04/03/2019

Bloco Afro Alabê / Foto: André Frutuôso
Afoxé e o som dos tambores e da cuíca ganharam as ruas do Circuito Osmar, no contrafluxo e no Circuito Batatinha na noite deste domingo, dia 03 de março, com o desfile do bloco afro Alabê e dos afoxés Kambalagwanze e Tempero de Negro. Contemplados no programa Ouro Negro, da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, os três blocos trazem em comum a característica de levar para o Carnaval a culminância do forte trabalho social desenvolvido ao longo do ano em diferentes bairros de Salvador.
O bloco Alabê, sediado no bairro do Curuzú, foi animado pela banda Tambores do Mundo, que une músicos de Salvador a outras localidades do planeta conectados pela percussão. De acordo com Mestre Mario Paim, um dos diretores da banda, o desfile do bloco é marcado pela percussão forte, as alas de dança e o encontro de culturas dentro do Carnaval.
Já a pedagoga Elza Melo sai no bloco há mais de 30 anos, desde o início da sua história ainda na Vasco da Gama, em 1981, e depois na nova sede na Liberdade. “Aqui vemos um trabalho muito bonito e forte para trazer essa expressão musical dentro do carnaval, preservando seu espaço e fazendo que todo mundo possa acompanhar”, declara Elza.

Afoxé Kambalagwanze / Foto: André Frutuôso
O afoxé Kambalagwanze tem 17 anos no Carnaval de Salvador e se preocupa em manter as tradições com toques de contemporaneidade, saindo da Praça Municipal de Salvador, levando o ritmo do ijexá e trazendo como tema o Candomblé de Caboclo. Atuante nos bairros do Barbalho e Bosque das Bromélias, sobretudo com mulheres negras, o Kambalagwanze celebra nas ruas com dança e música.
“A gente procura manter as bases do ijexá, dentro do afoxé, entendendo que é a expressão do candomblé na rua. Preservamos os rituais, as práticas para colocar o afoxé no Carnaval”, explica Iracema Neves, presidente do bloco e Associação Cultural Kambalagwanze.
Segunda-feira, dia 04 de março, às 16h30, o bloco desfila no Circuito Batatinha, novamente mostrando a música da banda Alaiyê, fruto dos processos formativos das atividades sociais do bloco.

Bloco Tempero de Negro / Foto: André Frutuôso
Rui da Cuica, percussionista e fundador do Bloco Tempero de Negro, se emociona quando fala do homenageado do bloco em 2019, o Major Cosme de Farias, patrono do bairro onde foi criada “em defesa dos pobres e contra o analfabetismo”. O bloco distribui no seu desfile a letra da música ABC Meu Povo, do compositor Nem Tatuagem, homenageando as contribuições de Cosme de Farias. “Ele criou a liga contra o analfabetismo, tudo o que recebia era para ajudar os mais carentes. Decidimos homenagear e recebemos a doação de um busto. Vamos homenagear com a percussão e com a dança”, conta Rui da Cuica, cheio de emoção. O busto foi utilizado como adereço em um pequeno carro abre alas.
E tem mais Ouro Negro
Na segunda-feira de Carnaval, ainda tem mais blocos afros no Circuito Batatinha, com Filhos do Korin Efan (às 18h), afoxé Laroyê Arriba (às 18h45), Insaba Maza (às 19h) e Contrafluxo do Circuito Osmar, com Aspiral do Reggae (às 17h45).
Carnaval da Cultura – É o carnaval dos blocos afro, de samba, de reggae e dos afoxés, apoiados por meio do Edital Ouro Negro para desfilar nos três principais circuitos da folia: Batatinha, Dodô e Osmar. É a folia animada, diversa e democrática do Carnaval do Pelô, que abraça o carnaval de rua, microtrios e nanotrios, além de promover nos palcos grandes encontros musicais e variados ritmos numa ampla programação. Tem Afro, Reggae, Arrocha, Axé, Antigos Carnavais, Samba, Hip-hop e Guitarra Baiana, além de Orquestras e Bailes Infantis. Promovido pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura (SecultBA), o Carnaval da Cultura é da Bahia. O Mundo se Une Aqui!
Por Monica Santana