Bloco Pagode Total comemora 20 anos com apoio do Ouro Negro

21/02/2020
g
Bloco Pagode Total / Foto: André Frutuoso

Que a primeira noite do carnaval da Avenida é protagonizada pelo samba, todo mundo já sabe. Mas, o destaque deste ano foi a celebração pelos vinte anos de existência do Bloco Pagode Total. A entidade é uma das 50 agremiações contempladas pelo Carnaval Ouro Negro, coordenado pelas secretarias de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) e de Cultura (SecultBA).

O bloco saiu embalado pelos grupos É o Tchan, Samba Mocidade, Molejo, Negro Lindo e ainda contou com a participação especial do cantor Salgadinho. De acordo com o cantor Beto Jamaica, a celebração destes 20 anos é um marco, pois é resultado de um grande esforço, destacando o papel de seu parceiro de grupo, Cumpadre Washington, dono do bloco. “Por isso eu faço questão de estar aqui”, ressalta de cima do trio, o cantor do grupo É o Tchan. O desfile também apresentou dança temática em homenagem a Xangô, o orixá tema do bloco em 2020 com o título Pagode Total traz o fogo de Xangô para avenida.


f

Bloco Alerta Geral / Foto: André Frutuoso

Antes disso, o Bloco Alerta Geral passou com seus três mil associados caracterizados de sambistas, com a ginga no pé e o tradicional chapéu panamá – característico dos sambistas. O bloco desfilou com alas de passistas, sambistas, tocadores e baianas e colocou Avenida para cantar os maiores hits dos cantores Xandy de Pilares e Délcio Luiz. Apaixonada pelo bloco, a folia Jaildes Santos, comentou o quanto espera para o carnaval chegar só para matar saudade do Alerta. “Já saio há seis anos e espero continuar saindo sempre”, explicou.

Nesta mesma linha, Iraildes Souza, foliã do bloco Proibido Proibir explica o interesse e a relação que possui com entidade. Para ela, sair no bloco é reforçar a relação que foi passada de mãe para filha. “Antes eu desfilava aqui com minha mãe. Ela parou e eu não. Agora, espero poder trazer a minha filha também”, comenta enfermeira que já desfila na entidade desde 2000.

f
Bloco A Mulherada / Foto: André Frutuoso

Afro – Mas não foi somente o samba que encantou a quinta na Avenida. As 400 mulheres do bloco A Mulherada desfilaram com música, dança, beleza e embaladas pelo tema “Mãe Stella de Oxossi – do candomblé à cadeira 33 da academia”. A homenagem foi vista nos banners, nos artefatos, nos acessórios escolhidos dentro deste universo que mescla informação e arte. A dançarina Jedjane Mirtes participa do processo elaboração e explica que escolha faz jus ao legado que a mesma deixou para sociedade. “Quisemos pautar essa figura que ainda é um espelho de mulher negra, líder religiosa e membro da Academia”, explicou Jedjane, que também atua na organização do bloco.

Outro bloco que passou pelas ruas do Campo Grande, foi o bloco da Capoeira com o tema Capoeira Integração Africana Indígena. O destile da entidade foi comandado pelo presidente e cantor do bloco, Tonho Matéria, levando beleza, conceito e tradição para Avenida.


Carnaval Ouro Negro – O Governo do Estado segue fortalecendo o carnaval dos blocos de matrizes africanas através do edital Carnaval Ouro Negro, que completa 13 anos estimulando a participação de agremiações oriundas das diversas comunidades de Salvador, que tem na folia o ápice para as diversas atividades sociais que são desenvolvidas ao longo do ano. Indumentárias, toques percussivos, danças, performances e cantos fazem parte dos espetáculos, que trazem em si a força da ancestralidade e da tradição. 49 blocos, das categorias afro, afoxé, samba e reggae desfilam este ano com o apoio.

Carnaval da Cultura – Fundamentado nas matrizes que construíram a nossa história, expressadas através das danças e musicalidade dos blocos afro e dos afoxés, na alegria e no gingado do samba, na força e balanço do reggae, que integram o Carnaval Ouro Negro em 2020. Com a diversidade de gerações e de ritmos que ocupam os palcos do Carnaval do Pelô, e que ainda toma conta das ruas mantendo a tradição que une os foliões no Centro Histórico. Por meio destes projetos de grande participação comunitária e popular, o Carnaval da Cultura, que integra o Carnaval da Bahia, do Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura, dá continuidade às políticas de preservação e democratização na maior folia do mundo, que segue colorida, diversa e com o espírito folião que contagia todo baiano.