Projeto Nosso Bordado valoriza a cultura da Renda de Bilro

26/06/2017
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Foto: Divulgação

“Olê muié rendeira, olê mulher rendá; tu me ensina a fazer renda, que eu te ensino a namorar”. O trecho da música de Zé do Norte, gravada por Elba Ramalho, Trio Nordestino, Demônios da Garoa, Milton Nascimento e outros artistas, poderia ser a trilha sonora da formatura da turma de 160 homens e mulheres de Dias D’Ávila e região, que participaram do projeto Nosso Bordado – Resgatando a renda de bilros. O encerramento aconteceu neste mês (junho), com a realização de oficinas, atividades culturais e exposição dos produtos confeccionados pelas pessoas.

Desenvolvido pela Associação de Rendeiras de Dias Dávila (Rendavan), o curso promoveu o aprendizado de técnicas como bordado à mão, crochê, artesanato em couro, corte e costura e renda de bilros. O projeto foi um dos selecionados no Edital Setorial de Economia Criativa 2016, do Fundo de Cultura da Bahia. Para a coordenadora Geral da Rendavan, Dinoélia Trindade, a iniciativa teve um papel essencial também na difusão e preservação das técnicas de artesanato. “A confecção de renda de bilro, por exemplo, é uma técnica milenar, que não é ensinada em muitos lugares. As pessoas vieram de Mata de São João, Camaçari, Vila de Abrantes e Salvador para fazer os cursos. Foi um projeto importante para toda a região e que só foi possível graças ao apoio do Governo do Estado”.

O evento contou com a participação da diretora de Economia Criativa da Secretaria da Cultura, Roseane Patriota, das secretárias de Políticas para as Mulheres (SPM), Julieta Palmeira e do Trabalho, Emprego e Renda (Setre), Olívia Santana. A Setre, inclusive, realizou o cadastro e a atualização de dados de 45 profissionais, uma das etapas para a emissão da Carteira Nacional do Artesão. O documento garante uma série de benefícios, entre eles a possibilidade de participação em feiras de artesanato nacionais e internacionais e em oficinas e cursos da área.

Em um bate-papo com as artesãs, a coordenadora de Fomento ao Artesanato da Setre, Luciana Embilina, falou sobre o lançamento da segunda edição do selo Bahia Feito à Mão, iniciativa da secretaria em parceira com o Instituto Baiano de Metrologia e Qualidade (Ibametro) para valorizar o artesanato local. “A Bahia é o primeiro estado a aplicar essa certificação como política pública voltada para o artesanato. É essencial que vocês estejam qualificadas para que obtenham o selo, pois ele credencia a participar, por exemplo, do nosso show room que funciona no Porto da Barra”. O evento foi encerrado com um desfile das peças produzidas pelos artesãos.

O superintendente de Promoção Cultural da SecultBA, Alexandre Simões, salienta que essa linha de apoio visa justamente subsidiar o desenvolvimento da economia da cultura no estado, a partir de estratégias de produção, comercialização e distribuição de diversos segmentos, inclusive do artesanato e outras culturas populares. “A Bahia é um grande celeiro da economia criativa. O envolvimento com a cultura cria inúmeros postos de trabalho, seja em grandes eventos, como shows, mas também na produção do artesanato típico regional. Essas mulheres certamente vão dar continuidade a esse formato de arte e também garantir a sustentabilidade de diversos coletivos e localidades”.

Renda de Bilros e bordado a mão
O Projeto Nosso Bordado - Resgatando a Renda de Bilros, teve como objetivo dar continuidade as ações de difusão da arte e cultura da renda de bilros e bordado a mão. Segundo a Rendavan, cada local deve valorizar e incorporar no presente o saber construído durante as gerações passadas para que as futuras gerações possam ter acesso. Além de valorização dessas artes centenárias, o projeto trabalha na capacitação e empoderamento de jovens e adultos.

Nos cursos foram transmitidos ensinamentos das técnicas de renda de bilro, bordado a mão e outros, além de oficinas de designde produtos, visando a criação de peças, com a utilização de técnicas artesanais, exclusivas, com mais qualidade e durabilidade, e aplicação em peças femininas e masculinas, cama, mesa, banho, bolsas e acessórios slowfashion (moda lenta) a partir da perspectiva de valorização da cultura do artesanato local.

Foram criadas peças de vestuário e decoração. As peças são personalizadas e contam com ficha técnica onde constam todas as especificações e informações sobre as pessoas que trabalharam na execução delas. A ideia é mostrar para o usuário todo processo e as pessoas que participaram da execução com o intuito de contribuir na valorização dessa produção, uso das peças por mais tempo e pagamento de um valor justo, visto que o trabalho artesanal leva mais tempo para ser realizado, carrega um valor cultural e tem um custo mais elevado. Os produtos criados nesses cursos serão apresentados em desfiles, exposições e em outros eventos.

A renda de bilro é uma técnica que difere de outros bordados por ser um artesanato tradicional que é feito à mão e usa linha de algodão, envolvendo o bilro, almofadas de palha de bananeira e semente de urucuri, papelão e alfinete. Os bordados tradicionais são feitos com tecidos de algodão, linha de algodão, bastidores e máquina. A inovação em aplicar a renda em peças femininas e masculinas, cama, mesa, banho, bolsas e acessórios, tem feito toda diferença. As peças da Rendavan já foram expostas e comercializadas em vários eventos como: congressos, feiras internacionais, nacionais e municipais, como; a 5ª Rodada de Negócios de Artesanato (SEBRAE); 1º Salão de Turismo (Instituto Mauá/SEBRAE) e Exposição em Hotéis, Centro Público de Economia Solidária. Em maio de 2012, a Rendavan promoveu a 1ª Feira de Economia em Dias D’Ávila , a I Fesd’Ávila.
Fundo de Cultura do Estado da Bahia (FCBA) – Criado em 2005 para incentivar e estimular as produções artístico-culturais baianas, o Fundo de Cultura é gerido pelas Secretarias da Cultura e da Fazenda. O mecanismo custeia, total ou parcialmente, projetos estritamente culturais de iniciativa de pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado. Os projetos financiados pelo Fundo de Cultura são, preferencialmente, aqueles que apesar da importância do seu significado, sejam de baixo apelo mercadológico, o que dificulta a obtenção de patrocínio junto à iniciativa privada. O FCBA está estruturado em 4 (quatro) linhas de apoio, modelo de referência para outros estados da federação: Ações Continuadas de Instituições Culturais sem fins lucrativos; Eventos Culturais Calendarizados; Mobilidade Artística e Cultural e Editais Setoriais.