Consumo de gás cresce 3% em março e tem primeira alta do ano

29/04/2009
O consumo brasileiro de gás natural caiu 32,5% em março deste ano na comparação com o mesmo mês de 2008, somando 34,4 milhões de metros cúbicos diários, informou a Associação Brasileira das Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás). Em relação a fevereiro, a demanda de março subiu 3%, `alavancada pelos segmentos industrial e elétrico`, disse a Abegás. Foi a primeira alta mensal do ano - janeiro e fevereiro registraram queda no consumo do combustível.

`A expressiva taxa de queda observada na comparação anual se deu, sobretudo, por conta do excessivo acionamento de térmicas a gás no início do ano passado, o que não se repetiu em 2009, ocasionando recuo no consumo do combustível`, avaliou Marcelo Parodi, presidente da Comerc.

Segundo dados do mercado, no primeiro trimestre de 2008 (período em que as chuvas foram abaixo da expectativa e as usinas térmicas foram acionadas para evitar um possível novo apagão energético) foram despachados cerca de 4 mil megawatts de térmicas a gás natural. Nos três primeiros meses deste ano, o montante não superou 1 mil megawatt.

De acordo com dados da Abegás, o setor elétrico reduziu a demanda de gás em 55,01% em março de 2009 sobre igual período do ano passado. O segmento industrial diminuiu o consumo em 28,92% no mesmo intervalo.Comparação mensalO aumento de 3% no consumo brasileiro de gás natural registrada na comparação de março com fevereiro foi classificada pela Abegás como uma tentativa de o mercado (principalmente a indústria) reagir diante da crise financeira mundial.

`A média de crescimento do consumo ainda é pequena`, afirmou a Abegás por meio de comunicado. `O crescimento em março sobre fevereiro demonstra um aquecimento da atividade industrial no País`, comentou Parodi. `Não sabemos se é uma retomada da indústria ou se é uma correção de estoques, por exemplo, já que a atividade produtiva brasileira estava muito amena nos meses anteriores`, frisou o especialista da Comerc, que vende eletricidade a grandes consumidores membros do mercado livre (ambiente em que não há vínculo com uma distribuidora).

Mais confiança

O executivo da comercializadora comenta também que os clientes de sua empresa já demonstram sinais de aumento de confiança na economia nacional. `Os consumidores têm nos consultado com o intuito de contratar eletricidade para 2010, fato que não estava ocorrendo desde o início da crise financeira mundial (em setembro de 2008)`, disse. `É um sinal de otimismo do setor produtivo`, avaliou.

Residencial e comercial

Segundo a Abegás, à exceção das indústrias e das termelétricas, todos os segmentos apresentaram índices de retração. A maior queda foi no residencial, com - 6,56%, seguido por cogeração (- 2,96%) e comercial (- 0,99). A Associação disse que, `no segmento residencial, há o impacto da sazonalidade, após o período de férias é comum a redução do consumo neste segmento`. A leve queda no setor é reflexo da redução da atividade econômica.

Autor(es): Roberta Scrivano

Gazeta Mercantil - 29/04/2009.