Crise mundial eleva preço do dólar e assusta mercado

15/08/2007
A crise internacional que faz estragos mundo afora empurrou ontem o preço do dólar para próximo dos R$ 2. Investidores estrangeiros que venderam ações no Brasil na quinta e na sexta-feiras passadas para cobrir prejuízos no exterior foram em peso em busca da moeda americana para retirar os recursos do país. Com a demanda aquecida, o dólar chegou a ser cotado a R$ 1,991, mas encerrou a terça-feira valendo R$ 1,985 para venda, com valorização de 2,16%. Foi a maior cotação desde maio último. A subida do dólar foi tão forte que o Banco Central, pela primeira vez em quase um ano, não realizou seu tradicional leilão de compra de divisas. Do início do mês até ontem, o dólar subiu quase 6%.

A preocupação do BC foi não adicionar mais pressão ao câmbio. A instituição sabe que uma elevação mais forte do dólar pode contaminar a inflação e exigir um arrocho maior na política de juros. A interpretação dentro do governo é de que, mesmo que o dólar não se sustente nos atuais preços, somente a expectativa no mercado de que as cotações têm espaço para subir poderá contaminar a inflação, ao detonar um movimento preventivo de remarcação de preços. `O BC fez um excelente negócio em não intervir no mercado. Neste momento de tanta incerteza, é melhor não estimular movimentos artificiais`, destacou Flávio Serrano, economista-chefe da Corretora López León.

Longe demais

Apesar das preocupações dentro governo com o impacto da alta do dólar sobre a inflação, houve quem comemorasse a disparada dos preços da moeda americana. Foi o caso do economista Paulo Nogueira Batista Jr., representante do Brasil no Fundo Monetário Internacional (FMI). Ao participar ontem da posse de Márcio Pochmann na presidência do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ele disparou: `Foi preciso que o mundo viesse abaixo para resolver a questão do câmbio no Brasil. Espero que pelo menos esse benefício a crise traga. A valorização do real já foi longe demais`.

Para o analista de investimentos da Elite Corretora, Alexandre Marques Filho, com a inflação pressionada pelos alimentos e uma crise financeira que pode contaminar a economia real, não é o momento de se torcer pela alta do dólar. A seu ver, o melhor é que a moeda fique oscilando entre R$ 1,85 e R$ 1,90. `Felizmente, o BC dispõe de quase US$ 160 bilhões em reservas cambiais para conter qualquer movimento mais forte.` Junto com o dólar, subiu o risco-país, índice que mede o humor dos investidores estrangeiro em relação ao Brasil. A taxa bateu nos 197 pontos, com alta de 3,69%.

Fonte: Correio Braziliense

Vicente Nunes

Em 15/08/2007.