Olodum celebra 40 anos de samba reggae no circuito da Orla de Salvador

03/03/2019
Olodum Barra Ondina
Olodum / Foto: Boni Fotografias

O bloco afro Olodum foi o primeiro a desfilar neste domingo de Carnaval, no circuito Dodô (Barra-Ondina), saindo do Farol da Barra por volta das 15h e arrastando uma massa ao som do samba reggae. O Carnaval dos 40 anos de criação da banda percussiva mais importante do Brasil será celebrado em três diferentes apresentações na folia momesca. O desfile deste domingo contou com convidados especiais como o cantor Tonho Matéria e o músico Armandinho Macedo e sua guitarra elétrica, além de foliões de diferentes gerações e cidades, inclusive de fora do país.

Olodum Barra Ondina
Marcelo Gentil, vice-presidente da entidade / Foto: André Santana

Quem explica a diferença entre os três dias de apresentação do Olodum na folia deste ano é o vice-presidente da entidade, Marcelo Gentil: “o desfile de sexta é o mais tradicional da cultura afro-baiana, com a banda percussiva tocando e dançando no chão, formando um lindo balé. No domingo, temos o privilégio de estarmos próximo a este mar e de tocar os grandes sucessos que tornaram o Olodum conhecido no mundo. Já na terça-feira, a banda Olodum volta para o Campo Grande e toca para todos, fazendo a democracia pela música”, detalha.

Olodum Barra
Merry Batista e Cássia Vale, atrizes do Bando de Teatro Olodum / Foto: André Santana

“Com todo respeito às outras entidades, é o samba reggae do Olodum que mais bate no meu coração. É uma emoção muito grande estar aqui celebrando 40 anos de samba reggae, de uma entidade cultural de resistência, criada por uma mulher”, afirma a atriz e escritora Cássia Vale do Bando de Teatro Olodum, que curtia o desfile do bloco ao lado da também atriz do Bando, Merry Batista. Cássia fez referência à Cristina Santos Rodrigues, uma das fundadoras do bloco em 1974, que foi presidente da entidade entre 1983 e 1989. Atualmente Cristina é diretora da Escola Criativa Olodum, que realiza formações para jovens e crianças.

Folião de 40 carnavais

Olodum Barra-Ondina
Adailton Veloso Nascimento, 40 anos de Olodum / Foto: Boni Fotografias

Quem acompanhou de perto a história de 40 anos do Olodum no Carnaval e ainda continua celebrando ao som dos tambores é o mecânico Adailton Veloso Nascimento, 69 anos, que viu o bloco nascer no Maciel Pelourinho, Centro Histórico de Salvador. Ele curtia o desfile ao lado da esposa, Berenice Silva do Espírito Santos, 84 anos.

“Nasceu pequeno, desfilando apenas um dia, em uma região da cidade que ninguém queria ir, diziam que só tinha prostituta e ladrão. Hoje o Olodum está aí, grande, moderno, arrastando esse povo todo”, admira, lembrando o preconceito em relação aos moradores do Pelourinho. Adailton faz questão de mostrar a carteira de sócio do Olodum, que guarda junto aos outros documentos desde a década de 1980.

Questionado sobre o que faz ainda admirar o bloco, após tanto tempo, o mecânico não titubeia: “As músicas criadas e divulgadas por esse bloco, celeiro musical, e a luta contra o preconceito é o que me mantem neste desfile até hoje”.

Berenice do Espírito Santos divide a paixão pelo Olodum com o marido, Adailton, com quem está casada também há 40 anos. “Adoro este toque do tambor e essas músicas que servem para dançar, mas também passam mensagens muito positivas”, diz a aposentada que desfila há 27 anos no Olodum.

Foi justamente a valorização da dança afro pelo Olodum que atraiu a professora de dança da Sherman Elementary, Mo Monealy, a viajar de São Francisco, na Califórnia, para conhecer de perto o Olodum e o Carnaval da Bahia. Para participar do desfile, a professora fez questão de homenagear a vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco, executada em 2018, em um crime ainda sem solução. O nome e o rosto da ativista estavam estampados na saia da professora de dança, o que ele denominou de “Marielle Skin (pele Marielle)”.

Um dos momentos especiais do desfile foi a participação do músico Armadinho Macedo, mestre da guitarra elétrica, que juntou o som do instrumento baiano à percussão do Olodum, entoando clássicos, como Chame Gente, para delírio da multidão que acompanhou o Olodum.

E tem mais Ouro Negro

Na terça-feira, dia 04/03, a partir das 13h, a banda Olodum arrasta um trio sem cordas para o folião pipoca no Campo Grande. 

Carnaval da Cultura – É o carnaval dos blocos afro, de samba, de reggae e dos afoxés, apoiados por meio do Edital Ouro Negro para desfilar nos três principais circuitos da folia: Batatinha, Dodô e Osmar. É a folia animada, diversa e democrática do Carnaval do Pelô, que abraça o carnaval de rua, microtrios e nanotrios, além de promover nos palcos grandes encontros musicais e variados ritmos numa ampla programação. Tem Afro, Reggae, Arrocha, Axé, Antigos Carnavais, Samba, Hip-hop e Guitarra Baiana, além de Orquestras e Bailes Infantis. E é também a preservação do patrimônio cultural, com o apoio ao carnaval tradicional dos mascarados de Maragojipe. Promovido pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura (SecultBA), o Carnaval da Cultura é da Bahia. O Mundo se Une Aqui! Confira mais fotos no Flickr: https://goo.gl/6c7RT5

Por André Santana