IPAC lança livro sobre Ofício dos Vaqueiros na Celebração das Culturas dos Sertões

03/05/2013

O Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), órgão vinculado à Secretaria de Cultura da Bahia (SECULT-BA), irá lançar no próximo dia 03 de maio, 21 horas, no Teatro Castro Alves, durante a abertura da II Celebração das Culturas dos Sertões, o seu sexto livro, desta vez tendo como temática o reconhecimento do Ofício dos Vaqueiros como bem imaterial da Bahia. O livro foi elaborado pelo IPAC para cumprir-se a obrigação regimental de tornar público as pesquisas, textos e conhecimentos científicos que a equipe técnica do instituto produziu durante o processo que possibilitou, em maio de 2012, o registro do ofício como patrimônio cultural intangível. Tal ação faz parte da série de publicações do IPAC, em parceria com a Fundação Pedro Calmon (FPC), denominada “Cadernos do IPAC”, que permite a transmissão das memórias e das reflexões sobre bens culturais da Bahia, garantindo a proteção dos patrimônios culturais do povo baiano e garantindo a existência dos mesmos na posteridade. De acordo com o gerente de Patrimônio Imaterial do IPAC, Roberto Pellegrino, o livro sobre o Ofício dos Vaqueiros é um projeto que dá continuidade a um trabalho que tem como objetivo divulgar os bens imateriais registrado pelo instituto e, por conseguinte, ajudar na salvaguarda destes. “O objetivo é tirar o melhor do dossiê que a equipe técnica do IPAC produziu, adaptando esse conteúdo de uma maneira que públicos diversos tenham acesso irrestrito, além, claro, de mostrar a grande importância cultural desses patrimônios”, conclui Pellegrino. O livro é composto por 96 páginas no formato 21 por 29.7 centímetros e mais de 30 fotografias. Dentre os textos e artigos presentes na publicação, estão artigo sobre Metodologia, escrito pela coordenadora de Educação Patrimonial do IPAC, Ednalva Queiroz; o texto “O desenvolvimento da pecuária no sertão baiano”, da antropóloga Nívea Alves dos Santos; além do artigo “D’Ávila, o pioneiro da pecuária no Brasil”, das historiadoras Lygia Maria Alcântara Wanderley e Sonia Maria de Couto Jonas. O antropólogo Washington Queiroz, responsável pela autoria dos artigos “Ofício de Vaqueiro” e “Representação simbólica e cotidiano”, também contribui para o conteúdo do livro. O volume também traz depoimentos, versos e os tradicionais aboios dos vaqueiros e se encerra com o parecer técnico que permitiu o registro do ofício e com o decreto de lei que decidiu pela oficialização de tal ocupação como Patrimônio Imaterial da Bahia. CELEBRAÇÃO – A Celebração das Culturas dos Sertões, realizada pela SECULT-BA, chega à sua segunda edição com os méritos de ter sido prestigiada, no ano anterior, por um público de nove mil pessoas e, ainda, por ter sido o local onde o Ofício dos Vaqueiros foi inscrito no “Livro de Registro Especial dos Saberes e Modo de Fazer”. Em 2013, sediada em Salvador e Juazeiro, a celebração será aberta com o espetáculo “Sertão da Gente”, em homenagem aos artistas Blue-Blue e Dominguinhos, contando com a direção musical de Targino Gondim, direção artística de Fernando Marinho e participações de Elba Ramalho, Xangai, Nilton Freitas, Quinteto Sinfônico, Zezinho Aboiador e Samba de Véio do Rodeadouro e João Omar. Sendo transferido para o Centro de Cultura João Gilberto (CCJG), em Juazeiro, a partir do dia 07 de maio, o evento conta com uma série de atividades, como oficinas, exposições, mostras de filmes, mini-cursos, mesas redondas; e finaliza-se no dia 11 de maio, na Concha Acústica do CCJG, às 19 horas, com o mesmo espetáculo apresentado na abertura. Mais informações sobre esse evento, tal como a programação do mesmo, podem ser obtidas emwww.cultura.ba.gov.br. Mais dados sobre projetos, programas e obras do IPAC no sitewww.ipac.ba.gov.br, no facebook Ipacba Patrimônio e no twitter @ipac_ba. Box OPCIONAL: HISTÓRIA dos VAQUEIROS - O percurso dos vaqueiros na Bahia teve dois momentos, o primeiro no século 16 partindo das terras da Casa da Torre, atua localidade de Praia do Forte, município de Mata de São João. Daí, essas expedições atingiam os rios Jacuípe, Itapicuru, até o Paraguaçu e Rio de Contas, formando pontos de encontro nas feiras e estabelecendo os primeiros currais. Eles desbravaram a região Nordeste do país tornando o interior, então desconhecido, em locais habitáveis, com comunidades que se tornaram cidades. Por três séculos esses movimentos no território sertanejo se complementam aos ciclos econômicos da cana-de-açúcar, mineração e ciclo do gado. Para o pesquisador Washington Queiroz, o segundo momento se dá na segunda metade do século 18, quando são erguidas as primeiras casas de fazenda. Queiroz destaca que a marcha dos vaqueiros exigiu o desenvolvimento de técnicas e procedimentos que possibilitassem desbravamento de caatingas, matas, agrestes, chapadas, cerrados e planaltos à procura de pastos para o gado crescente que já não podia mais ocupar apenas a orla atlântica da Bahia.