Crise aérea eleva fluxo de veículos nas rodovias

06/07/2007
Desde o início da crise aérea no país, o fluxo de veículos nas rodovias federais cresceu cerca de 20%. A demanda trouxe como principal conseqüência o aumento da violência no trânsito. De 1º de janeiro a 4 de julho deste ano, o número de acidentes nas rodovias federais aumentou 26,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), 283 pessoas morreram e 1.970 ficaram feridas em 3.211 ocorrências. Em 2006, foram 2.678 acidentes com 208 mortes e 1.648 feridos.

De acordo com a chefe de comunicação da PRF, Emmanuela Schwartz, nos finais de semana e feriados o fluxo atinge picos de 40% de aumento. `Muita gente tem optado pelas rodovias para fugir dos transtornos da crise aérea, o que implica em maior atenção no trânsito`, salienta. Ela alerta que o número de carros nas rodovias federais aumentou consideravelmente nos meses de junho e julho, época de férias.

A crise nos aeroportos prejudicou as viagens aéreas, neste período, e aumentou ainda mais a demanda nas rodovias. Para conter o aumento da violência no tráfego das BRs, a PRF reforçou as fiscalizações com a Operação Férias Escolares. De 29 de junho até ontem foram registrados 136 acidentes com 109 feridos e 17 mortos. Durante os 30 dias de operação do ano passado, foram registradas 478 ocorrências com 303 feridos e 43 mortos.

`A Operação Férias Escolares registra um intenso volume de tráfego nas rodovias federais do estado, porque a Bahia é uma rota turística, sendo um dos principais roteiros de viagem de turistas do Sul e Sudeste do país`, ressalta a chefe de comunicação. Durante este período, há um grande fluxo pelas BRs 101, 116 (Rio-Bahia) e 324.

A imprudência dos motoristas, entretanto, ainda é apontada como o principal fator para a elevação dos índices de ocorrências, correspondendo a 95% dos casos. Schwartz afirma também que os acidentes estão acontecendo em função do aumento da frota de veículos em todo o país - graças ao aquecimento da indústria automobilística - e da boa condição da pavimentação das rodovias. `A maioria das rodovias foi recuperada e está em boas condições, o que implica para os motoristas maior velocidade e, consequentemente, o risco de acidentes mais graves`, ressalta. Outra iniciativa da PRF para reduzir o número de acidentes é a implantação de uma campanha de mobilização nacional de educação no trânsito com engajamento de diversos segmentos da sociedade.

O quadro alarmante se repete nas rodovias estaduais. De 1º de janeiro a maio deste ano, o número de acidentes nas rodovias federais aumentou 26,22% em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo dados da Polícia Rodoviária Estadual (PRE), 2.122 pessoas morreram e 914 ficaram feridas em 1.520 ocorrências. Em 2006, foram 1.231 acidentes com 90 mortes e 750 feridos.

O comandante do Policiamento Especializado da Polícia Militar, coronel Wellington Miller, reafirma a imprudência dos motoristas como principal fator de risco. `Os motoristas não se preparam psicologicamente para viajar e transformam o carro numa arma. Eles extravasam com a velocidade, as bebidas alcoólicas e na falta de manutenção dos veículos. De acordo com o comandante, os trechos das rodovias estaduais com maiores índices de acidentes são a Ponte do Funil e o município de Camassandi, na BA-001 e trecho de Pojuca na BA-093.2

Fonte: Jornal Correio da Bahia

Repórter: Cilene Brito

06/07/07