02/03/2019

Netos de Gandhy / Foto: Fafá Araújo
Ao descer uma das ruas historicamente mais importante para a capital da Bahia, a Rua Chile, diversos blocos afro e de samba trouxeram cor, alegria e animação para o Carnaval 2019. No chamado Contra Fluxo do Circuito Osmar (Campo Grande), entidades como o Cultural Netos de Gandhy, Abuse e Use, Ginga do Negro, Axé Dadá e o afoxé Filhos de Korin Efan fizeram a festa e levaram para a avenida a tradição de mais de 40 anos de festa. Todos contam com apoio do programa Carnaval Ouro Negro 2019, promovido pelo Governo do Estado da Bahia.

Filhos de Korin Efan / Foto: Nilton Lopes
Um dos primeiros a desfilar foi o tradicional Filhos de Korin Efan que trouxe como tema Oke Arô Okê, Salve Oxóssi, Salve o Rei de Ketu, homenageando Mãe Stella de Oxóssi, yalorixá que faleceu no final de 2018. “É uma honra pra mim colocar o bloco na rua, mantendo a tradição do meu pai, fundador do Korin Efan. Estamos trazendo a questão da preservação do meio ambiente, já que estamos homenageando os Orixás que são a força da natureza”, diz Elisângela Silva, presidente do bloco, que se dizia radiante. As alas e o corpo de baile do Korin Efan levaram a vibração das cores e da alegria dos foliões pela Avenida.
Odé, rei das matas, também é homenageado do bloco Ginga do Negro com o tema “Pigmeus da terra de Oxóssi”. “A gente queria trazer o Orixá pra Avenida, mas carnaval é uma coisa e religião de matriz africana é outra, daí escolhemos esse tema sobre a história de uma vila africana comandada por Oxóssi, onde só viviam pigmeus”, conta Patrícia Santana, assessora do bloco. “Foi com muito trabalho que colocamos esse trio pra sair, mas é sempre uma emoção e uma alegria grande pra nós”, diz Rosemeléia Cruz, presidente do Ginga do Negro.
A alegria contagiante também era demonstrada por Vilmário Silva, presidente do bloco Axé Dadá. São 22 anos colocando na rua a agremiação, que nasceu da lavagem da barraca de Adalgiza Queiroz, em Mussurunga. “Eu era mestre de bateria de vários blocos no Tororó, peguei os instrumentos e fizemos a festa. Só depois viemos pro Centro e até hoje estamos participando da festa”, disse o bem humorado Vilmário, que começou com 60 participantes do bloco e agora conta com mais de mil associados.
Carnaval solidário - 45 anos é o tempo de existência do Bloco Cultural Netos de Gandhy, que há 10 anos vem se reconstruindo para fazer um carnaval solidário. “Trocamos o abadá do bloco por alimentos a serem doados para hospitais e instituições de caridade. Nos últimos 10 anos foram mais de 40 toneladas de alimentos doados, nove só esse ano com apoio do Governo do Estado”, disse Ivã Oliveira, presidente do bloco que estava animado para subir à rua Carlos Gomes, sentido Campo Grande (contra fluxo do Circuito Osmar).

Emanuel Ademilson, presidente do Abuse e Use/ Foto: Fafá Araújo
Também animado estava Emanuel Ademilson, presidente do Abuse e Use. O bloco de samba tem mais de 20 anos e tem se renovado para a festa. “Éramos um bloco com alas, saído do Candeal, mas nos adequamos para sair como bloco de samba e poder desfilar por mais anos no Carnaval”, afirma o presidente que jogava milho branco no trio pra começar a fazer o samba tocar na avenida.
E tem mais Ouro Negro
Os blocos apoiados pelo Carnaval Ouro Negro do Governo da Bahia desfilam pelo Contra Fluxo até a terça feira (05/03). Amanhã (domingo) a partir das 16h temos o Filhos de Gandhy, comemorando 70 anos de história, saindo da rua Chile. Os blocos Afoixé Kambalagwa, Filhos do Congo e Alabê completam a programação do dia. O afoxé Filhos do Congo completam 40 anos de história recebendo como convidada a A rainha Diambi Kabatusuila da República Democrática do Congo. O bloco apresentará uma performance de dança circular feminina, em homenagem à força da mulher negra.
Ouro Negro – Chegando à sua 12ª edição, o Ouro Negro oferece importantes subsídios para o apoio a agremiações de matrizes africanas e tradicionais dentro dos circuitos do Carnaval de Salvador. Desta forma, é promovida a preservação e valorização a presença destes blocos, com o desfile em alas e indumentárias tradicionais, assim como a maior participação da juventude, transmitindo o legado para as novas gerações. Dentro de suas comunidades, estas entidades contribuem para o desenvolvimento social através de projetos que estimulam a construção de uma cultura cidadã.
Carnaval da Cultura – É o carnaval dos blocos afro, de samba, de reggae e dos afoxés, apoiados por meio do Edital Ouro Negro para desfilar nos três principais circuitos da folia: Batatinha, Dodô e Osmar. É a folia animada, diversa e democrática do Carnaval do Pelô, que abraça o carnaval de rua, microtrios e nanotrios, além de promover nos palcos grandes encontros musicais e variados ritmos numa ampla programação. Tem Afro, Reggae, Arrocha, Axé, Antigos Carnavais, Samba, Hip-hop e Guitarra Baiana, além de Orquestras e Bailes Infantis. E é também a preservação do patrimônio cultural, com o apoio ao carnaval tradicional dos mascarados de Maragojipe. Promovido pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura (SecultBA), o Carnaval da Cultura é da Bahia. O Mundo se Une Aqui! Confira mais fotos no Flickr: https://goo.gl/6c7RT5
Por Nilton Lopes