04/12/2015

Desde cedo, fiéis coloriam de vermelho e branco o Largo do Pelourinho, onde aconteceu a missa em homenagem a Santa Bárbara / Foto: Rosilda Cruz
Entre "Axés" e "Aleluias", a Festa de Santa Bárbara, uma das mais tradicionais manifestações de devoção popular da Bahia, reuniu mais de dez mil pessoas nesta sexta-feira (4), no Largo do Pelourinho, durante a programação religiosa que compreendeu a missa campal e a procissão. Em homenagem à padroeira dos bombeiros e dos mercados, devotos católicos e candomblecistas entoaram hinos e louvores durante a missa, que foi conduzida ao som de agogôs, atabaques e dos tradicionais clarins, colorindo as ruas do Pelourinho de vermelho e branco. A Festa, que segue à tarde e à noite com programação cultural, é organizada pela Irmandade do Rosário dos Pretos e conta com apoio do Governo Estado por meio da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), através do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI) e do Instituto de Patrimônio Artísticos e Cultural da Bahia (IPAC).
Durante a cerimônia, o secretário de Cultura do Estado da Bahia, Jorge Portugal, anunciou: "Está aberto o ciclo as festas culturais e populares da Bahia", referindo-se aos festejos que movimentam o verão baiano. O sincretismo, marca da festa que é registrada como Patrimônio Imaterial da Bahia desde 2008, também foi destacado pelo secretário: "Estar aqui todos juntos é apontar para o mundo e dizer que a Bahia é paradigma e exemplo de tolerância religiosa, de fé, de amor e de paz. Viva Santa Bárbara!".
Já para a devota de Santa Bárbara, Dulce Monteiro, que participou da festa desde cedo, quando os fogos já anunciavam o início da celebração, esse foi o momento de agradecer. "Eu tinha um câncer de mama e Santa Bárbara me deu a cura, há seis anos. Tudo que peço a ela, eu alcanço. Minha devoção se manifesta o ano todo, porque toda quarta-feira eu visto vermelho e assisto a missa celebrada para ela", afirmou.
Para os fiéis das religiões de matriz africana, 04 de dezembro é dia de homenagear Oyá, também chamada de Iansã no Candomblé, a orixá dos ventos, raios e tempestades. A devota Cris de Oyá levou sua cesta de acarajés para distribuir para os participantes da festa, em forma de agradecimento por todas as graças alcançadas atribuídas à orixá. "Este é o momento em que o povo unido em fé, independente das religiões, manifesta a sua religiosidade. O Pelourinho é o lugar é onde os nossos ancestrais afrodescendentes sofreram e construíram uma história, então, é um momento para agradecer e pedir a Oyá que nos abençoe e nos proteja", explicou.
O evento contou também com a presença das secretárias estaduais de Promoção da Igualdade Racial, Vera Lúcia Barbosa, e de Políticas para as Mulheres, Olívia Santana, além da diretora do CCPI, Arany Santana e o chefe de gabinete do IPAC, Ivan Teixeira.
Título de Patrimônio Imaterial da Bahia - Este ano, uma equipe multidisciplinar do IPAC monitorou a festa para tentar manter o título de ‘Patrimônio Imaterial da Bahia’. Assim, documenta todas as etapas da manifestação para elaborar um dossiê. Esta é uma obediência legal, prevista na Lei estadual nº8.895/2003, regulamentada pelo Decreto estadual nº1039/2006, determinado no Capítulo V, Artigo 41, onde consta que os Bens Culturais Intangíveis protegidos pelo Registro Especial sejam documentados de cinco em cinco anos, para que o título outorgado via decreto do governador do estado possa ser renovado.
“A Festa de Santa Bárbara existe por um desejo espontâneo do povo, de pessoas e de uma comunidade. Como toda manifestação cultural e com mais de três séculos de existência é natural que mudanças possam ocorrer. Por isso, a lei determina esse monitoramento”, relata o diretor geral do IPAC, João Carlos de Oliveira.
Programação - O cortejo seguiu para a Baixa dos Sapateiros onde está o Corpo de Bombeiros e, em seguida, para o Mercado de Santa Bárbara, onde será servido um grande caruru no início da tarde, patrocinado pelo Governo do Estado através do CCPI, vinculado à SecultBA. Outro cortejo se inicia às 15h, passando pelas ruas do Pelourinho, desta vez conduzido pelo Afoxé Filhas de Gandhy.
A reunião no Largo do Pelourinho retorna às 14h, como de costume recebendo os devotos que retornam do cortejo e dos tradicionais carurus oferecidos na data, além dos amantes do samba. A programação artística começa com Jorginho Commancheiro acompanhado da banda Samba do Pretinho. Às 15h30, tem início a apresentação de Márcia Short, com repertório de canções dos shows Axé Acústico e Raiz Centenária. A cantora Juliana Ribeiro se apresenta às 17h30, em um show de samba dedicado ao dia de Santa Bárbara. A programação no palco principal encerra ao som dos Negros de Fé, a partir das 19h30, que homenageia a data com um repertório especial, destacando canções que fizeram sucesso na voz de Maria Bethânia.
Os shows acontecem simultaneamente em outros palcos do Pelô, com muito samba e tradição. No Largo Pedro Archanjo, se apresentam a banda Sambatrônica, às 14h, o sambista Roque Bentenquê, às 16h30, e o Grupo Anjo Bom, às 19h. O Largo Tereza Batista vai ser agitado por Bambeia, às 14h, e o Samba Chula de São Braz marca presença a partir das 16h.