Roberto Gondim Pires – Presidente do CEE-BA
Dinalva Melo do Nascimento – Vice-presidente do CEE-BA
Em 25 de maio de 2025, o Conselho Estadual de Educação da Bahia (CEE-BA) completou 183 anos de trajetória, consolidando-se como uma das instituições educacionais mais antigas e relevantes do país. Longe de envelhecer, o Conselho segue em movimento — adaptando-se, resistindo e se reinventando, não por vaidade, mas por convicção democrática.
Há algo de simbólico no fato de ser este o conselho de educação mais antigo do país. Criado em meio a um Brasil desigual e ainda longe de universalizar a escola, o CEE-BA cumpriu, por décadas, seu papel normativo e deliberativo, zelando pela coerência, legalidade e integridade dos sistemas de ensino, conforme as diretrizes nacionais. Ao longo desse tempo, firmou-se como uma casa da escuta, das normas e do saber, espaço onde diferentes vozes e experiências podem dialogar em favor da institucionalidade da educação de qualidade, no âmbito do público e do privado. Mas o tempo corre. A Bahia pulsa. E o Conselho soube escutar o chamado da transformação!
Nos últimos anos, o Conselho entendeu que seu papel não poderia se restringir à burocracia. Não bastava autorizar, credenciar ou deliberar. Era preciso provocar, indo além das atribuições cartoriais. Provocar o currículo, provocar os paradigmas, provocar a própria lógica do que se ensina e como se aprende. E foi nessa escuta ativa — das ruas, das escolas, dos territórios — que emergiu uma nova postura: a de um Conselho que não apenas regula, mas inspira.
As resoluções aprovadas em 2024 são evidências dessa virada. Ao lançar um conjunto inédito de diretrizes voltadas à parte diversificada dos currículos da educação básica, o CEE-BA passou a induzir um novo modo de pensar e fazer educação na Bahia: mais sensível ao território, mais conectado com as realidades locais e mais aberto à diversidade de saberes que compõem nossa identidade. Pela primeira vez, temas como a literatura, a educação antirracista, o meio ambiente, a ciência e a história da Bahia deixaram de ser apenas reivindicações sociais para se tornarem parte do corpo normativo da educação básica no estado. Isso não é pouco. Significa oferecer às escolas uma bússola ética, cultural e pedagógica que convida à autonomia curricular de forma criativa e comprometida com suas comunidades.
Celebrar os 183 anos do CEE-BA é reconhecer um legado que não se cristaliza no passado, mas se reinventa no presente e se projeta adiante. É (re)afirmar que a educação que queremos não cabe em moldes prontos: ela precisa de escuta, ponderação, coragem, reflexão e ação, pois transformam. Nesse espírito que o CEE-BA continua a caminhar, cultivando as sementes de uma educação mais justa, territorializada e transformadora para todos os baianos.