13/11/2008
Diante das dificuldades com a crise global, a Petrobras encerrou a fase de perfurações de poços no pólo do pré-sal na bacia de Santos e parte agora para desenvolver a produção de óleo nas mais promissoras descobertas da empresa. Para tal, arrendará duas plataformas com capacidade de 100 mil barris/ dia cada.
`No pólo do pré-sal de Santos, já foram perfurados nove poços. Todos com sucesso. Com isso, damos por encerrada essa primeira fase exploratória`, disse Almir Barbassa, diretor financeiro da Petrobras ontem em reunião com analistas. Ele afirmou que começa agora o trabalho `para alocar duas novas plataformas` nos campos descobertos na região. As unidades, diz, não `têm ainda um destino certo`, mas iniciarão operação entre 2012 e 2013.
Outra plataforma foi contratada para começar a produzir antecipadamente 100 mil barris/dia em 2012 nos campos de Tupi e Iara -os dois únicos com reservas dimensionadas, que variam de 7 bilhões a 12 bilhões de barris. As reservas atuais do país são de 14 bilhões.
Barbassa não citou diretamente o pré-sal nem disse que a crise antecipou o fim da fase exploratória, mas afirmou que o esforço da companhia neste momento de crise é investir nos projetos que possam gerar caixa mais rapidamente.
Tal conceito se adequa ao pré-sal, especialmente aos campos já descobertos, onde não há necessidade de arcar com custos de novas perfurações. Cada poço custa, em média, US$ 70 milhões. Nos nove poços já perfurados, a estatal investiu US$ 1,5 bilhão. Segundo a companhia, não é possível quantificar o tamanho do corte de custos com a interrupção das explorações, porque não havia estimativa de investimento nos blocos nessa fase.
Em resposta à preocupação demostrada por alguns analistas, Barbassa disse que a forte queda do preço do petróleo não inviabiliza as descobertas do pré-sal. `Os projetos são rentáveis até mesmo com preços menores do que os vigentes atualmente no mercado.` Entre analistas, existe o receio de que as reservas deixem de ser economicamente viáveis com o petróleo abaixo dos US$ 60 -o barril fechou ontem a US$ 56,16.
Por conta da crise financeira, a Petrobras pretende `revisitar` seus projetos, de forma a priorizar aqueles que tenham maior rentabilidade.
`Temos excesso de projetos. A orientação é dar prioridade àqueles que tragam mais geração de caixa.` Barbassa, porém, não especificou quais poderiam ser alvo de cortes. As ações da empresa caíram 13,75% ontem, um dia depois de anúncio do lucro recorde de R$ 10,9 bilhões no terceiro trimestre.
A Petrobras deve investir neste ano R$ 50 bilhões. Até agora, já foram executados R$ 34 bilhões. Segundo Barbassa, a empresa já fez `captações importantes` mesmo depois do recrudescimento da crise.
No ano que vem, Barbassa diz ser possível captar algo entre US$ 5 bilhões e US$ 10 bilhões. Os investimentos para o ano que vem devem se manter no mesmo patamar deste ano.
Repórter: PEDRO SOARES
Fonte: Folha de S. Paulo
- 13/11/2008.
`No pólo do pré-sal de Santos, já foram perfurados nove poços. Todos com sucesso. Com isso, damos por encerrada essa primeira fase exploratória`, disse Almir Barbassa, diretor financeiro da Petrobras ontem em reunião com analistas. Ele afirmou que começa agora o trabalho `para alocar duas novas plataformas` nos campos descobertos na região. As unidades, diz, não `têm ainda um destino certo`, mas iniciarão operação entre 2012 e 2013.
Outra plataforma foi contratada para começar a produzir antecipadamente 100 mil barris/dia em 2012 nos campos de Tupi e Iara -os dois únicos com reservas dimensionadas, que variam de 7 bilhões a 12 bilhões de barris. As reservas atuais do país são de 14 bilhões.
Barbassa não citou diretamente o pré-sal nem disse que a crise antecipou o fim da fase exploratória, mas afirmou que o esforço da companhia neste momento de crise é investir nos projetos que possam gerar caixa mais rapidamente.
Tal conceito se adequa ao pré-sal, especialmente aos campos já descobertos, onde não há necessidade de arcar com custos de novas perfurações. Cada poço custa, em média, US$ 70 milhões. Nos nove poços já perfurados, a estatal investiu US$ 1,5 bilhão. Segundo a companhia, não é possível quantificar o tamanho do corte de custos com a interrupção das explorações, porque não havia estimativa de investimento nos blocos nessa fase.
Em resposta à preocupação demostrada por alguns analistas, Barbassa disse que a forte queda do preço do petróleo não inviabiliza as descobertas do pré-sal. `Os projetos são rentáveis até mesmo com preços menores do que os vigentes atualmente no mercado.` Entre analistas, existe o receio de que as reservas deixem de ser economicamente viáveis com o petróleo abaixo dos US$ 60 -o barril fechou ontem a US$ 56,16.
Por conta da crise financeira, a Petrobras pretende `revisitar` seus projetos, de forma a priorizar aqueles que tenham maior rentabilidade.
`Temos excesso de projetos. A orientação é dar prioridade àqueles que tragam mais geração de caixa.` Barbassa, porém, não especificou quais poderiam ser alvo de cortes. As ações da empresa caíram 13,75% ontem, um dia depois de anúncio do lucro recorde de R$ 10,9 bilhões no terceiro trimestre.
A Petrobras deve investir neste ano R$ 50 bilhões. Até agora, já foram executados R$ 34 bilhões. Segundo Barbassa, a empresa já fez `captações importantes` mesmo depois do recrudescimento da crise.
No ano que vem, Barbassa diz ser possível captar algo entre US$ 5 bilhões e US$ 10 bilhões. Os investimentos para o ano que vem devem se manter no mesmo patamar deste ano.
Repórter: PEDRO SOARES
Fonte: Folha de S. Paulo
- 13/11/2008.