
Foto: Rosilda Cruz
Sángò, livro dedicado ao orixá Xangô, de autoria da antropóloga Juana Elbein dos Santos e de Descoredes Maximiliano dos Santos (o Mestre Didi Asipá, falecido em 2013), foi lançado na noite desta quarta-feira (24), no Espaço Unibanco de Cinema Glauber Rocha. A obra, que contou com apoio financeiro do Fundo de Cultura do Estado da Bahia, fecha a trilogia organizada pelo casal, iniciada com Èsú (dedicado a Exu, 2014) e Arte Sacra e Rituais da África Ocidental no Brasil (2015).
Os textos do livro tratam do orixá do panteão nagô, cultuado em comunidades-terreiros brasileiros, associado à justiça, ao fogo e ao trovão. “Xangô, ao mesmo tempo, resume toda a ancestralidade e todo futuro, todo princípio de virilidade. Ele representa o conceito que emerge tudo o que o ser humano é: guerra, violência, destruição, mas também família, amorosidade, carinho, bem-querer”, afirma a autora Juana. Os textos de Sángò foram escritos em vários momentos da existência da antropóloga, que foi casada com Mestre Didi por 50 anos.
Segundo o superintendente de Promoção Cultural da SecultBA, Alexandre Simões, que representou o secretário Jorge Portugal no lançamento, o Fundo de Cultura tem justamente a característica de incentivar e estimular as produções artístico-culturais. “Os projetos financiados por este mecanismo são justamente os que têm grande importância cultural, mas que muitas vezes não têm apelo de mercado. São obras necessárias e que contam com o apoio do Governo do Estado para sua realização”.
Sobre Juana Elbein dos Santos – Nascida na Argentina, é doutora em Etnologia pela Sorbonne – Paris V, Coordenadora Nacional das Comunitates Mundi Secneb – Sociedade de Estudos das Diversidades Culturais, Ejidé Elefundé do Ilé Asipá Olukotun – Sociedade Cultural e Religiosa do Culto aos Ancestrais, Egungun.
Sobre Deoscoredes Maximiliano dos Santos (Mestre Didi Asipá) – Alapin’ni Asipá Olukotun Asogbá Obaluayê, Fundador do Ilê Asipá – Sociedade Cultural e Religiosa Transatlântica do Culto aos Ancestrais.
Fundo de Cultura do Estado da Bahia (FCBA) – Criado em 2005 para incentivar e estimular as produções artístico-culturais baianas, o Fundo de Cultura é gerido pelas Secretarias da Cultura e da Fazenda. O mecanismo custeia, total ou parcialmente, projetos estritamente culturais de iniciativa de pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado. Os projetos financiados pelo Fundo de Cultura são, preferencialmente, aqueles que apesar da importância do seu significado, sejam de baixo apelo mercadológico, o que dificulta a obtenção de patrocínio junto à iniciativa privada. O FCBA está estruturado em 4 (quatro) linhas de apoio, modelo de referência para outros estados da federação: Ações Continuadas de Instituições Culturais sem fins lucrativos; Eventos Culturais