Encontro de gerações: Blocos infantil e da terceira idade abrem desfile no Circuito Osmar no sábado de Carnaval

18/02/2023
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Rei, Rainha e Rei Mominho Ibéji - Foto: Kleber Lobo

A criançada e a geração da terceira idade deram o tom da abertura do terceiro dia de Carnaval na Bahia, no Circuito Osmar (Campo Grande), em Salvador. O primeiro bloco a desfilar na avenida, no final da manhã deste sábado (18) foi o bloco infantil Ibéji, seguido pelo Bloco da Saudade, composto por pessoas idosas e com uma estética dos antigos carnavais. Os dois blocos são apoiados pelo Programa Carnaval Ouro Negro 2023, que investiu mais de R$ 7,6 milhões em 63 agremiações.

O Bloco Ibéji, fundado há 29 anos, traz em seu nome a referência ao orixá erê, criança. É uma divindade da brincadeira, da alegria, como o bloco, que atua com projetos que valorizam a autoestima das crianças, em sua maioria, das periferias de Salvador.

Com o tema “Ibéji no Reino sagrado e encantado das águas", o bloco homenageia o orixá feminino Oxum. A presidenta Marta Santana, fala que a escolha está associada aos votos de uma festa de paz. "É um tema que vem trazer a calma que o Carnaval precisa, a calmaria das águas da mãe Oxum, que é a deusa da fecundidade", enfatizou.

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Bloco Ibéji Campo Grande - Foto: Kleber Lobo

Quem animou a criançada com muita música e percussão, foi a Banda Timbaladies, formada por mulheres e idealizado por Carlinhos Brown. No vocal Patrícia Gomes, Amanda Santiago e Paula Sanffer cantaram clássicos da música negra, da Timbalada e também músicas com versões infantis no ritmo do timbal, como “Fazendinha”, composição do projeto musical Mundo Bita.

O bloco é composto por reinados mirins e neste ano, o Rei e Rainha Afro são David de Lucas, 8 anos e Ayomi Zuhri, 6 anos, que pela primeira vez participam do concurso, e ganharam o reinado do bloco para o Carnaval 2023. A rainha Ayomi ainda segue o legado da mãe Gisele Soares, que foi Deusa do Ébano no bloco Ilê Aiye.

O Ibéji também tem o Reinado Mominho, com o Rei Marcos Vinicius Santana, de 7 anos, que estava todo em dourado, com sua faixa e com um sorrisão no rosto com expectativa para a festa. “Vou dançar, vou pular, vou brincar muito”. A avó dele, Verônika San’ttana, relembra o momento que tornou-se folia do bloco, em 2019, e como sua família está na geração de reinado antes mesmo do neto. “Conheci o bloco e me encantei. Inscrevi meu sobrinho e ele ganhou como Rei Afro em 2019. Eu tenho um projeto social infantil e coloquei as crianças para participar do bloco no ano seguinte (2020) e um dos integrantes ganhou também. Este ano foi meu neto, que está dando um show”, relembra.

Com um legado de premiações carnavalescas, o Bloco Ibéji é bicampeão do Troféu Dodô & Osmar (2010 e 2011) como Melhor Bloco Afro Infantil e também bicampeão do Troféu Castro Alves (2012 e 2017) como Melhor Bloco Infantil, ambos considerados o OSCAR da música baiana, entre outros títulos que recebeu pela sua atuação como bloco carnavalesco infantil há 29 anos.

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Bloco da Saudade, Campo Grande - Foto: Fred Pontes

As gerações mais antigas se encontraram na avenida com Bloco da Saudade, marcado por representar um carnaval clássico, com banda instrumental entoando marchinhas e clássicos da Música Popular Brasileira. De acordo com a vice-presidenta do bloco, Tanise Cabral, 70% do público são pessoas da terceira idade, que curtem a festa momesca como nos tempos antigos. “Nosso bloco comemora 37 anos e traz esse resgate dos antigos carnavais. Revivemos os bailes carnavalescos e relembramos a todo o momento o samba, as marchinhas, o frevo, o axé em nosso repertório, com um público especial”.

Com baianas no abre alas e foliãs e foliãs com chapéus clássicos do samba, o bloco homenageou o Samba de Roda do Recôncavo da Bahia. Além deste sábado, o bloco desfila também na segunda-feira (20) no Circuito Osmar e na terça-feira estreiam o Circuito Batatinha (Pelourinho).

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Bateria Bloco da Saudade, Campo Grande - Foto: Fred Pontes

Carnaval Ouro Negro 2023 - O Carnaval da Secult conta ainda com 63 grupos dos segmentos afro, afoxé, samba, reggae e de índio contemplados pelo Carnaval Ouro Negro 2023, que desfilarão nos outros circuitos da folia. Entre eles, estão grupos tradicionais como o Olodum, Ilê Aiyê, Filhos de Gandhy, Muzenza e Cortejo Afro.  A pasta fez um investimento histórico no Carnaval Ouro Negro 2023, destinando R$ 7,6 milhões ao edital, com o intuito de preservar a tradição destes blocos na folia soteropolitana.

Carnaval da Cultura – É o carnaval dos blocos afro, de samba, de reggae e dos afoxés, apoiados por meio do Edital Ouro Negro para desfilar nos três principais circuitos da folia: Batatinha, Dodô e Osmar. É a folia animada, diversa e democrática do Carnaval do Pelô, que abraça o carnaval de rua, microtrios e nanotrios, além de promover nos palcos grandes encontros musicais e variados ritmos numa ampla programação. Tem Afro, Reggae, Arrocha, Axé, Antigos Carnavais, Samba, Hip-hop e Guitarra Baiana, além de Orquestras e Bailes Infantis. E é também a preservação do patrimônio cultural, com o apoio ao carnaval tradicional dos mascarados de Maragojipe. O Carnaval da Cultura é promovido pelo Governo do Estado, Carnaval 2023 – “Um Carnaval em Cada Esquina”.