
Foto: André Frutuoso
Beleza a parte, a ala de percussão do Bloco Didá. Cerca de 50 mulheres e meninas fantasiadas com saias azuis rodadas e decoradas com cetim branco e palha fizeram da ala de bateria um verdadeiro espetáculo de som e beleza. Entre as jovens, a adolescente Estella Doralice dos Santos, de 15 anos, que chamava atenção pela beleza e sutileza na batida na marcação dos repiques. “Eu amo tocar, aprendi na minha comunidade em Cosme de Farias e já é meu segundo ano. Muito feliz de estar aqui”, disse. Durante o percurso, as mulheres do Pelourinho tiveram suas historias contadas através das canções e interpretação de coreografias. Na segunda feira de carnaval o bloco encerra sua participação no Carnaval.
Mas não foram só as mulheres que fizeram o carnaval desta noite (06). Famílias inteiras eram vistas nos blocos contemplados no Programa Ouro Negro, gerido pela Secretaria de Cultura. A pequena Tainá de 4 anos é foliã do Bloco Didá desde muito pequena. A mãe, a cabelereira especializada em penteador afro, Iaraci dos Santos, 49 anos, carrega a filha desde que ela começou a andar, com pouco mais de um ano. “Todas essas mulheres juntas, para mim é o melhor bloco da Avenida”, comentou a moradora do Cabula que desfila na entidade há dez anos. Este ano o bloco homenageia as mulheres do Pelourinho.
O entrelaçar de braços e pernas do balé afro do Malê de Balê é mesmo de deixar qualquer um boquiaberto. Entre os cem dançarinos que levaram para as ruas do Campo Grande, neste sábado (6), o maior balé afro do mundo sob o tema Reino Negros dos Haussas: Malê DeBalê canta a Nigéria, estava à dançarina Rita de Souza. Destaque de frente da ala de dança, ela integra o projeto social que o Malê desenvolve na comunidade de Itapuã. Responsável por ensinar a dança a meninos e meninas da Baixa do Soronha, ela afirma a importância da dança no contexto social. “Aqui mostramos o que ensinamos aos nossos jovens o ano todo”, comentou.
E basta parar e olhar o Malê passar para perceber que os jovens se tornam verdadeiros mestres da dança. De acordo com o presidente do Malê DeBalê, Claudio Araújo, as coreografias tiveram um toque da cultura nigeriana por conta da forte influência do povo negro no povo do Brasil. “Somos um povo só. Temos muito deles e eles muito de nós”, disse. Neste domingo (7), o desfile começa a partir das 16h, em Itapuã. O Malê encerra sua participação no carnaval na segunda-feira (8), com desfile às 23h, no circuito Barra-Ondina.
CARNAVAL DA CULTURA
O Carnaval da Cultura 2016 é o carnaval da democracia e da diversidade, que leva para as ruas, durante todos os dias e circuitos da folia, a mistura de ritmos e gêneros musicais e, principalmente, a estética e a arte de diferentes artistas, grupos e entidades culturais da Bahia. São centenas de atrações e shows gratuitos de afoxé, samba, reggae, axé, pop, MPB, fanfarras e muito mais. É diversão garantida para todos os gostos e estilos no espaço público da rua para alegria do folião. O Carnaval da Cultura – uma realização da Secretaria da Cultura do Estado da Bahia, por meio do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI) – está organizado a partir de quatro programas: Carnaval do Pelô, Carnaval Ouro Negro, Carnaval Pipoca e Outros Carnavais.