39% das cargas baianas deixam de ser escoadas pelos portos baianos

04/12/2007
reuniao_portos_031207.jpg A Bahia responde por 57% da movimentação de cargas do Nordeste. Este número poderia ser ainda maior se os três portos públicos existentes no Estado (Aratu, Salvador e Ilhéus) tivessem um calado maior, o que permitiria a Bahia se tornar porta de entrada de grandes navios.

No Estado, a carga de contêineres cresce 17% ao ano, mas a falta de condições de atender a grande demanda faz com que 681 mil toneladas de produtos baianos sejam escoados por portos de outros estados (Ceará, Pernambuco, Rio de Janeiro e Vitória), o equivalente a 39% da carga baiana. Este impasse foi tema de discussão durante o 3º Encontro Anual de Usuários dos Portos, realizado nesta segunda-feira (3), no Comércio, com a presença do secretário-adjunto da Secretaria Especial de Portos, José Roberto Serra.

A valorização econômica dos portos baianos significa dar maior competitividade. E, por este motivo, o governo do Estado tem trabalhado durante estes 11 meses para conseguir o aporte de R$ 135 milhões - provenientes do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) - em obras de dragagem de aprofundamento nos portos de Aratu, Salvador e Ilhéus.

De acordo com o secretário estadual de Infra-estrutura, Antonio Carlos Batista Neves, as obras de dragagem não podem mais esperar. Por este motivo, ele defende que a licitação seja feita diretamente pelo governo do Estado e não através do Plano Nacional de Dragagem - que prevê obras nos principais portos do Brasil, sendo que a empresa que ganhar a licitação ficaria responsável pela manutenção por cinco anos.

Durante o encontro, que foi promovido pela Usuport (Associação dos Usuários dos Portos da Bahia), o secretário-adjunto José Roberto fez uma palestra sobre 'As ações do governo federal para a Bahia'. Na lista das reclamações dos empresários, estão a necessidade de se construir um segundo terminal de contêineres no porto de Salvador para evitar a fuga de cargas para outros portos brasileiros e o congestionamento de navios na entrada do porto baiano.

E é exatamente neste contexto que o governo do Estado está trabalhando. Além das obras de dragagem, os portos de Salvador e Ilhéus também passarão por obras de ampliação. Na capital, R$ 150 milhões serão investidos na construção de dois berços de atracação, com retro-área e prolongamento do quebra-mar na direção Norte, com profundidade de 15 metros e área de 120 mil m². Este novo terminal de contêineres dará condições para navios acima de 300 metros de comprimento e 200 mil toneladas. O projeto está pronto e a licitação está prevista para início de 2008.

Já em Ilhéus, estão previstos R$ 100 milhões para a construção do berço de atracação com profundidade de 12 metros e implantação de retro-área de 100 mil m². Ainda entre Ilhéus e Itacaré, um novo porto será construído para atender a Ferrovia de Integração Oeste-Leste. O local foi escolhido por apresentar um calado natural de 19 metros de profundidade, o que não acarretará problemas ambientais, além de um sítio para retro-área grande. O novo porto, que será construído pela iniciativa privada, está a cargo da Bahia Mineração (BML) e as obras deverão ser iniciadas em 2008.

Via expressa - O governo da Bahia, também através do PAC, investirá em outro grande projeto. Cerca de R$ 190 milhões serão destinados para a construção da Via Expressa Portuária, cujas obras deverão ser iniciadas em 2008. O projeto que prevê a implantação de uma via expressa de 5,1 km, exclusiva para veículos pesados, que interligará a retro-área a ser implantada nas margens da BR 324 ao porto de Salvador. A via expressa tem implantação projetada para as áreas de grande complexidade viária e densamente povoadas, passando pela BR 324 (Acesso Norte), Rótula do Abacaxi, Barros Reis, Largo Dois Leões, Estrada da Rainha até chegar no Porto de Salvador.

Estão previstas, entre outras obras de engenharia de grande porte, a construção de viadutos e túneis, estabilização de taludes, drenagem e desapropriações. A execução do projeto está previsto para o início de 2008.

Fonte: Ascom/Seinfra