Os Conselheiros e as Conselheiras do Conselho Estadual de Educação da Bahia manifestam seu mais sincero pesar em razão do falecimento do historiador e grande referência da História da Cultura Negra no Brasil, escritor e professor da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) e do Instituto Federal de Educação (Ifba, antigo Cefet – BA), Jaime Santana Sodré Pereira, em Salvador, Bahia, ocorrido no dia 06 de agosto do ano em curso.
Nascido em 19 de fevereiro de 1947, na cidade de Salvador – Bahia, diplomado pela escola de Belas Artes da UFBA, onde concluiu o curso de desenho Geométrico, em 1975, Sodré era mestre em Teoria e História da Arte, com trabalho sobre a influência da religião afro – brasileira, e era doutor em História da Cultura Negra.
Pesquisador de herança rítmica, religiosa e cultural de matriz africana na sociedade brasileira, Sodré publicou diversos livros sobre a temática, como: A influência da religião afro – brasileira na obra escultórica de Mestre Didi, em 2006, fruto da sua dissertação de mestrado, e Da diabolização à divinização: a criação do senso comum, em 2010. Foi, também, membro do comitê de ética da UFBA , colaborador do Centro Estudos Afro-orientais, fez parte do Conselho do Olodum (1990/2000) e, em 2012, participou da Festa Literária de Cachoeira (Flica), na mesa “A diáspora e seu avesso”, mediada pelo nosso saudoso educador Jorge Portugal, que nos deixou recentemente.
Fortemente abotoado a comunidade Tradicional do Terreiro ZoogodôBogumRundô – o terreiro do Bogum, foi um grande defensor dos direitos dos terreiros de Candomblé e em sua obra preponderam o comprometimento pela afirmação das narrativas e trajetórias negras recorrentemente negligenciadas, sendo, por isso, agraciado com diversos prêmios com proeminência para o troféu Caboclo da associação Cultural de Preservação do Patrimônio Bantu, em 2005, e homenagens, como a medalha Zumbi dos Palmares, da Câmara Municipal de Salvador.
Foi Ogan percussionista de Candomblé bantu e recebeu título honorífico em uma casa de nação Jeje, diferente da que foi iniciado. Era responsável pela parte musical e cerimonial desse terreiro.
Importante destacar a incansável luta e o seu destemor quanto a causa da população de matriz africana e do povo negro praticante do Candomblé e do Engenho Velho da Federação, bairro de onde nasceu e morreu e, consideramos que suas contribuições serão entendidas como memória da cultura e das raízes do povo brasileiro, como símbolos do inconsciente coletivo que se tornam arquétipos da sociedade.
O professor Sodré estará sempre presente em nossas vidas e em nossas lembranças, e a presente moção procura registrar o significado de sua perda para o povo negro, para o povo do Candomblé, do Engenho Velho da Federação e para toda sociedade brasileira.