastos primários correntes em relação ao PIB representa alguns riscos fiscais`, advertiu o FMI no relatório para a região do Hemisfério Ocidental, que compreende as Américas, divulgado hoje. `Estímulo adicional de gastos não seria aconselhável em grande parte dos países na região (da América Latina e Caribe) no caso de um declínio (do crescimento) mais acentuado do que o esperado.`
O Fundo diz que a política fiscal na região da América Latina e Caribe precisa ser `reequilibrada` para conter o crescimento dos gastos e manter o posicionamento fiscal inalterado, permitindo que a política monetária desempenhe o principal papel contracíclico.
Também, em diversos países, o choque global em andamento começa a criar algumas pressões sobre o financiamento dos governos, segundo o Fundo. Isto soma-se à necessidade de cautela com os gastos. Se os riscos ao crescimento se materializarem, o documento cita que há espaço para países que construíram credibilidade permitirem que a receita diminua sem cortar gastos.
O FMI faz a advertência, porém, para o caso de a desaceleração no crescimento se juntar novamente a uma maior aversão ao risco no mundo. Nesta situação, diz o Fundo, condições mais apertadas de financiamento podem impedir afrouxamento das condições fiscais. Segundo o FMI, o rápido crescimento dos gastos na região ao longo dos anos recentes é provavelmente percebido como permanente. Gasto maior poderia minar a credibilidade da estrutura fiscal, podendo ter implicação para o crescimento no médio prazo, prevê.
Derivativos
O Fundo Monetário Internacional afirmou que é escassa a evidência de que as operações com derivativos no Brasil foram mais usados para o propósito de hedge, em vez de especulação.
O Fundo reconhece a possibilidade de que atividades que não aparecem no balanço corporativo aumentem a exposição ao risco quando não são usadas para hedge, mas, sim, para especular. `Muito recentemente, algumas empresas no Brasil e no México incorreram em perdas significativas em posições de derivativos em moeda estrangeira quando a moeda se depreciou em outubro. É preciso mais divulgação de informação para entender o impacto das transações fora de balanços sobre a exposição das empresas a moedas estrangeiras, especialmente opções`, avalia o FMI.
Ironicamente, o Fundo observa que, desde 1990, o setor corporativo na região da América Latina, no geral, tem reduzido a exposição ao risco cambial, usando operações de hedge para compensar a variação do dólar no portfólio de dívida. `Com gerenciamento efetivo da exposição cambial, as empresas podem reduzir custos de capital ou sustentar mais alavancagem financeira sem incorrer em risco financeiro, um pilar para crescimento econômico sustentado`, diz o FMI.
Prioridades
Diante dos riscos derivados da turbulência global para a região da América Latina e Caribe (LAC, na sigla em inglês), o FMI enumerou uma lista que classificou como `prioridades essenciais` para a região. No relatório regional divulgado hoje, o Fundo cita a preservação do sistema financeiro na LAC como o primeiro item da lista. Na seqüência aparece preservar as conquistas na área de inflação.`Primeiro é chave preservar o funcionamento eficiente e adequado dos sistemas financeiros, lidando de forma preventiva com os riscos ligados à liquidez ou qualidade de ativos.`
Em segundo lugar, o FMI enumera que é importante preservar os ganhos duramente obtidos na arena da inflação. `Os bancos centrais vão precisar manter uma comunicação ativa com os mercados sobre os desafios à política, especialmente sobre o curso futuro da inflação, para manter as expectativas bem ancoradas`. O Fundo cita que isto é `essencialmente importante` para países onde a demanda doméstica tem crescido muito acima da tendência e a inflação tem ficado acima da meta.
O terceiro ponto mencionado pelo Fundo é o aviso de que a situação fiscal provavelmente vai ficar sob estresse em um momento em que haverá maior necessidade de manter uma rede de segurança `robusta` para as famílias de baixa renda que seriam afetadas pela desaceleração da economia. Isto exigirá uma estratégia `mais focada` para os gastos fiscais para garantir que as necessidades essenciais possam ser alcançadas, enquanto também se acomoda exigências adicionais de financiamento, segundo Fundo.
Fonte: O Estado de São Paulo
Repórter: Nalu Fernandes
Em 22/10/2008.
`No entanto, o crescimento dos gastos primários correntes em relação ao PIB representa alguns riscos fiscais`, advertiu o FMI no relatório para a região do Hemisfério Ocidental, que compreende as Américas, divulgado hoje. `Estímulo adicional de gastos não seria aconselhável em grande parte dos países na região (da América Latina e Caribe) no caso de um declínio (do crescimento) mais acentuado do que o esperado.`
O Fundo diz que a política fiscal na região da América Latina e Caribe precisa ser `reequilibrada` para conter o crescimento dos gastos e manter o posicionamento fiscal inalterado, permitindo que a política monetária desempenhe o principal papel contracíclico.
Também, em diversos países, o choque global em andamento começa a criar algumas pressões sobre o financiamento dos governos, segundo o Fundo. Isto soma-se à necessidade de cautela com os gastos. Se os riscos ao crescimento se materializarem, o documento cita que há espaço para países que construíram credibilidade permitirem que a receita diminua sem cortar gastos.
O FMI faz a advertência, porém, para o caso de a desaceleração no crescimento se juntar novamente a uma maior aversão ao risco no mundo. Nesta situação, diz o Fundo, condições mais apertadas de financiamento podem impedir afrouxamento das condições fiscais. Segundo o FMI, o rápido crescimento dos gastos na região ao longo dos anos recentes é provavelmente percebido como permanente. Gasto maior poderia minar a credibilidade da estrutura fiscal, podendo ter implicação para o crescimento no médio prazo, prevê.
Derivativos
O Fundo Monetário Internacional afirmou que é escassa a evidência de que as operações com derivativos no Brasil foram mais usados para o propósito de hedge, em vez de especulação.
O Fundo reconhece a possibilidade de que atividades que não aparecem no balanço corporativo aumentem a exposição ao risco quando não são usadas para hedge, mas, sim, para especular. `Muito recentemente, algumas empresas no Brasil e no México incorreram em perdas significativas em posições de derivativos em moeda estrangeira quando a moeda se depreciou em outubro. É preciso mais divulgação de informação para entender o impacto das transações fora de balanços sobre a exposição das empresas a moedas estrangeiras, especialmente opções`, avalia o FMI.
Ironicamente, o Fundo observa que, desde 1990, o setor corporativo na região da América Latina, no geral, tem reduzido a exposição ao risco cambial, usando operações de hedge para compensar a variação do dólar no portfólio de dívida. `Com gerenciamento efetivo da exposição cambial, as empresas podem reduzir custos de capital ou sustentar mais alavancagem financeira sem incorrer em risco financeiro, um pilar para crescimento econômico sustentado`, diz o FMI.
Prioridades
Diante dos riscos derivados da turbulência global para a região da América Latina e Caribe (LAC, na sigla em inglês), o FMI enumerou uma lista que classificou como `prioridades essenciais` para a região. No relatório regional divulgado hoje, o Fundo cita a preservação do sistema financeiro na LAC como o primeiro item da lista. Na seqüência aparece preservar as conquistas na área de inflação.`Primeiro é chave preservar o funcionamento eficiente e adequado dos sistemas financeiros, lidando de forma preventiva com os riscos ligados à liquidez ou qualidade de ativos.`
Em segundo lugar, o FMI enumera que é importante preservar os ganhos duramente obtidos na arena da inflação. `Os bancos centrais vão precisar manter uma comunicação ativa com os mercados sobre os desafios à política, especialmente sobre o curso futuro da inflação, para manter as expectativas bem ancoradas`. O Fundo cita que isto é `essencialmente importante` para países onde a demanda doméstica tem crescido muito acima da tendência e a inflação tem ficado acima da meta.
O terceiro ponto mencionado pelo Fundo é o aviso de que a situação fiscal provavelmente vai ficar sob estresse em um momento em que haverá maior necessidade de manter uma rede de segurança `robusta` para as famílias de baixa renda que seriam afetadas pela desaceleração da economia. Isto exigirá uma estratégia `mais focada` para os gastos fiscais para garantir que as necessidades essenciais possam ser alcançadas, enquanto também se acomoda exigências adicionais de financiamento, segundo Fundo.
Fonte: O Estado de São Paulo
Repórter: Nalu Fernandes
Em 22/10/2008.