Blocos de índios, afro e afoxés deixaram sua marca de resistência nos circuitos ontem (7)

08/02/2016

Comanches do Pelô/ Foto: André Frutuoso

Comanches do Pelô/ Foto: André Frutuoso

Apaches do Tororó e Comanches do Pelô, em mais um ano de resistência, desfilaram pelas ruas do Circuito Osmar (Campo Grande), neste domingo (7), arrastando suas tribos com milhares de foliões. As duas entidades e mais outras 92 são contempladas pelo Programa Ouro Negro do Governo do Estado, que realiza o Carnaval da Cultura, realizado pela Secretaria de Cultura do Estado através do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI). 

Ao som do grupo de samba Fora da Mídia, o bloco Apaches do Tororó, que comemora 47 anos, levou para ruas 300 percussionistas e 1,5 mil associados. A batalha para não deixar morrer a cultura indígena no Carnaval é também bandeira de luta do Bloco Comanches do Pelô, que já desfilou 42 carnavais. O bloco, dividido em dez alas, levou para ruas seus associados como uma grande tribo. 

Nascido no bairro do Tororó, o bloco também era uma filiação de outra escola de samba, a Filhos do Tororó. “Não tinha bloco de índio, e a escola não saía nas segundas de Carnaval. Então, criamos a entidade para preencher aquele dia”, conta o presidente Adelmo Costa. O título foi sugerido por um dos fundadores do grupo, Antonio Belmiro, mais conhecido como Toninho. Entre as novidades apresentadas pelo Apaxes naquela época, estava o fato de ser o primeiro bloco baiano a sair com músicas próprias. “Também fomos os primeiros a sair com carro de som e sonorização de voz”, lembra o presidente. 

Outro tradicional bloco a desfilar no circuito Osmar foi o afro Os Negões, que veio homenageando as Ialodês, mulheres de destaque social, com o tema: "Com Dandara e Anastácia, As Mulheres Negras e o Poder". Sobre o tema, o presidente Paulo Roberto Nascimento diz refletir o empoderamento da mulher negra na sociedade, a exemplo de Arany Santana, diretora do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI) e Olívia Santana, secretária de Políticas para Mulheres do Governo do Estado. “Temos de exaltar o poder das mulheres, sem elas não somos nada”, finaliza.

 Reggae - A alegria e balanço do bloco Banana Reggae desfilaram com bandeiras nas cores do reggae (vermelho, amarelo e verde) e homenageou um dos maiores ídolos do ritmo, Bob Marley, com o tema Tributo ao Rei. Foliões dançaram e cantaram grandes sucessos nacionais e internacionais. A entidade, que também integra o Programa Ouro Negro, foi animada pelo cantor Thomé Viana e da Banda Reggae. 

Ouro Negro na Barra - O colorido de importantes blocos contemplados pelo Programa Ouro Negro também desfilou ontem (7) no circuito Dodô.  Cortejo Afro e Mulherada levaram para Barra todo encanto da cultura negra.  O Cortejo Afro desfilou no Campo Grande na sexta-feira de Carnaval e, ontem, apresentou na Barra os encantos e brilhos de Oxum, orixá homenageada pelo bloco este ano. "Tudo que tem Oxum no meio é doce, belo, repleto de amor e cheio de brilho. E assim é o Cortejo Afro, o melhor bloco da Barra hoje!", comentou Anã Luiza Soares, associada do cortejo que se declara filha de Oxum. "Desfile na Barra é estratégico para o combate ao racismo, principalmente se tratando do tema deste ano", completou Anã Luiza. 

Neste mesmo contexto, a percussionista Andrea Maia apontou que "precisamos denegrir mais a Barra. Se a mídia e os patrocínios estão aqui, então é aqui que temos que caminhar", fazendo alusão ao desfile do bloco A Mulherada, que no domingo aconteceu também na Barra. O bloco, que é composto somente por mulheres, desfilou pela segunda vez no Carnaval. 

CARNAVAL DA CULTURA

O Carnaval da Cultura 2016 é o carnaval da democracia e da diversidade, que leva para as ruas, durante todos os dias e circuitos da folia, a mistura de ritmos e gêneros musicais e, principalmente, a estética e a arte de diferentes artistas, grupos e entidades culturais da Bahia. São centenas de atrações e shows gratuitos de afoxé, samba, reggae, axé, pop, MPB, fanfarras e muito mais. É diversão garantida para todos os gostos e estilos no espaço público da rua para alegria do folião. O Carnaval da Cultura – uma realização da Secretaria da Cultura do Estado da Bahia, por meio do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI) – está organizado a partir de quatro programas: Carnaval do Pelô, Carnaval Ouro Negro, Carnaval Pipoca e Outros Carnavais.

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